segunda-feira, 6 de abril de 2015

Marcha para 12 de Abril

Por Juca Chaves


Dia 12 de Abril vai ser Maior
A Dilma tem que sair

Fonte: YouTube

Procura-se um jardineiro


Tenho dito que o mundo político é como o quintal da nossa casa, onde brincam os filhos e brincarão toda a descendência. Cabe ao dono da casa, o cidadão, escolher se seu quintal será um monturo ou se um jardim. O Brasil está um monturo e precisa urgentemente de um jardineiro para pôr mãos à obra.

Esse é o sentido das grandes manifestações populares anti-PT, como a do 15 de Março e como será a de 12 de Abril. Toda a gente anseia pelo jardineiro que irá fazer as flores florirem novamente. A higienização do quintal é a tarefa preliminar. Remover o PT é um imperativo histórico, é a expressão dessa higienização.

José Augusto Guilhon de Albuquerque, em excelente artigo (O day after) proclama o dilema brasileiro: ou impeachment ou o caos. É claro que o caos não pode imperar, de onde se conclui que uma transição de poder terá que acontecer. A questão é saber qual virá. Eu torço para uma solução constitucional, com a saída de Dilma Rousseff e a posse do vice, Michel Temer. Como os motores da história estão em movimento e são imprevisível, nada pode ser antecipado.

Michel Temer tem o perfil adequado para ser esse jardineiro reparador do monturo. Não espero dele santidade, espero que faça o que o PMDB tem feito, de fortalecer as instituições, a separação de poderes e a contenção dos ímpetos revolucionários. Ter um jurista constitucionalista como ele como vice faz com que rememoremos o bordão: o homem certo no lugar certo. O PMDB, como partido hegemônico, poderá dar a estabilidade necessária.

Já o PSDB é um partido invertebrado e vacilante. Não recebe a ojeriza que o público devota ao PT, mas não encanta, não tem discurso, não tem esqueleto. A derrota em Minas Gerais do candidato Aécio Neves foi emblemática e decisiva e só não aconteceu em São Paulo porque aqui toda a gente quer o fim do PT. PSDB é um saco vazio que não pode se manter em pé. Aliás, nas eleições do ano que vem em São Paulo, para prefeito, poderemos ver o efeito desse desencanto dos eleitores. Poderemos ter grandes surpresas. O partido perdeu o timing dos acontecimentos e está a reboque dos fatos. Não consegue liderar nada. Um vácuo.

De qualquer modo, uma transição ensejará e demandará uma composição do PMDB e do PSDB. Este último não gosta muito do primeiro, mas é inevitável que algo assim acontece. O PT e seus íntimos aliados revolucionários é que formarão a nova oposição.

Tudo está pronto para a transição. Quem viver verá.

A obsessão dos Champinhas do Petrolão: trair o Brasil

Por Marco Antonio Villa e Joice Hasselmann


O colunista Marco Antonio Villa e Joice Hasselmann conversam sobre a última pesquisa que mede a popularidade da presidente Dilma Rousseff. Segundo Villa, "não há na história da República números tão desastrosos". De acordo com o levantamento, a confiança da população na presidente inverteu-se completamente em quatro anos. Sobre petrolão, sentencia: "Os Champinhas do esquema são extremamente perigosos e deveriam ficar reclusos".

Reflexões sobre o terrorismo

Por Carlos I. S. Azambuja

“A complacência de hoje se paga com as angústias de amanhã. E se ela persiste, com o sangue de depois de amanhã”  (SUZANNE LABIN, livro “Em Cima da Hora”).

 - Dificuldade de um Conceito

Inicialmente deve ser dito que todas as opções para o combate ao terrorismo internacional são conflitantes, em graus variados, com objetivos de política exterior, econômicos ou de políticas domésticas.

Por isso, definir o que seja terrorismo de uma forma aceitável a todas as pessoas e Estados não é uma tarefa fácil, considerando que o termo dá margem a interpretações diversas, pois aqueles que para uns são terroristas, para outros são “combatentes da liberdade”.

Até mesmo a Organização das Nações Unidas tem se mostrado incapaz de desenvolver uma definição que distinga o terrorismo de outros crimes. Entretanto, num esforço para estabelecer uma estrutura básica de ação, órgãos estatais e grupos privados envolvidos com análises e acompanhamento de atos terroristas, têm estabelecido definições diversas:

- o FBI, dos EUA, define o terrorismo como “o uso ilegal da força ou violência contra pessoas ou propriedades para coagir um governo, a população ou quaisquer desses segmentos em proveito de objetivos políticos ou sociais”;

- o Departamento de Estado dos EUA assinala que o terrorismo “é a violência politicamente motivada e premeditada, perpetrada contra alvos não combatentes, por grupos nacionais ou agentes clandestinos de Estados, geralmente com a intenção de influenciar uma audiência”;

- o Centro de Referência de Justiça Criminal Nacional dos EUA diz que “um simples acidente ou uma campanha de violência empreendida fora das normas e procedimentos aceitáveis, é terrorismo”;

- finalmente, para a Rand Corporation, o terrorismo é definido “pela natureza do ato e não pela identidade dos autores ou pela natureza de sua causa. As ações são, geralmente, realizadas de forma a alcançar publicidade máxima e os terroristas são, quase sempre, membros de um grupo organizado que, ao contrário de outros criminosos, fazem questão de assumir a identidade de suas ações, considerando que o ato terrorista objetiva produzir efeitos além do dano físico imediato”. Em suma, segundo a visão da Rand Corporation, o terrorismo é uma forma de propaganda armada.

O conceito de terrorismo, qualquer que ele seja, vem, no entanto, perdendo significado através dos tempos por força de sua aplicação indiscriminada a toda variação de insurgência, rebelião armada ou conflito civil. Os termos “terrorista” e “terrorismo”, com a alta carga pejorativa que carregam, vêm tendo aplicação extremamente ampla, por um lado, e seletiva, por outro, o que não deixa de ter reflexos no plano internacional para oferecer-lhes um combate coordenado. Esses termos vêm sendo transformados, assim em figuras de retórica cada vez mais utilizadas quando se trata de censurar ou condenar um inimigo.

Todavia, o certo é que o objetivo básico do terrorismo é estabelecer um clima de insegurança que facilite a eclosão ou o desenvolvimento de um processo revolucionário. Seus objetivos podem ser tão variados como os fatores que o geram. Entre as metas mais comuns almejadas por indivíduos ou grupos que utilizam o terrorismo estão a derrubada de um governo, a criação de um Estado, a obtenção de autonomia política para uma região, a reivindicação de direitos para minorias raciais ou religiosas, a eliminação de um inimigo político ou a mera vingança contra Estados, pessoas ou grupo de pessoas hostis a quaisquer dessas causas.

- Estratégias Utilizadas

Dois tipos de estratégias vêm sendo, basicamente, utilizadas pelos terroristas que atacam uma sociedade num esforço para causar uma crise de confiança que a comunidade deposita num regime.

A primeira consiste em direcionar seus ataques aos pilares da sociedade ou do regime que toma como alvo. Isto é, os altos funcionários, os juízes, os empresários e outras personalidades proeminentes, bem como suas famílias. Atacam também prédios públicos, instituições e instalações que desempenham funções importantes e simbolizam a ordem vigente.

A segunda estratégia consiste em lançar ataques indiscriminados e ao acaso contra a população, visando atingir suas atividades quotidianas, em supermercados, lojas, restaurantes, aeroportos, trens, metrôs e estações rodoviárias e ferroviárias. Nesse caso, o objetivo é fomentar um clima generalizado de medo e o sentimento de que ninguém estará seguro em parte alguma, independentemente de sua importância política.

O alvo, para os terroristas, é irrelevante, pois não lhes interessa a identidade do cadáver, mas sim os efeitos obtidos, conforme escreveu Carlos Marighela em seu “Minimanual do Guerrilheiro Urbano”.

