terça-feira, 14 de julho de 2015

ESCLARECIMENTO SOBRE AGRESSÃO


Caros Amigos

Na tarde de 30 de junho, a Dra Beatriz Kicis e eu, ao tentarmos entrar no Anexo II do Congresso Nacional, devidamente credenciados para assistir à sessão plenária que votou a PEC 171 – redução da maioridade penal -, sofremos agressões físicas e morais por parte de um orquestrado grupo de jovens representantes da UNE, contratados e apoiados financeiramente pelo PT e pelo PC do B, que tentavam impedir, de forma truculenta, o acesso dos cidadãos favoráveis à aprovação da PEC ao Plenário da Câmara dos Deputados.

O nível da agressão foi crescente, na medida em que buscávamos fazer valer nosso direto, chegando ao seu clímax no instante em que os manifestantes tentaram nos arrancar das mãos as credenciais.

Neste momento, em meio à gritaria, às ameaças e depois de muitos trancos e empurrões, a Polícia Legislativa resolveu atuar em força contra a turba, e empregou o gás de pimenta que, para meu azar, atingiu-me diretamente o rosto e os olhos, mas, ao mesmo tempo, criou espaço para que nos livrássemos dos arruaceiros.

Já dentro do CN, tentando aliviar o efeito vesicante do gás, tentei limpar o rosto com um pano que me foi oferecido, como havia tinta no pano, acabei ficando com a mancha que, nas fotografias e no vídeo que estão circulando no Facebook, faz parecer um hematoma.

Só me dei conta de que estava aparentando estar ferido, quando me deram um pano limpo para passar no rosto.

Assim, amigos, esclareço, para bem da verdade, que, embora tenhamos sido violentamente agredidos, não me restou qualquer sequela física, como fazem parecer as imagens feitas após o lamentável episódio.

Colho o ensejo para agradecer o apoio e a solidariedade de todos os que se têm manifestado e, como eu, repudiado aquela demonstração prática do entendimento que os comunistas têm do que seja opinião, direito, liberdade e democracia!


Obrigado a todos!

segunda-feira, 13 de julho de 2015

O Estado e a Razão

Por Olavo de Carvalho

Mesmo aqueles que desejariam ardentemente diminuir os poderes do Estado não vêem outra maneira de fazê-lo senão por meio do próprio Estado, e suas belas intenções acabam sendo trituradas pela máquina da racionalidade estatal.

Toda idéia que se condensa num chavão torna-se imediatamente estúpida, se é que já não o era desde o início e por isso mesmo se acomoda tão confortávelmente nesse formato. Há anos ouço falar de “enxugar o Estado”. À primeira vista parece a resposta lógica natural à constatação de que de que os problemas do Brasil provêm de a sociedade civil ser muito débil e o Estado muito forte – tão forte que consegue subjugar as organizações da sociedade civil. O PT jamais teria conseguido concentrar tanto poder sem a ajuda da OAB, da CNBB e de milhares de ONGs que, nascidas da iniciativa social espontânea, acabaram se transformando numa espécie de funcionalismo público informal. O sujeito vê isso acontecendo e exclama: “Enxugar o Estado!”

Parece sensato, mas há um problema: Quem enxugará o Estado? O próprio Estado. Enxuga-se privatizando. E, na medida em que privatiza, cria uma rede de cumplicidades privadas que estenderão o poder do Estado – agora anônimo, informal e quase invisível – até os últimos confins da vida social. Tudo converge no sentido da constante histórica descrita por Bertrand de Jouvenel no seu clássico Du Pouvoir: Histoire Naturelle de Sa Croissance: Haja o que houver, façam os seus inimigos o que fizerem, o poder do Estado sempre cresce. Cresce quando centraliza, cresce quando se divide e se dispersa, cresce quando faz e quando desfaz, cresce agindo e cresce dormindo.  

As análises liberais correntes que repetem ad nauseam o grito de alerta de José Ortega y Gasset, “El mayor peligro, el Estado!” estão certíssimas, no essencial, mas pecam por imaginar que o poder crescente do Estado se baseia sobretudo em mecanismos materiais de controle, como o monopólio da força física ou da economia.

