Por Percival Puggina

A irresponsabilidade fiscal, que sempre foi bem vista
pelo petismo, quebrou o Brasil. Levou-nos ao descrédito internacional. Pôs sob
risco o grau de investimento do país. Constrangeu o governo a apresentar ao
Congresso um inédito orçamento deficitário para o ano de 2016. Com isso, está
obrigando-se a buscar novas fontes de receita (leia-se "tomar-nos mais
dinheiro pela via tributária").
Pois é nesse contexto que eu acabo de ler, no Estadão de
hoje, 4 de setembro, que a "Petrobrás corta viagens e festas para poupar
R$ 12 bilhões". No conteúdo da matéria vê-se que os cortes não atingirão
apenas viagens e festas, mas incluem, entre outros, aulas de idiomas, brindes,
programas de visitas, uso de veículos para necessidades não operacionais,
participação em congressos, seminários e fóruns. E nem uma palavra sobre as
periódicas e inúteis enxurradas publicitárias que inundam os grandes meios de
comunicação. É também nesse contexto que, no mesmo jornal, lendo editorial com
o título "O irrealismo do judiciário", fiquei sabendo que o STJ e
outros sete Tribunais Regionais do Trabalho encaminharam ao Conselho Nacional
de Justiça anteprojetos que criam 1,5 mil cargos de natureza técnica e outro
tanto em funções comissionadas! Nada diferente dos aumentos e regalias
autoconcedidos. E nada diferente do ânimo criador de caso que tem levado a
Câmara dos Deputados a aprovar projetos que elevam sobremaneira o gasto
público. O governo, por conta própria, fez tudo que estava ao seu alcance para
afundar o país. Não precisa de sugestões nem de auxílio da oposição.
Eis o que me leva ao título deste artigo. Beberam?
Cheiraram? Não podem, as instituições da República, estar em seu estado normal.
Poupem-nos de seu convívio. Vão se tratar e voltem quando estiverem
restabelecidos.
______________
Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense
de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site
www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no
país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e
Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
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