Uma das principais características do que pode ser chamado de “terrorismo moderno” é a sua internacionalização, resultado de três fatores, até certo ponto complementares:
  • a cooperação existente entre organizações terroristas em diferentes regiões;
  • o fato de Estados nacionais soberanos apoiarem grupos terroristas e utilizarem o terror como meio de ação política, especialmente no Oriente Médio;
  • a crescente facilidade com que terroristas cruzam fronteiras para agir em outros países.


- Características do Terrorismo

A opção do terrorismo apresenta, para os Estados que dele fazem uso, a vantagem de envolver riscos menores do que os de uma guerra convencional. Além de ser uma forma de ação menos onerosa, apresenta uma característica inquietante, que é a de não reconhecer as normas e regras internacionais para um conflito tradicional. Nesse caso, os alvos normalmente poupados em uma guerra convencional - a população civil, principalmente - são os preferidos dos terroristas.

Os terroristas - deve ser salientado - não têm origem no proletariado e sim na classe média, pois a causa do terrorismo não é a pobreza e sim problemas políticos e religiosos.

Nas várias definições correntes, observa-se certa tendência a enfatizar determinado aspecto dos atentados - seja a motivação, alvos visados ou meios empregados - para caracterizá-los ou não como terroristas. No entanto, parece existir uma concordância generalizada de que a motivação política e religiosa é a característica fundamental dos atos terroristas.

A caracterização de um ato como terrorista depende do ponto de vista de quem analisa uma determinada ação, e a decisão de incluí-la no rol dos incidentes terroristas está, quase sempre, sujeita a uma alta dose de subjetividade. Nesse sentido, aos olhos de um governo ou de um grupo de cidadãos indignados de um determinado país, um terrorista pode ser classificado como um “combatente pela liberdade”. Recorde-se que o presidente Ronald Reagan assim denominava aqueles que lutavam, com armas na mão, contra o regime sandinista imposto à Nicarágua na década de 80.

- Meios Utilizados

Para atingir seus objetivos, os terroristas contam com uma poderosa arma: os meios de comunicação de massa que, na medida em que ajudam a difundir uma atmosfera de medo e insegurança no seio da sociedade, indubitavelmente os beneficiam, pois fornecem a oportunidade para que a sua causa seja apresentada ao grande público e, além disso, conferem certa aura de legitimidade a determinados grupos terroristas, ao entrevistar seus líderes e, especialmente, ao utilizarem seu linguajar característico.

Os recentes progressos tecnológicos, especialmente no campo da eletrônica e da química, aliados à tendência da moderna indústria à miniaturização de equipamentos sofisticados, têm aberto aos grupos terroristas possibilidades de acesso a material de enorme capacidade destrutiva, como o utilizado para derrubar o avião da Panam, em 1988, em Lockerbie/Escócia: um artefato plástico embutido num rádio de pilha Toshiba.

Por outro lado, ações terroristas que envolvem o uso de explosivos detonados à distância, aumentam a cada dia (essa forma de terrorismo foi utilizada com freqüência pela Eta-Basca), bem como a possibilidade do emprego de armas químicas por grupos terroristas ou de fanáticos solidários, como ocorreu no metrô de Tóquio, onde foi empregado o gás sarin, por uma seita religiosa.

Em 1969, um grupo de peritos apresentou a um órgão da ONU um estudo em que constavam os seguintes dados relativos ao custo de uma operação terrorista de grande escala contra a população civil: 2 mil dólares por quilômetro quadrado, se utilizadas armas convencionais; 800 dólares, se usadas armas nucleares; e um dólar, se empregados métodos químicos ou biológicos.

- Os Principais Alvos

Os padrões de comportamento dos terroristas, sobretudo no Oriente Médio, onde a forte influência da religião dita valores morais peculiares e onde os ataques suicidas são comuns, fogem, muitas vezes, à compreensão dos observadores ocidentais.

Os fortes esquemas de segurança que têm sido montados para proteger personalidades políticas e instalações consideradas alvos em potencial, estariam fazendo com que os terroristas se voltem, com maior freqüência, para alvos inocentes, como o público em geral. Hotéis, aviões, aeroportos, metrôs, passaram, como já foi dito, a ser os alvos prediletos dos terroristas. Recorde-se os ataques perpetrados pelo grupo fundamentalista Al-Qaeda, em Nova York e Washington, em 11 de setembro de 2001.

Um estudo da década de 80 indicava a existência de cerca de 323 grupos terroristas atuando em, pelo menos, 64 países. Desses, 46 estavam ativos, somente nos EUA. Seitas religiosas, como os xiitas e os sikhs, que nunca haviam utilizado o terrorismo, passaram a fazê-lo. Estima-se que no período 1968-1988 tenham sido realizados 24 mil atentados, 5 mil seqüestros, 800 desvios de aviões comerciais e 500 execuções em todo o mundo, que resultaram em 35 mil mortos e 200 mil feridos.

Embora os grupos terroristas conhecidos envolvam cerca de 75 diferentes nacionalidades, inegavelmente os mais ativos têm sido os palestinos, sendo que, para os grupos religiosos islâmicos, tanto o capitalismo quanto o socialismo são um mal. Eles dizem agir em nome de Deus, com quem alegam ter ligação direta.

As organizações e grupos terroristas começaram agindo sem vínculos entre si e sem inspiração e ajuda externa. Hoje, todavia, são coordenados, prestam serviços uns aos outros, emprestam-se homens e armas, compartilham os campos de treinamento e têm por trás de si Estados que os financiam, que lhes dão guarida e os armam, que lhes fornecem documentação e comandam suas operações.

- O Terrorismo de Estado

A hipótese de que alguns Estados utilizam seus Serviços de Inteligência e outras agências governamentais para se engajarem em atividades terroristas pode ser considerada verdadeira, pois hoje a percepção é a de que o terrorismo vem sendo utilizado, cada vez mais, por governos, como um instrumento de política externa.

Isso faz com que o fenômeno extrapole a esfera meramente policial e passe a ser encarado como um problema político de alcance imprevisível. Os Estados terroristas mais comumente citados pela mídia por seu apoio ao terrorismo internacional têm sido a Líbia, Irã, Iraque, Iêmen, Síria e, mais recentemente, o Afeganistão. A ex-União Soviética e seus antigos aliados da Europa Oriental, ainda no tempo da Guerra Fria, por sua vez, foram acusados de prover apoio aos grupos terroristas através desses Estados.

- Uma Estratégia de Combate ao Terrorismo

O terrorismo deve ser encarado e combatido de uma forma total e coordenada, sob pena de fugir ao controle. Uma defesa puramente passiva - o contraterrorismo - não tem constituído obstáculo suficiente para o seu desenvolvimento. O antiterrorismo, ao contrário, sugere uma estratégia ofensiva, com o emprego de toda uma gama de opções para prevenir e impedir que atos terroristas ocorram, levando a guerra aos terroristas. Essa, porém, não é uma tarefa simples, uma vez que, nesse caso, as represálias são levadas a efeito antes que haja qualquer ataque. Antes, portanto, que sejam causados quaisquer tipos de danos. É, portanto, uma resposta sem qualquer ação criminosa anterior. Nesse caso, existe o perigo de que os antiterroristas apareçam, perante a opinião pública, como terroristas, por darem uma resposta a algo que não aconteceu.

Hoje, por exemplo, o terrorismo mata estrangeiros na Argélia pelo simples motivo de serem estrangeiros, ou praticam atentados contra seus próprios governantes, como foi o caso do assassinato de Ytzhak Rabin, em Israel.

É impossível proteger por todo o tempo todos os alvos em potencial, ficando assim, sempre, os terroristas, com a vantagem da iniciativa. Para que essa proteção fosse efetiva seria necessário implantar um Estado-policial, exatamente o tipo de situação que os extremistas gostariam que fosse criada para terem um inimigo fascista para combater.

Segundo Jean-François Ravel, no livro “Como Terminam as Democracias”, “uma democracia não pode utilizar um cidadão em cada cinco para ser policial; não pode fechar suas fronteiras e restringir as viagens dentro do país; deportar parte da população de uma cidade, se necessário; nem manter uma vigilância constante sobre cada hotel, cada prédio, cada apartamento em cada andar; e nem gastar horas revistando carros e bagagens de viajantes”.