A grande força do Estado moderno não está nisso, mas em algo que Hegel percebeu melhor do que ninguém: o Estado é a mais vasta e complexa criação da inteligência humana, a encarnação suprema da Razão. Comparado à organização estatal, mesmo o conjunto das ciências existentes não passa de uma mixórdia de teorias contrapostas, grupelhos em disputa e preferências irracionais. Cada ciência pode ser muito racional no seu próprio terreno, mas não existe nem pode existir uma articulação teórica integral, uma organização interna e científica do conjunto das ciências. O único princípio unificador desse conjunto é de ordem administrativa e burocrática. É o Estado. Tanto que uma teoria científica, por mais cientistas que a endossem, só adquire a autoridade pública de uma verdade universalmente reconhecida quando vem a ser absorvida pelo Estado e incorporada na legislação. Acima da comunidade científica, acima da “opinião pública” mais letrada que se possa imaginar, o Estado é o juiz supremo e final de todos os conhecimentos humanos.

Contra uma entidade assim constituída, em vão esperneará o economista argumentando que a economia liberal é mais eficiente do que uma economia estatizada. Pois a economia não passa de uma ciência entre outras, e nenhuma ciência poderá jamais se sobrepor ao conjunto de todas elas, no topo do qual brilha a Razão encarnada no Estado.

O Estado torna-se assim o juiz último de todas as questões humanas, e não somente daquelas assinaladas no definição jurídico-formal da sua “área de competência”.

A conseqüência prática é que mesmo aqueles que desejariam ardentemente diminuir os poderes do Estado não vêem outra maneira de fazê-lo senão por meio do próprio Estado, e suas belas intenções acabam sendo trituradas pela máquina da racionalidade estatal.

Agora mesmo, no Brasil, quando tantos se queixam do Estado comunopetista invasivo e onipotente, não enxergam outra maneira de livrar-se dele senão pela disputa parlamentar e judicial, pela reforma das leis e instituições e, em suma, pela ação dentro do Estado.

Com isso, a sociedade civil torna-se ainda mais fraca, mais incapaz de organizar-se e agir. Esse círculo vicioso não não será quebrado enquanto o monopólio estatal da razão não for desmascarado. Como fazer isso, é tema que ficará para um artigo vindouro.

Publicado no Diário do Comércio.



Frases da semana

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Tremendas doenças infecciosas estão entrando pela nossa fronteira. Os Estados Unidos se tornaram o aterro sanitário para o México e, na verdade, para muitas partes do mundo.
— Donald Trump, dominando a arte do multitasking — xenofobia, mistificação e deselegância — dias depois de dizer que imigrantes mexicanos são ‘estupradores’.

Baixou um Guido Mantega em Joaquim Levy. Possuído, o atual ministro da Fazenda não pôde impedir que um morto-vivo do primeiro mandato de Dilma se levantasse.
— Ana Estela de Sousa Pinto, sobre o Programa de Proteção ao Emprego lançado pelo Governo, que contém subsídios seletivos e contabilidade opaca, na Folha.

Querendo ou não, o Eletrolão vai explodir. O pininho da granada já foi puxado.
— Joice Hasselmann, na TVEJA.

O PT não só contaminou o Estado como parasita causador da doença como, agora, tenta debelar a doença com os remédios errados. Criaram a doença e agora estão querendo matar o doente.
— Geraldo Alckmin na Convenção do PSDB.

Se eu não quiser falar de que tipo [de medida] eu não falo, tenho técnica para isto. Treino.
— Dilma Rousseff, referindo-se aos interrogatórios militares em entrevista com a Folha.

É chocante que [Dilma] compare uma pergunta benigna de um jornalista à sua interrogração por torturadores militares. Ao banalizar abusos da ditadura, reciclando-os como amuleto contra as críticas, Dilma também presta um desserviço a outros que sofreram tortura.
— Alex Cuadros, jornalista, no Twitter.

Eu não vou cair. Eu não vou, eu não vou. Isso aí é moleza, é luta política.
— Dilma Rousseff, em 7 de julho.

Dilma Rousseff vai acabar esta legislatura.
— A própria, na terceira pessoa, em 9 de julho.

[Há] coisas que escolhemos esquecer na hora de formar uma sociedade ou construir um relacionamento. Não existe relação humana possível que não tenha gigantes enterrados no quintal.
— Kazuo Ishiguro, sobre seu novo livro, ‘O Gigante Enterrado’, na Folha.
BOOPO TRUMP

Dívida do Tesouro com o BANCO DO BRASIL chega a R$ 16,4 bilhões


É o valor da dívida do governo Dilma só com o 
Banco do Brasil. Foto Estadão (conteúdo)
A dívida pendurada pelo Tesouro Nacional no Banco do Brasil cresceu 1.692% em dez anos, em termos nominais. Entre o fim de 2005 e o primeiro trimestre de 2015, o total devido pelo Tesouro ao BB saiu de R$ 919,6 milhões para os atuais R$ 16,4 bilhões. Apenas no governo Dilma Rousseff, que começou em janeiro de 2011, o avanço desse passivo foi de 182%.

Essa forma de "pedalada fiscal" já foi condenada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que, em julgamento realizado em abril, decidiu que o governo federal deveria acertar todos os seus passivos com bancos públicos. Além do BB, o Tesouro também mantém dívidas com o BNDES. O governo entrou com um recurso no TCU, alegando que há prazos para esses pagamentos serem realizados.

São três modalidades de dívida do Tesouro inscritas nos balanços do BB, segundo o economista Ebenézer Nascimento, que fez levantamento com os balanços anuais do BB de 2005 ao início de 2014. O estudo foi atualizado pelo Estado com os dados de 2015. As modalidades são o "alongamento" do crédito rural, subsídios agrícolas e créditos a receber do Tesouro.

As maiores dívidas do Tesouro com o BB estão concentradas na modalidade de equalização de taxas agrícolas. Essa é a forma como é chamado o gasto do governo com subsídios. O BB toma recursos no Tesouro a um custo mais elevado do que aquele que ele cobra dos tomadores de crédito agrícola subsidiado. Para cobrir essa diferença entre taxas, o Tesouro deve pagar ao banco uma "equalização". A mesma operação ocorre na relação entre o Tesouro e o BNDES no Programa de Sustentação do Investimento (PSI), criado em 2009 para estimular investimentos.

No caso do PSI, o governo federal está "despedalando", afirma o analista de finanças públicas Fábio Klein, economista da Tendências Consultoria. Segundo dados levantados por Klein, o governo pagou R$ 2,12 bilhões ao BNDES pela equalização de juros do PSI entre janeiro e maio deste ano. No mesmo período do ano passado o governo pagou somente R$ 54 milhões.

"Já com o BB, o saldo em descoberto aumentou, porque o volume de operações de crédito rural do BB saltou muito nos últimos anos. Mas ter R$ 16 bilhões em dívidas do Tesouro não é bom para o banco, que poderia usar o dinheiro para outro fim. O Tesouro, por outro lado, melhora seu quadro fiscal dessa forma", disse Klein.

O Banco do Brasil afirmou, por meio de nota, que a equalização de juros com operações de crédito rural é regulamentada pela Lei 8.427 e por portarias do Ministério da Fazenda. "O valor da equalização é atualizado pela taxa Selic desde a sua apuração, que ocorre de acordo com a respectiva portaria, até o pagamento pelo Tesouro, que é realizado segundo programação orçamentária daquele órgão. A atualização pela Selic preserva a adequada remuneração ao banco e contribui para a evolução do saldo", disse o BB.

O BB justificou o aumento da dívida do Tesouro com o salto no crédito agrícola subsidiado. No Plano Safra de 2004/2005, os desembolsos do BB foram de R$ 25,8 bilhões - já no plano 2014/2015, o volume chegou a R$ 73,3 bilhões. "Consequentemente, aumentou o volume de recursos equalizáveis."

Segundo Nascimento, economista aposentado pelo BB, não há "lógica" para o banco "manter esse passivo aplicado a um rendimento qualquer, mesmo sendo a Selic". Segundo ele, "ao manter-se inadimplente para com o banco, o Tesouro mostra estar insensível ao problema que está sendo causado".