Uma das únicas defesas contra o terrorismo é a possibilidade de realizar uma infiltração a fim de interceptar e conhecer antecipadamente quando e onde um alvo deverá ser atacado. Esse, porém, é um trabalho para um excepcional Serviço de Inteligência, aliado a um componente essencial: vontade política – o que está ficando cada vez mais raro - e decisões que não temam riscos.

Os esforços no sentido de elaborar uma convenção global sobre medidas de combate ao terrorismo - que envolvem considerações de ordem política, técnica, logística, legal, conceitual, e até mesmo moral - têm esbarrado no problema de definir o que seja terrorismo, uma vez que os chamados Estados terroristas e nações que o apóiam e se valem dele têm assento e voz na ONU. Não há consenso sobre a definição de terrorismo, pois não está claro quem é o inimigo e contra quem o Acordo seria utilizado. Os países árabes, liderados pela Síria e Egito, insistem que haja uma diferenciação entre atos terroristas e ações de movimentos de libertação nacional. É evidente que essa diferenciação teria como objetivo evitar que as ações dos árabes contra a ocupação israelense de territórios palestinos sejam classificadas como atos de terrorismo.

A União Européia, todavia, após os atentados ocorridos em Washington e Nova York em 11 de setembro de 2001, deu um passo histórico na luta contra o terrorismo, em 6 de dezembro de 2001, ao aprovar uma definição desse delito, comum aos 15 Estados membros.

Os ministros do Interior e da Justiça europeus, reunidos em Bruxelas pactuaram uma definição coletiva para terrorismo e grupo terrorista que permitirá condenar não apenas as pessoas que lideram grupos terroristas, como também as que forneçam informações ou meios materiais para a prática de atentados, instiguem esse tipo de atividade ou exerçam qualquer tipo de cumplicidade.

O terrorismo foi assim definido pela União Européia:

“Os atos intencionais que, por sua natureza ou contexto, possam lesionar um país ou uma organização internacional, quando seu autor os cometa com a finalidade de intimidar gravemente uma população; obrigar indevidamente os poderes públicos ou uma organização internacional a realizar um ato ou abster-se de fazê-lo; ou desestabilizar gravemente ou destruir as estruturas políticas fundamentais, constitucionais, econômicas ou sociais de um país ou de uma organização internacional”.

Considerando não existir, ainda, uma determinação legal internacional sobre o tema, essa definição é considerada importante.

A definição da União Européia para Grupo Terrorista é a seguinte:

“Toda organização estruturada com mais de duas pessoas, estabelecida durante certo período e que atue de forma concertada com o fim de cometer delitos terroristas”.

Além disso, as definições aprovadas pela UE também implicam na aplicação das mesmas penas, em todos os países, para castigar os grupos terroristas e os delitos de terrorismo. Nesse sentido, a pena máxima para a direção de qualquer grupo terrorista não poderá ser inferior a 15 anos de prisão, enquanto que para o restante das atividades não poderá ser menor que 8 anos de prisão. Em vão, a Itália tentou impedir que fosse aprovado um projeto relativo a ordens de captura com vigência em todos os países. Todavia, em 12 de dezembro de 2001, intensamente pressionada pelos demais países, decidiu aderir ao Tratado.

No Brasil, enquanto uma definição não chega, combater o terrorismo com a utilização de todos os meios parece ser uma questão de sobrevivência. A natureza do ambiente sob ameaça configurará os limites do que seja possível e moralmente aceitável fazer. Uma resposta considerada inaceitável, hoje, poderá ser aceitável amanhã, dependendo da ousadia dos terroristas. Aquilo que Israel, por exemplo, considera aceitável no combate ao terrorismo, poderá não sê-lo para outras democracias.

Por outro lado, a quantidade e a qualidade da Inteligência será sempre julgada aquém do ideal, surgindo daí o perigo de que a constante busca de melhores dados, sempre mais atuais e mais precisos, possa acarretar a perda de uma oportunidade ímpar de agir, o que, em si, poderá causar mais danos do que uma ação baseada em Inteligência incompleta.

A opinião do autor é a de que o terrorismo e os grupos terroristas devem ser combatidos com todos os meios, até mesmo os legais.


Publicado no site Alerta Total


__________________
Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

domingo, 5 de abril de 2015

PELOS MORTOS NOS CONFRONTOS COM O TERRORISMO

Por Gen Ex Armando Luiz Malan de Paiva Chaves

A data de hoje lembra a contrarrevolução irrompida em 1964. Porém não estamos aqui para festejá-la – embora razões haja.

A motivação que nos congraça não são festejos. É a piedade. É a lembrança e o preito de saudade, de homenagem, de oração, que prestamos aos muitos sacrificados nos embates por seu ideal, fosse no cumprimento do dever, fosse na conquista de objetivos políticos. Ou aos inocentes que pereceram na voragem dos confrontos, sem saberem o porquê de sua imolação.

A vocação brasileira para a paz e a harmonia foi combalida pela violência dos entrechoques, comparável em mínima escala aos vitimados em outros países de muito menor população. Ainda assim os números comovem. Foram mais de meio milhar os mortos, somando os de ambas as partes e os alheios a qualquer compromisso. É a eles, sem distingui-los, que elevamos nossas preces.

Conhecemos, muito de perto, na família, o ideal de jovens que, em seu entusiasmo de juventude, se deixaram levar para o confronto. Muitos pereceram na luta armada, na plenitude de seus verdes anos, alguns pelas mãos dos próprios companheiros. Não cabe hoje julgá-los, mas nos apiedarmos. Oremos por suas almas.

Camaradas de armas que prezamos foram levados a aprender a lutar em combate muito diferente do que lhes fora ensinado em sua formação. Por dever de ofício, enfrentaram conterrâneos, não inimigos estrangeiros, purgando, no fundo da alma, pela luta contra irmãos. Pagaram o preço de seu sangue e da própria vida. Assim também policiais civis e militares, embora treinados para enfrentar a contravenção. Roguemos ao Altíssimo por seu descanso eterno.

Que essa missa, de iniciativa da Associação dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira, possa nos iluminar o caminho da fraternidade. Que leguemos ao olvido nossas mágoas e caminhemos, se não para o perdão, para o esquecimento, a anistia que os poderes concederam mas os homens não aceitaram.




________________________________
Texto proferido pelo Gen Ex Armando Luiz Malan de Paiva Chaves antes da Bênção Final da Missa em Ação de Graças pela Reconciliação Nacional, celebrada pelo Coronel-Capelão Chefe do SAREX José Eudes da Cunha em 31 Mar 2015, na Catedral Militar de Brasília

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Ibope Dilma - Pode tentar sair do PT ???

Por Reinaldo Azevedo


Momento histórico que vivemos

Por Nivaldo Cordeiro


Leio aqui a nota que escrevi nas redes sociais. Diz muito do momento histórico que vivemos.

Compromisso de Cochabamba, antítese do Foro de São Paulo

Por Ricardo Puentes Melo
 
Cochabamba, Bolívia - 18 de março de 2015.

Quem somos?

Somos uma equipe de liberais clássicos de vários países latino-americanos, Espanha e EUA. Muito variada também na sua composição: entre nós há políticos ativos, estudantes, técnicos e profissionais, empresários, economistas e investidores, intelectuais e artistas, militares e policiais, juízes e advogados, esportistas, professores e mestres, médicos e enfermeiras, padres, rabinos e sacerdotes, e também donas de casa, agricultores, empregados e trabalhadores.

Qual é nosso COMPROMISSO?