Por meio de nota, o Tesouro informou que o pagamento dos subsídios agrícolas "observa as regras vigentes e a programação financeira, de modo que nesse exercício já foi pago cerca de R$ 1,4 bilhão". O Tesouro informou que o pagamento dos valores "será oportunamente tratado, conforme vier a se pronunciar o TCU, após apreciação do recurso submetido pela União àquela corte". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Pare de acreditar no Governo & O que é Conservadorismo



Bruno Garschagen acabou de lançar um livro pela Editora Record, intitulado Pare de Acreditar em Governo. Esse é o livro que eu gostaria de ter escrito, pois venho dizendo isso há anos. Bruno sistematizou nele suas ideias e é sobre elas que vamos conversar.

CPI da Petrobras: Convocar Cardozo para poupar Dirceu é colocar o mensaleiro na ala VIP do Petrolão


jose_dirceu_42Fio trocado – A decisão do Partido dos Trabalhadores de evitar que o mensaleiro José Dirceu fosse chamado a depor na CPI da Petrobras, colocando em seu lugar o ministro José Eduardo Martins Cardozo (Justiça), é o que se pode chamar de tiro no pé. A ideia inicial era evitar o alastramento da crise que derrete a legenda, mas a manobra, que teve direito a declarações emocionadas do relator da comissão, deputado federal Luiz Sérgio (PT-RJ), serviu apenas para colocar Dirceu em posição de destaque no cerne do Petrolão, já que o ex-chefe da Casa Civil é alvo de investigações no âmbito da Operação Lava-Jato.

José Dirceu é acusado de usar sua empresa de consultoria para mascarar o recebimento de propinas provenientes do esquema criminoso que durante uma década funcionou na Petrobras, mas poupá-lo neste momento crucial pode ser prejudicial ao governo de Dilma Rousseff, que abandonou o ex-comissário palaciano desde a Ação Penal 470 (Mensalão do PT), assim como fez o ex-presidente e agora lobista de empreiteira Luiz Inácio da Silva. Com Dirceu no olho do furacão da Lava-Jato, cresce a possibilidade de vazamento de informações até então desconhecidas acerca do esquema de corrupção. Até porque, o ex-ministro já deu sinais de que não arcará sozinho com essa fatura.

No momento em que o clima de “salve-se quem puder” toma conta do núcleo petista, ter José Dirceu fora de controle é uma ameaça considerável, principalmente diante da iminência de um pedido de prisão por parte do juiz da Lava-Jato. Tanto é assim, que Lula começa a se preocupar não apenas com o desmonte do partido, mas com a possibilidade cada vez maior de ser arrastado de vez para o centro do escândalo. O que faria com que o PT implodisse, levando ao ralo um projeto totalitarista de poder, cujo objetivo primeiro e maior é transformar o Brasil em uma versão agigantada e moderada da vizinha e combalida Venezuela.

A convocação de Cardozo será um péssimo negócio para o governo, a depender da postura da chamada base aliada na CPI da Petrobras. Sempre lembrando que a bancada do PMDB na Câmara dos Deputados, onde tramita a CPI, está cada vez mais distante do governo e do próprio PT. Isso significa que o ministro da Justiça enfrentará uma comissão com ânimos exaltados, principalmente porque Eduardo Cunha, presidente da Câmara, e Renan Calheiros, presidente do Senado, acreditam que seus nomes foram incluídos na lista do procurador-geral da República a mando do Palácio do Planalto.

No caso de tentar explicar o imbróglio dos grampos instalados na cela em que encontra-se preso o doleiro Alberto Youssef, na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, Cardozo poderá levar mais problemas para o governo, que há muito perdeu o controle do País e dos aliados. O episódio pé um caso clássico de violação da lei por parte de um governo que acredita ser a PF um apêndice do Palácio do Planalto, quando na verdade é uma polícia de Estado, cuja missão é combater crimes no âmbito federal.

A escuta ilegal instalada na cela de Youssef é prova de que desde os primeiros dias após a deflagração da Operação Lava-Jato o PT e o governo estavam preocupados com os desdobramentos do escândalo, que, como afirmou o UCHO.INFO em diversas ocasiões, atingir o núcleo palaciano e do partido era uma questão de tempo. Esse temor oficial explica as muitas incursões criminosas contra o UCHO.INFO e seu editor, assim como seus familiares, pelo simples fato de o site ter sido um dos responsáveis pela denúncia que culminou com a Operação Lava-Jato. A exemplo do que temos noticiado de forma reiterada, que os ousados que tentam nos intimidar desistam de suas ações, pois nosso compromisso é com o Brasil e os brasileiros. Sem contar que nosso estoque de denúncias e escândalos é explosivo e grande.