Nós, liberais clássicos, partidários de um governo limitado, do livre-mercado e da propriedade privada, nos comprometemos firmemente a terminar com a hegemonia cultural e política do Foro de São Paulo na região. E para esse propósito, também nos comprometemos:

1. A fazer uso inteligente e eficiente dos recursos políticos, os quais nós liberais até o momento não fizemos bem, lamentavelmente, e em parte por essa razão dominam as esquerdas. Os recursos políticos mais importantes são as propostas políticas. Os socialista têm as suas: reforma agrária, educação “grátis”, leis trabalhistas, banco central, “saúde pública”, etc. São enganosas, destrutivas, mas aí estão, e todo mundo as conhece. E qual são as propostas
liberais? Até agora não há equivalentes porque nós liberais não apresentamos para a população propostas claras, concretas, inteligíveis, atrativas e de vocação ganhadora. “Os liberais não chegam à população com sua mensagem”, dizem. Qual “mensagem”, se não há? Nos comprometemos a preencher esse vazio.

2. “A Grande Devolução” é nossa oferta. Consiste em revogar as más leis, a fim de possibilitar Cinco Reformas necessárias em cada uma das seguintes esferas da vida social: política, economia, educação, assistência médica e previdência social. A n°1, política, para pôr o Estado em seu lugar, em suas funções próprias. A n°2, para liberar e expandir os mercados e a economia a fim de criar riqueza, ganhos maiores e vida melhor para todos. E três reformas “sociais”: a n°3, para retirar a educação das mãos dos Governos, e passar as mãos dos docentes, estudantes e pais. A n°4, para pôr a atenção médica nas mãos de profissionais da saúde; e n°5, de modo igual com a Previdência Social. Incluindo nas três últimas, três séries de bônus, para educação, saúde e benefícios sociais para os mais pobres em transição, até que todos deixemos de ser pobres. Este programa é nosso primeiro recurso político e nossa primeira mensagem. Nosso compromisso básico é difundi-lo amplamente e concretizar as reformas tão rápido seja possível, para o bem da imensa maioria da população.

3. Nos comprometemos a introduzir cada vez mais congressistas liberais clássicos ao Parlamento em cada país, para debater as más leis, e compor um bloqueio parlamentar para revoga-las e impulsionar as reformas. Esse é nosso Plano Político. Por isso o Congresso ou Assembleia Nacional é o foco e o alvo principal de nossa ação política. Neste momento, a participação no
Poder Executivo e nos Governos regionais e municipais são objetivos secundários, condicionados ao principal.

4. A política, a democracia e os partidos são recursos políticos importantes. Não os idolatramos, mas nem por isso caímos nos erros comuns e perniciosos da antipolítica, da partidofobia, e da tentação antidemocrática. Como parte importante de nosso trabalho nos comprometemos a reabilitar a política e os políticos, e a democracia republicana representativa e suas instituições, agora manipuladas, subvertidas e degradadas pelo socialismo, estatismo e populismo.

5. Até agora o liberalismo esteve aprisionado em alguns “reservatórios de pensamento”, dos quais há muitos, mas não há partidos políticos inspirados em nossos princípios. É um erro grave, que em parte explica a hegemonia esquerdista. Os “reservatórios” criticam o socialismo, e defendem o sistema oposto, mas não descrevem nem explicam como chegar a ele. Por isso a população com razão faz a pergunta “e os liberais não se postulam nas eleições, nem partido têm?” Suspeita que “algo de ruim deve haver com suas idéias”. Por isso nos comprometemos a criar e desenvolver partidos políticos para difundir a mensagem e fazer campanha para chegar ao capitalismo liberal: as Cinco Reformas.

6. Há na equipe cristãos de diversas denominações, e também não cristãos. Mas todos admitimos certos feitos desagradáveis: os principais veículos esquerdistas formaram um falso “socialismo cristão”, e as Igrejas, católicas e não católicas, que o propagam; por isso que a maioria dos votos das esquerdas procede de cristãos enganados. Nos comprometemos a reverter essa tendência.

7. O Foro de São Paulo une ao marxismo econômico o marxismo cultural, cujos temas gozam da máxima prioridade em sua agenda, pois sabe que o capitalismo de livre mercado está muito ligado à moral e aos valores tradicionais, à educação “convencional” e à linguagem com sentido, ao matrimônio e à família. Nos comprometemos a defender essas instituições tanto quanto o capitalismo, para combater o marxismo cultural tanto quanto o marxismo econômico.

8. Recursos básicos são as palavras e a comunicação. Aí que falhamos também nós liberais. Os socialistas usam todas suas palavras diariamente e em todo parte, mas nós autocensuramos as nossas, tais como capitalismo,“privatização”, livre-mercado, liberalismo e “direita”, porque assumimos que vão ser rejeitadas ou mal interpretadas. Nos comprometemos a explicá-las em termos simples à “maioria silenciosa”, para que nos entenda bem, nos aceite e nos acompanhe a caminho do êxito.

9. Em todos os países dizem que nós liberais estamos “desunidos”. É verdade?

Existem muitas posições diferentes das do liberalismo clássico, que nos EUA e na Europa se chama “conservadorismo”. Podemos contar quatro: (A) Os Liberais “Sociais”, identificados com políticas sociais-democratas. (B) Os “Neo” Liberais, identificados com o Consenso de Washington. (C) Anarco “Libertários”, que não admitem nenhuma classe do Governo, nem sequer limitado. (D) “Libertários” Neo Ateístas, muito beligerantes contra a religião. A todos dizemos que podemos trabalhar juntos, mas conforme os términos e o espírito de luta contra as más leis e a favor das Cinco Reformas, e do compromisso pela ação política inteligente e eficaz, com partidos aderidos à democracia. Se isso não é possível, nós seguiremos nosso caminho; e se é possível, sejam todos bem-vindos!

E agora, o que vem adiante?

Nos comprometemos a difundir nossa proposta, cada um em seu próprio país, e entre todos nas redes sociais e internet. E a ter nos dias 10 e 12 de Novembro do presente ano de 2015 o Iº FORO DE COCHABAMBA, nesta cidade da Bolívia, na qual estaremos presentes para confirmar este compromisso, e o de ter daqui em diante um Foro a cada ano em uma cidade de nossa América.

Cochabamba, 11 de março de 2015.

Claudio Zolla, Peru
Gustavo Romero, Peru
Andrés Ortega, Bolívia
Hugo Balderrama, Bolívia
Marcio Santana Sobrinho, Brasil
Diego Muguet, Brasil
Manuel Valverde, Guatemala
Guillermo W. Méndez, Guatemala
Vanessa Victoria Novoa, Venezuela
Yvonne Caldera Lollett, Venezuela
Marcela De Vanna Parra, Venezuela
Ynes Cecilia Rivero, Venezuela
Raúl Marval, Venezuela
Humberto José Rivero Meléndez, Venezuela
Christian Leonardo Blanc, Argentina
Humberto Luis Recabarren, Argentina
Ricardo Puentes Melo, Colômbia
Félix Eduardo Salcedo, Colômbia
Oswaldo Toscano, Equador
Verónica Abad, Equador
Pilar Alonso Noriega, México
Ernesto Urquijo Gea, México
Artemio Estrella México
Youseff Derikha, Chile
Anthony Machado, Uruguai
Alejandro Mancuello, Paraguai
Oswald Chamagua, El Salvador
Alberto Mansueti, Centro de Liberalismo Clássico


Tradução: Romário Ricken


IMPEACHMENT Crime de Responsabilidade

Por Marco Antonio Villa


quinta-feira, 2 de abril de 2015

Projeto Escola Sem Partido

Por Miguel Nagib


Trechos da palestra de Miguel Nagib no Fashion Monday sobre sua ONG Escola Sem Partido, que deu nome a um projeto de lei que tenta impedir a doutrinação ideológica nas escolas brasileiras.

Fonte: YouTube

Supremo decidirá se cabe ou não investigação de Dilma por envolvimento no Petrolão


dilma_rousseff_517Jogando para depois – Os líderes da oposição na Câmara dos Deputados, Raul Jungmann (PPS-PE), vice-líder da Minoria; Mendonça Filho (PE), líder do Democratas; e Carlos Sampaio (SP), líder do PSDB, anunciaram, após reunião com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que a investigação da presidente Dilma Rousseff por envolvimento no escândalo do Petrolão poderá ser discutida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Caberá à Suprema Corte a palavra final sobre o assunto.