Voltando ao depoimento de José Eduardo Cardozo, o ministro poderia aproveitar a oportunidade e falar sobre a “companheira” Erenice Guerra, que longe dos holofotes continua operando nos bastidores do poder com a desenvoltura de sempre. Aliás, Cardozo, como advogado que é, sabe detalhes interessantes acerca da defesa de Erenice.

A Esquerda e os Artistas

Por Bruna Luiza

O que Leandra Leal, Emicida, Marieta Severo, Gregório Duvivier, Bruno Gagliasso, Tico Santa Cruz e Pitty têm em comum? Todos eles são celebridades que aparecem na mídia de modo recorrente, mas que acabam chamando mais a atenção por suas opiniões polêmicas do que por suas atividades artísticas. Nenhum destes personagens dedicou seu tempo a estudos sérios e sistemáticos de ciência política, economia, e filosofia. Então, por que se aventuram em comentários de cunho político? E por que têm respaldo de acadêmicos e escritores brasileiros? Para entender o fenômeno dos artistas que posam de autoridades políticas, precisamos entender algumas questões sobre o cenário em que estes artistas estão inseridos

Toda sociedade possui uma elite, que é formadora de opinião. Não falo aqui da elite detentora do poder, como faz Mosca, ou da elite burguesa dona dos meios de produção, como faz Marx. Quero descarregar o termo elite da pesada carga de preconceitos que têm sido a ele incutidos. Não pensemos, então, em elite como classe rica, dominadora, doutrinadora e malvada.

Deixando o maquiavelismo de lado, quero falar de elite dentro da constatação cotidiana de que todo grupo possui líderes naturais. São esses líderes que compõem a elite a que me refiro, e são eles que guiam o povo, são os formadores de opinião. Em uma sociedade sadia, a elite é composta por intelectuais, pessoas que dedicam sua vida aos estudos, buscam incansavelmente a verdade, e trazem conquistas reais para a vida e o conhecimento humanos. Esse conceito pode não fazer muito sentido, no entanto, se tentarmos entendê-lo com base na sociedade brasileira, pois nossa elite se compõe de pseudo-intelectuais, cuja inteligência não é medida pelo conhecimento mas sim através de diplomas, cargos e hierarquias. Há muito perdemos a elite intelectual para o método socioconstrutivista¹, e, dos anos 70 até hoje, uma mudança cultural tremenda se deu naqueles que formam (ou deveriam formar) nossa elite intelectual.

Essa mudança cultural, que gerou a cultura relativista, começou durante o governo militar. Apesar de combater movimentos guerrilheiros, o regime militar não possuía estratégias morais e culturais. Conforme a teoria do General Golbery do Couto e Silva, era preciso deixar alguns pontos como válvula de escape da população, pequenas brechas que foram mantidas para evitar revoltas. A principal brecha foi o ambiente universitário, onde as idéias de Antonio Gramsci, e outros autores da Escola de Frankfurt, foram difundidas sem pudor. Gramsci é adepto do chamado marxismo cultural, e suas idéias são justamente as de relativismo, socioconstrutivismo, revolução cultural, e tomada do poder através da infiltração das instituições.² Foi assim que os intelectuais brasileiros se formaram, desde meados dos anos 70 até hoje: num ambiente universitário que ensina a desconstrução dos valores ocidentais. De modo natural, a massa seguiu a elite, aderindo à metodologia socioconstrutivista de análise da realidade.

É por isso que o atual cenário político brasileiro, contaminado por esse relativismo socioconstrutivista, é palco da destruição dos valores morais e estéticos, e de uma crescente desvalorização do conceito de verdade. Nesse ambiente que não preza pela verdade, utiliza-se como método de aferição da (pseudo) intelectualidade os diplomas, os cargos, dentre outras honrarias vazias.