“Quem vai decidir se haverá ou não investigação é o ministro Teori Zavascki que, segundo o procurador-geral da República, deve levar o assunto à turma e até ao colegiado do Supremo”, disse Jungmann.

Para o parlamentar pernambucano, após a conversa com o procurador-geral, “ficou muito mais facilitada (a possibilidade de vitória) pelo fato de que nosso agravo vai para a turma e não será definido de forma monocrática, podendo ser definido pelo plenário”.

Conforme afirmou Jungmann, no pleno, que reúne todos os ministros, existem “vozes discordantes, ministros que entendem, como o decano Celso de Mello e outros mais, que cabe a investigação”. O deputado disse que saía da reunião com Janot “mais convicto” de que a apuração do envolvimento da chefe do Poder Executivo é plausível e “de que nós conquistamos a vitória de levar esse assunto para discussão no colegiado do STF”.

Na avaliação do deputado, “isso é um avanço e a consolidação de nossa tese, que está embasada no Supremo”.

Na primeira manifestação do procurador-geral da República, ele disse que não era possível investigar porque a Constituição vedava esse procedimento. Na reunião com a oposição, ele manteve esse ponto de vista e acrescentou que não via motivos para investigar.

“Ele (Janot) disse que não queria formar um juízo de valor na primeira resposta. Ficou naquilo que ele entende que diz a Constituição. No entender dele, não cabe investigação por fatos estranhos ao mandato. No entanto, jurisprudência do STF é de que cabe, sim, a investigação e ela deve acontecer na fase de instrução, anterior à fase processual”, explicou o vice-líder da Minoria.


Jungmann informou que o procurador complementará sua posição dizendo que não há elementos para investigar, no momento, a presidente.

Resolução autoriza estudantes a usar frequentar banheiros e vestiários conforme sua orientação sexual!

Por Sandra Faraj


Deputada Sandra Faraj repudia a Resolução n° 12/2015, publicada no DOU do dia 12 de março, que autoriza estudantes, de qualquer idade, a usar nome social e frequentar banheiros e vestiários conforme sua orientação sexual!

Fonte: YouTube

Impeachment na Câmara? Explica essa PT!

Por Joice Hasselmann


A turma do PT gasta saliva para defender que um processo de impeachment de Dilma agora por causa do petrolão da gestão passada seria golpe, ainda que a presidente seja a mesma. Pois bem. O líder da oposição, Bruno Araújo, encontrou um pedido de Impeachment protocolado na Câmara que desmonta o discurso furado de hoje. Entenda essa confusão.

Manifesto comunista e o monstro leviatã

Por Eguinaldo Hélio Souza

Manifesto comunista e o monstro leviatãTambém vi que houve, sem grandes dificuldades, uma transição da ditadura do proletariado à uma ditadura sobre o proletariado. Jacques Ellul

Vários são os motivos que nos levam a afirmar que o Manifesto Comunista foi o pior livro produzido pela civilização ocidental. Se os editores fossem sensatos colocariam uma advertência na capa: 

“Cuidado, as ideias deste livro já fizeram muito mal ao mundo”. Se os professores fossem razoáveis ensinariam sobre os efeitos desse livro na história. Se os governos fossem sábios o deixariam ao lado do Mein Kampf de Hitler como sendo de igual ou maior periculosidade.

Basta ver o tipo de Estado nele proposto. Sim, a utopia comunista prevê o fim do Estado. Antes, porém, tem que surgir o Estado monstro que a tudo domina e determina. Todas as coisas precisam ser por ele controladas e conduzidas até que o Novo Mundo paradisíaco surja, como se a serpente fosse a responsável pela entrada no Paraíso e não pela expulsão dele.

Se nos países socialistas como URSS ou China o Estado matou, torturou, prendeu e perseguiu milhões, isso se deu porque exatamente esse era o plano. O Estado monstro é a única coisa que pode surgir do Manifesto Comunista.

O proletariado utilizará sua supremacia política para arrancar pouco a pouco todo capital à burguesia, para centralizar todos os instrumentos de produção nas mãos do Estado.

Todavia, nos países mais adiantados, as seguintes medidas poderão geralmente ser postas: Expropriação da propriedade latifundiária e emprego da renda da terra em proveito do Estado; Imposto fortemente progressivo; Abolição do direito de herança; Confiscação da propriedade de todos os emigrados e dos contrarrevolucionários. (Isto é, quem não concordasse com as ideias de Marx); Centralização do crédito nas mãos do Estado por meio de um banco nacional com capital do Estado e com o monopólio exclusivo; Centralização, nas mãos do Estado, de todos os meios de comunicação e transporte. Adequação do sistema educativo ao processo de produção material (isto é, doutrinação comunista e anti-tudo o que não for marxista), etc [grifos e acréscimos entre parêntesis meu][1]

Produção, crédito, terras, comunicação, transporte e educação – tudo nas onipotentes mãos do Estado. Eis a receita do Manifesto para criar o paraíso. “Dai-nos o controle absoluto e nós lhe daremos uma sociedade perfeita”. Eis o discurso proposto pela dupla Marx e Engels. Eis a receita para o inferno na terra. No fundo não se trata de um divórcio entre teoria e prática. Trata-se na verdade de um casamento perfeito entre teoria e prática. O Manifesto chocou o monstro e seus seguidores o trouxeram a luz.

Claro que os discursos socialistas serão uma combinação perfeita de utopia e poesia. Sua prática, todavia, produzirá conforme seu DNA: um Estado monstruoso que usará de todos os meios para impor sua vontade.

Minhas palavras a você, seu animal sedento de sangue. (…) Você disse: “Abaixo as prisões, abaixo o fuzilamento, abaixo o serviço militar. Que os  trabalhadores assalariados também tenham segurança”. Resumindo, você prometeu montanhas de ouro e uma terra paradisíaca. (…) Então você, seu sanguessuga, veio e tirou a liberdade das mãos do povo. Em vez de transformar prisões em escolas, elas estão cheias de vítimas inocentes. Em vez de proibir os fuzilamentos, você organizou um terror, e milhares de pessoas são fuziladas cruelmente todos os dias; você paralisou a indústria, e os trabalhadores agora estão famintos, o povo não tem o que vestir ou calçar. (Carta de um soldado do Exército Vermelho a Lenin, 25 de dezembro de 1918)[2]

O erro do soldado é o mesmo erro cometido por todos os que acreditaram nas propostas comunistas/socialistas sintetizadas no Manifesto: Crer que frutos doces nasceriam de plantas venenosas.

A própria de ideia de “ditadura do proletariado” não passa de engodo. Os proletários foram ao longo do tempo se beneficiando do capitalismo. Não são eles que fazem a guerra e sim aqueles que dizem falar em seu nome. “Não é o proletariado que faz guerra ao capitalismo. É a seita ideológica que fala e age em seu nome”[3].

Essa foi a realidade da primeira revolução socialista que deu certo e de todas as demais desde então. Isso nunca mudará. O Estado monstro é o único resultado possível da política socialista.

“A democracia socialista não é incompatível com a administração por uma só pessoa ou com a ditadura. Um ditador pode às vezes expressar a vontade de uma classe, já que às vezes ele sozinho é capaz de realizar mais  coisas e é, portanto, mais necessário” (Discurso de Lênin para o Comitê Central)[4]

Pelo menos Hitler foi mais sincero, quando em seu livro defendeu que “o forte é mais forte sozinho”. Exerceu seu poder absoluto em seu próprio nome, enquanto o socialismo insiste em falar em nome de uma classe que em sua maioria o desaprova e que o desaprovaria na totalidade se pudesse antever o futuro que se avizinha.

Alguém pode defender o marxismo e a democracia ao mesmo tempo. Todavia, será apenas mais um quadrado redondo defendido pelos iludidos.

“Há, efetivamente, os que se iludem com a ditadura do proletariado, com o governo direto das massas, com a abolição da hierarquia nas funções de governo, esquecidos de que – escreveu Queiroz Lima na Sociologia Jurídica – tudo isso não passará de aberração revolucionária, forçosamente transitória, própria para mascarar o efetivo predomínio de um grupo, de um partido, de um chefe [Grifo meu][5]

Está lá no Manifesto Comunista. Basta ler.


Publicado no site Gospel Prime

_______________________
[1] MARX, K. e  ENGELS, F. Manifesto do Partido Comunista. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996, pp. 35, 45
[2] SMITH, S. A. Revolução  Russa. Porto Alegre: L&PM, 2013, p. 76
[3] BESANÇON, Alain. A infelicidade do século. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2000, p. 53
[4] SMITH, S. A. Revolução  Russa. Porto Alegre: L&PM, 2013, p. 85
[5] MENEZES, Geraldo Bezerra. O comunismo – Crítica Doutrinária. São Paulo: IBRASA; Rio de Janeiro: MEC, 1978, p. 156

Eguinaldo Hélio Souza é pastor, jornalista, professor de teologia e história no Vale da Bênção. Palestrante nas áreas de apologética, seitas, escatologia, Israel e vida matrimonial. Colaborador da Bíblia Apologética de Estudos. Articulista das revistas Povos e Apologética Cristã. Criador do curso de Apologética Aplicada pela FAETESF e locutor da rádio Saber & Fé. Autor dos livros “Lições de Amor” e “Novas Lições de Amor” (casais), “Israel Povo Escolhido”, “Visitação de Deus” e “Quem é o Perdido?”

Baile de máscaras em Moscou:
O caso de um cordeiro em pele de lobo


Resultado de imagem para cordeiro em pele de lobo“Marxismo, movimento trabalhista, democracia das massas, leninismo, o partido do proletariado, o estado socialista — todas invenções do século XX — não têm mais utilidade para nós.” - Alain Badiou, L'hypothèse communiste

“O comunismo é uma abstração dogmática e [...] uma expressão particular do princípio humanista, ainda que esteja contaminado pela sua própria antítese: a propriedade privada.” - Karl Marx, carta a Arnold Ruge, 1843

“Comecei a estudar intensivamente e criticamente [...] as obras de Marx, Engels, Lênin, Stálin, Mao e outros ‘clássicos’ do marxismo. Eram todos eles fundadores de uma nova religião — a religião do ódio, da vingança e do ateísmo.” - Alexander N. Yakolev, Chefe da propaganda soviética

Alexander N. Yakovlev é conhecido como o “padrinho da glasnost”. Ele subiu de cargo até tornar-se chefe do Departamento de Ideologia e Propaganda do Partido Comunista da União Soviética de 1969 a 1973. Entretanto, ele veio a publicar um artigo intitulado “Contra o anti-historicismo”, em que são criticados os nacionalismos russo e soviético. Se ele tivesse apenas criticado o nacionalismo russo seu cargo de propagandista do Partido estaria seguro; todavia, seu exagero custou sua mudança de cargo: foi exilado para a embaixada soviética no Canadá. Dada a importância do Canadá como país adjacente aos Estados Unidos, essa foi de fato uma despromoção estranha; mas como Yakovlev era um sujeito astuto e bem-apessoado — bem liberal para os padrões dos oficiais soviéticos — ele tornou-se amigo próximo do Primeiro Ministro canadense Pierre Trudeau, que na juventude havia sido ativista no Bloc Populaire (apoiado pelos comunistas). Além disso, a entrada de Trudeau no governo canadense deu-se com a ajuda de Robert Bryce, um amigo próximo do espião soviético Alger Hiss.

Seria surpreendente se isso não tivesse similaridade com a história da Chapeuzinho Vermelho, com Trudeau sendo a bela mocinha e Yakovlev como o lobo vestido com as roupas da vovó. Todavia, situações típicas nem sempre são típicas. O envio de um oficial soviético tão liberal para fazer amizade com um premier canadense tão liberal, pode ter sido uma coincidência no final das contas. Na verdade, talvez Trudeau era o lobo e Yakovlev a mocinha. De qualquer forma, enquanto Yakovlev esteve no Canadá, teve tempo de pensar e estudar e, por conseguinte, tornou-se um ‘cripto’ anticomunista. “Era uma vez”, escreveu em sua introdução em estilo conto de fadas à edição russa do Livro Negro do Comunismo, “quando percebi que o marxismo-leninismo não era uma ciência, mas sim, no melhor dos casos, mau jornalismo — canibal e automutilador.”

Imagine a dificuldade que passou Yakovlev quando subitamente percebeu que era um cordeiro vestido em pele de lobo. E lá havia Pierre Trudeau, um cordeiro em roupa de cordeiro. Talvez o adágio de Marx aplique-se ao conto de fadas, pois primeiro ele é contado como tragédia, depois como farsa. Na história original a Chapeuzinho Vermelho é devorada pelo Grande Lobo Mau; mas desta vez, o Grande Lobo Mau começou a imitar a vovó e retornou para o bando como reformador (se recusando a consumir garotinhas). De fato, uma maravilhosa parábola! Se pudéssemos acreditar nisso... Yakovlev nos diz: “Desde que passei a viver nas altas ‘órbitas’, incluindo a mais alta — o Politburo sob Gorbachev — eu bem sabia que todas essas teorias marxista-leninistas eram disparates.”

Todos podemos ver que as teorias marxista-leninistas são disparates. Mas por que os planos estratégicos marxista-leninista seriam disparates? Eles não conquistaram o sudeste asiático na década de 1970? E quanto a todos aqueles países na África, América Latina e Ásia? Poderiam esses planos um dia abrangerem a América do Norte? Essa pergunta traz à lembrança os comentários do Gen. Jan Sejna sobre o plano soviético “Quando meus amigos [no governo comunista tcheco] e eu estudamos o plano estratégico, nossas primeiras reações foram idênticas: consideramos tudo muito irrealista...”

Mas isso era uma ilusão. Tão logo Sejna desertou rumo ao Ocidente e viu como os americanos não tinham qualquer contra-estratégia, ele escreveu: “Não consegui encontrar qualquer unidade, qualquer objetivo consistente ou estratégia entre os países ocidentais. Não é possível enfrentar o sistema soviético e sua estratégia com pequenas ações táticas. Pela primeira vez passei a acreditar que a União Soviética conseguiria atingir seus objetivos — algo que não acreditava na Tchecoslováquia.”

As longas visitas que Yakovlev fez a Pierre Trudeau não serviram para convencê-lo que os planos soviéticos poderiam funcionar. A disposição para ser “idiota útil” impediu que Trudeau prestasse atenção naquilo. Apenas um interrogatório feito pela CIA poderia curar Yakovlev da sua ilusão, assim como foi curado Sejna. Em vez de focar-se na estupidez ocidental, Yakovlev viu que todo o sistema soviético era mantido por idiotas. Para ser mais preciso, ele dividiu a elite do Partido em três categorias: (1) inteligentes, (2) estúpidos e (3) muito estúpidos. Entretanto, os três grupos eram igualmente cínicos (e ele mesmo se considerava no grupo desses cínicos). “Nós ‘rezamos’ publicamente para nossos ídolos como se fossem ‘santidades’, mas sempre mantivemos nossas verdadeiras crenças dentro de nós.”

Como Yakovlev perdeu sua fé no comunismo?

Era uma vez um grande professor chamado Stálin. Um dia Stálin estudou. Três anos depois de sua morte, seu sucessor (Khrushchev) denunciou Stálin como criminoso. Como resultado, Yakovlev e seu círculo de amigos (inteligentes) perderam a fé no marxismo-leninismo. Eles discutiram as perspectivas da democratização soviética. “Nós finalmente pensamos numa abordagem que era simplesmente uma marreta. Promoveríamos as últimas ideias de Lênin.” Incluir-se-ia aí a ideia da Nova Política Econômica (NEP), que reintroduziria o capitalismo na Rússia. Antecipando objeções, ele escreveu: “nosso grupo era real, não imaginário... E então desenvolvemos o seguinte plano:

(1) Atacar Stálin e o estalinismo com a autoridade de Lênin.

(2) E então, se fôssemos bem sucedidos, atacar Lênin.

(3) Usar o liberalismo e o “socialismo ético” para atacar a Revolução.

A ideia, disse Yakovlev, era destruir o partido através do mecanismo disciplinar do partido. E tudo seria feito em nome do socialismo. Yakovlev jactou-se: “Olhando para o passado, posso dizer orgulhosamente que funcionou.”

Mas funcionou por quanto tempo?

Em março de 2004, escrevendo para o periódico NEPQ, Yakovlev não estava mais orgulhoso. Ele escreveu: “Há uma crise democrática na Rússia de hoje que foi resultado da vitória da Reação Socialista —  foi a contra-revolta da [...] classe burocrática contra a democratização e liberalização da última década”. O primeiro passo rumo ao abismo, disse ele, foi “o retorno do hino nacional estalinista, que me deixou atordoado. E o país começou a cantá-lo. Esse tipo de ultraje contra nossa memória demonstrou que ainda somos escravos...”

Ele também afirmou:

De novo começaram os jogos favoritos dos bolcheviques. O sigiloso é usado como método de intimidação. Os livros de história são atacados pela ausência de ‘espírito patriótico’. Uma nova turma de sicofantas está começando a entronar um novo ídolo no Kremlin; isso me lembra os detestáveis retratos dos terroristas Lênin e Stálin nos encarando em todos os cantos da velha União Soviética. É vergonhoso e perturbador.

Sim, o cordeiro retornou ao curral soviético, voltou àquelas mesmas “teorias e planos” que Yakovlev tempos atrás considerou disparatadas. A diferença é que agora deixaram de lado a ideologia. O que manteve-se foram os velhos planos estratégicos. Como alertou ano passado o mártir da política liberal, Boris Nemtsov, os dados orçamentários da Rússia mostram que Putin tem se preparado intensivamente para a guerra desde 2010. De acordo com Nemtsov, a guerra tem sido “política deliberada pela mais alta autoridade” da Rússia. Mas como isso poderia acontecer se o alto escalão da inteligência russa havia rejeitado tempos atrás as “teorias e planos” do período soviético? Se apenas pessoas estúpidas acreditaram nesses planos disparatados, então como poderia a Rússia retornar a eles? Aliás, será que a elite do Partido — a verdadeira elite — alguma vez abandonou esses planos? Talvez Gorbachev tenha trazido o cripto-liberal Yakovlev de volta do Canadá por uma razão cínica: não porque Gorbachev concordava com o ódio que Yakovlev tinha pelo socialismo, mas porque Gorbachev estava recrutando liberais para ocuparem posições de destaque para que assim se pudesse “enganar o Ocidente” — expressão usada pela jornalista investigativa Yevgenia Albats para caracterizar as mudanças na Rússia e União Soviética sob Gorbachev.

Como observado pelo dissidente russo e estudioso Vladimir Bukovsky em entrevista dada a Robert Buchar, Gorbachev estava seguindo um plano concebido anos antes, que tinha como fim salvar o comunismo através de uma liberalização controlada. Quando foi repreendido por dificuldades que sobrevieram após a execução do seu plano, Gorbachev disse aos seus colegas que não era culpa sua. E como poderia ser? Ele estava apenas seguindo os mais de duzentos documentos que delineavam passos que já estavam planeados antecipadamente.

Neste caso, Yakovlev foi usado?

Essa possibilidade não deve ser descartada. Como um anticomunista dentro do Partido Comunista Soviético, Yakovlev desfilou para as câmeras e jornalistas ocidentais. Assim como a mulher barbada ou o contorcionista de circo, ele era um produto altamente vendável. Por muitos anos mantiveram-no em gelo canadense e próximo de alguém de temperamento parecido (Trudeau), como se estivesse esperando para ser usado. Para persuadir o mundo que Gorbachev falava sério quanto a democratização da Rússia, Yakovlev desempenhou papel decisivo — autêntico em toda linha! Então, eventualmente, ele foi despromovido no Politburo, depois alijado de lá em 1990 e, em 1991 foi expulso do Partido Comunista dois dias antes do golpe de agosto que destruiu a credibilidade política do Partido. Yakovlev havia cumprido seu propósito.

Parecia que, em todos os escritos e afirmações, Yakovlev era anticomunista. Mas não podemos deixar de pensar na sua figura controversa. No 28º Congresso do Partido Comunista da União Soviética em julho de 1990, o Gen. Lebed confrontou Yakovlev de maneira a trazer a questão à tona: “Alexander Nicholaevich, quantas faces você tem?” Yakovlev ignorou a pergunta, que foi indubitavelmente perturbadora. Como ele iria respondê-la? Como tantos membros do aparato soviético, ele estava promovendo proposições anti-soviéticas desde dentro do Politburo. Como isso seria compreensível?

Obviamente, um verdadeiro marxista não poderia fingir odiar o marxismo da maneira que Yakovlev “fingia”. Isso estava além das capacidades artísticas de Gorbachev — que parecia estar privadamente excitado pela intrigante apostasia de Yakovlev, mas jamais poderia ele mesmo falar como um verdadeiro anticomunista. Certamente deve-se admitir que Yakovlev queria matar a ideologia soviética, e algo dentro dele gostava de fazer isso. Talvez os demais seguiram o plano por ser mais uma jogada bolchevique; exceto pelo fato de que esse jogo foi longe demais. Talvez, nesse caso, aqueles mesmos cínicos inveterados não tinham escolha, pois a maré política estava baixando. O legado estalinista tinha de ser apagado. O Ocidente tinha de ser enganado para que o tigre soviético mudasse suas tiras ideológicas.

Num nível psicológico mais profundo, uma pessoa como Yakovlev não é tão difícil de entender. No final das contas, ele foi possível por causa do ódio subjacente que Khrushchev tinha por Stálin. Yakovlev foi a extensão de uma inevitável atitude de remorso (inconscientemente sentida por muitos ‘outrora’ comunistas soviéticos). Por fora, Yakovlev era um diretor do aparato ideológico soviético que passou a odiar a ideologia comunista. Ele odiava aquela linguagem pouco clara e forçada que tinham os discursos previsíveis. Assim, ele estava perfeitamente adequado ao papel que desempenhou como ajudante de Gorbachev. Pode-se dizer, e eu acho correto, que ele ajudou a enterrar o marxismo-leninismo na Rússia (embora Lênin ainda esteja desenterrado). Mesmo porque, a ideologia já estava morta antes do corpo de Brezhnev esfriar — ou melhor, já estava morta há muito tempo. Mas a ideologia marxista não estava morta no Ocidente, e isso não podemos esquecer. O Ocidente estava incrivelmente vulnerável ao marxismo que, segundo Mao, era “melhor que a bomba atômica”. Os ocidentais, como Alain Badiou, que tentaram reconstruir o comunismo e reinterpretar Marx, revelaram suas intenções quando se mostraram antiamericanos e antiocidentais (embora o Ocidente esteja se tornando um bloco socialista por conta própria).  Então é nisso que tudo se reduz: há um desejo de destruir uma civilização, e a partir daí busca-se um fundamento. O fundamento marxista nunca foi mais que uma desculpa. Ademais, foi uma desculpa que deixou de soar verdadeira na Rússia. Mas para levar o Ocidente a cometer suicídio, ela ainda pode servir.

O fundamento do marxismo estava destinado a tornar-se obsoleto, é claro. O socialismo soviético foi um sistema inadequado. A revolução proletária foi um mito, e as pessoas deixaram de acreditar nele. A URSS foi um estado aquartelado que pensava em guerra nuclear. Stálin sabia disso há muito tempo, e sabia o que deveria acontecer para que o sistema sobrevivesse. Sem uma grande guerra, o país eventualmente se normalizaria. Qualquer tentativa de falsa normalização era perigosa, pois abriria caminho para oposição, e isso quebraria a disciplina do Partido.

Sim, a estratégia de longo alcance tornou o sistema vulnerável a pessoas como Yakovlev da mesma maneira que o sistema neo-soviético de Putin ficou vulnerável a infiltrados como Boris Nemtsov. Pessoas que odeiam ditaduras podem vir de qualquer classe, de qualquer posição política. Na Rússia, quem tem melhor perspectiva do sistema que aqueles que aproveitaram dos seus benefícios? A oportunidade de despedaçar a União Soviética num ato de simulada democratização era simplesmente deliciosa. Assim, apesar das melhores intenções leninistas, a missão de Gorbachev de salvar o sistema soviético ao convidar seus críticos estava duplamente condenada, pois num primeiro momento ele deu espaço ao gênio anticomunista, e o sistema não podia mais colocar esse gênio de volta na lâmpada. Seria preciso um homem como Josef Stálin, disposto a perpetrar um genocídio em larga escala, para reinstaurar o marxismo-leninismo. Mas hoje não há mais homens como Josef Stálin. Ele é uma figura única na história, e Putin não parece estar psicologicamente adaptado para esse papel. O moderno mundo das comunicações digitais molda Vladimir Putin, e inconscientemente molda a imagem que ele busca projetar.

O sistema na Rússia de hoje é uma máquina frágil. Não se impressione com os tanques, mísseis e submarinos. É tudo vazio por dentro. Quando olhamos para os leais soldados da KGB que operam essa máquina, vemos funcionários que tomaram os meios de produção, que colocaram os políticos liberais sob mecanismos ocultos de controle. Mais que isso eles não podem fazer, pois não possuem a mentalidade que é rodeada por conceitos mais elevados. Esses siloviki preferem trazer de volta o velho sistema, entretanto eles tiveram de se tornar um tipo diferente de animal para poder sobreviver. Isso mesmo: os melhores dos chekistas tornaram-se homens da NEP; e quem vai mudá-los para o que eram antes? De novo não há como conjurar Josef Stálin, e apenas ele possuía a arte assassina necessária para trazer de volta alguém que está na NEP. Somente Stálin era capaz de assassinar milhões e arranjar um jeito de culpar os outros. Apenas Stálin pôde pacificar a Ucrânia fazendo com que milhões morressem de fome. Hoje Putin está onde Stálin estaria se a NEP de Lênin tivesse durado mais uma década.

Quão tolos foram os burocratas russos ao embarcar numa Nova Política Econômica (NEP) no final da década de 1980 sem ter um plano para voltar atrás. E então, tiveram de fazer a NEP coincidir com uma desestalinização com nova roupagem! Erro após erro, parece em parte obra daqueles homens cínicos do Partido Comunista. Ou será que não foi erro? Poderia haver, inconscientemente e profundamente, um verdadeiro desejo de mudanças por parte desses burocratas? A estratégia de longo alcance foi um caso de auto-engano? Foi esse, na verdade, um caminho criado para escapar de uma obrigação antiga de travar uma Guerra Nuclear Global Revolucionária?

Essas perguntas não podemos responder ainda. A única coisa que podemos nos certificar é que Stálin teria purgado todos eles e começado do zero, com jovens que ainda acreditam no Coelhinho Vermelho da Páscoa. E Stálin teria dado início à Terceira Guerra Mundial. Isso é, com efeito, o que Putin parece estar preparando. Mas ele pode motivar seu povo para esse fim? Ele poderia justificar um atroz ato de agressão em que milhões morreriam? Mesmo que ele use um grupo terrorista de fachada para atacar a América com armas nucleares, ele terá de explorar esse terrorismo de maneira descarada — e daí revelará seus intentos.

Deve-se admitir, claro, que a Federação Russa de hoje não é a URSS. Putin não é Stálin. Seria o caso de dizer que, na verdade, Putin é um perigo diferente. Ele é um matador seletivo que escolhe os verdadeiros oponentes do regime, sem precisar recorrer ao assassinato de milhões de sujeitos indefesos (como fez Stálin). Ao mesmo tempo, Putin tem por trás de si uma mídia dissimulada e uma máquina de guerra muito mais poderosa que a de Stálin. Mas há aí um beco sem saída, pois sem a ideologia comunista não há como justificar o Grande Ato de Maldade. Talvez esse seja o motivo pelo qual Lênin ainda não foi enterrado. Talvez eles tentarão reerguer o velho corpo do ditador, apresentando-o como algo novo e fresco.

Por que a Rússia acabou chegando nessa situação? Por que esse beco sem saída? Pode-se dizer que a estratégia de longo alcance tornou esse cenário inevitável. Considerando a correlação de forças existente no começo da perestroika, o novo tipo “liberal” de político russo jamais poderia prevalecer. Com siloviki cercando-os, muitos usaram as estruturas soviéticas para se enriquecer e reestabelecer um poder soviético sem ideologia soviética. Ao fazer isso eles se dispuseram a acomodar a necessidade de “segurança” dos siloviki. E essa foi a lógica da situação: a ideologia pode ter morrido (pelo menos sua velha forma), mas o plano de longo alcance é mais astuto que a ideologia. Esse plano há muito excitou os generais, além de ter sido patrocinado pela KGB. Ele também se mostrou lucrável para os industrialistas militares. Já com décadas de existência, o plano foi o fetiche dos funcionários sem visão de futuro. Parecia racional, até mesmo científico — superior de todas as maneiras ao marxismo-leninismo. No caso da União Soviética, pode-se argumentar que a estratégia tornou-se ideologia. Mas mesmo assim é um beco sem saída.

Quanto a Yakovlev, jamais se confiou qualquer poder a ele após ter sido expulso do Partido Comunista. Nos anos 1990 ele atuou como o chefe do Partido Russo da Social Democracia que mais tarde tornou-se a União das Forças Direitistas (o partido de Boris Nemtsov). Em 2004 Yakovlev disse que as eleições na Rússia foram “antidemocráticas, pois não ofereciam alternativa, mesmo que formalmente houvessem pretendentes ao posto”. Talvez em desespero, Yakovlev morreu em 18 de outubro de 2005. A União das Forças Direitistas foi dissolvida em 2008 e mais tarde registrada como “organização política pública”.

Quanto a Gorbachev, ele ainda anda por terrenos estranhos. Em seu livro “Meu Manifesto pela Terra” ele fala de desarmamento, justiça global e aquecimento global. “Podemos ver a olhos nus que as mudanças climáticas estão acontecendo na terra”, disse Gorbachev, “e que o número de desastres naturais [...] está aumentando, que muitas espécies de plantas e animais estão morrendo, que a camada de gelo polar está derretendo...” O fato de que o Dia Terra é o mesmo do aniversário de Lênin é mais um dado dentre muitos que indiciam que tipo de arma estão criando, e o livro de Gorbachev nos diz quem é o criador. A organização de Gorbachev, a Cruz Verde Internacional, é parecidíssima com um front comunista. No topo do website da Cruz Verde diz “Inspirando jovens a serem agentes da mudança”.

O programa de Mikhail Gorbachev, desde que ele largou o martelo e a foice em 1991, parece em todos os aspectos com um programa de enganação, subversão e sabotagem que tem como alvo o Ocidente. Sua pose humanitária mascara um desejo de desarmar os Estados Unidos, estabelecer uma redistribuição global socialista e sabotar a economia americana. É seguro dizer que Gorbachev nunca foi um verdadeiro liberal. “Posso repetir aos meus queridos colegas do partido”, disse em 1991 na Bielorrússia, “que jamais, não importa perante qual plateia esteja, terei qualquer vergonha de dizer que sou comunista e estou comprometido com o ideal socialista.”

De todos os prognósticos, talvez a carta de 1843 de Karl Marx a Arnold Ruge foi o mais interessante: “O comunismo é uma abstração dogmática e [...] uma expressão particular do princípio humanista, ainda que esteja contaminado pela sua própria antítese: a propriedade privada”. Talvez uma outra maneira de dizer isso, do ponto de vista da liberdade, é que não há mal sem bem [every cloud has a silver lining]. Mesmo que esse mal seja vermelho [Even a red cloud].

Tradução: Leonildo Trombela Junior