Temos, então, um breve diagnóstico de nossa realidade: nossa elite intelectual não preza pela verdade, quer desconstruir valores que sempre foram inerentes à cultura brasileira, e valorizam-se diplomas mais do que realizações concretas. Todos somos afetados por essa cultura, e não há como isolar disso a camada da elite intelectual. Este mal pode afetar de modos e em graus diferentes cada indivíduo, mas é inegável que afeta, de alguma maneira, a todos nós.

Mas a população tem certa sabedoria inerente, herdada através dos costumes e do senso comum de seus antepassados. Não se convence com argumentos puristas, relativistas, sem substância. Seja incapacidade de fazer abstrações profundas quando tem coisas mais rasas, e verdadeiras, para se preocupar – como o filho com fome, a falta de segurança, e os 60 mil homicídios por ano – ou por simplesmente não querer se desprender dos pêndulos morais de certo e errado, o povo não adere ao esquerdismo como os pseudo-intelectuais gostariam. É aí que entram os artistas.

Podemos identificar claramente a distinção entre a classe de intelectuais e artistas, numa sociedade normal. A classe de artistas (famosos e celebridades, em geral) é reconhecida por seu trabalho em um campo específico. Um bom cantor, por exemplo, é reconhecido pela sua voz e músicas que interpreta; uma boa atriz é reconhecida por sua atuação, e assim por diante. Os intelectuais, por outro lado, são uma classe separada, composta por pessoas que não se importam necessariamente com a exposição e fama, mas sim com o estudo e produção de conteúdo que analise e diagnostique a sociedade, para ajudá-la a lidar com seus problemas sociais, políticos, econômicos, e etc. As coisas são assim num país onde há ordem e uma cultura mínima: o artista não tenta se passar por teórico, e o intelectual não almeja a fama.

Um verdadeiro intelectual, portanto, antes de pensar na beleza puramente estética de seu livro, preocupar-se-á com o conteúdo e idéias nele contidos. O intelectual pode desejar reconhecimento da relevância de seu trabalho por seus pares³, mas nisso temos a fama como meio de difusão da teoria, e não como fim do trabalho em si mesmo. Assim, o intelectual quer ser referência em sua área de estudo através da produção de impactos positivos nos indivíduos que tiverem interesse naquele campo.

Mas onde não há verdadeiros intelectuais, onde cultuam-se diplomas em vez da inteligência, não há referências que sirvam de real exemplo à população. O intelectual de verdade cativa, pois tem ao seu lado a verdade. Ele inspira, e faz com que desejemos alcançar seu conhecimento. E, acima de tudo, ele não está desconectado à realidade e entende que a experiência da humanidade e o legado que recebeu da multidão de sábios que o precederam valem mais do que suas idéias e ideais abstratos. Ele, em suma, respeita a experiência humana. Numa sociedade onde tal exemplo não existe, cria-se um vácuo. Como não há pessoas que trazem aspirações de busca da intelectualidade sadia e do conhecimento, o vácuo é ocupado por quem aparece, por quem se expõe, por quem diz ter as respostas. E é aí que entram os artistas.

Os pseudo-intelectuais brasileiros não conseguem convencer a população, pois sequer acreditam em verdade. Então usam artistas, que não possuem preparo nem arcabouço para opinar em questões político-sociais, mas que de certo modo trazem familiaridade e carisma às idéias que apresentam. É por isso que vemos cotidianamente figuras como Leandra Leal defendendo traficantes, Emicida defendendo ódio racial, Gregório Duvivier criticando a religião, e assim por diante. Tais artistas fogem do que lhes compete, para não simplesmente opinar sobre política, mas para formar opiniões, mesmo sem preparo algum para isso. Recebem respaldo da academia, recebem dinheiro do governo graças à Lei Rouanet, e promovem um relativismo doente, que mina as bases de nossa sociedade.

“No Brasil temos um número assombroso de pessoas que trabalham em atividades culturais, escritores, professores, artistas, em geral subvencionados pelo governo, mas que nem de longe pensam em cumprir as obrigações elementares da vida intelectual; tudo o que fazem é apoiar-se uns aos outros num discurso coletivo, reafirmar as mesmas crenças de origem puramente egoísta e subjetivista, expressar desejos e preconceitos coletivos e pessoais, promover a moda. Essas pessoas vivem reclamando de que neste país há poucas verbas para a cultura. Mas, para fazer isso que elas chamam de cultura, já recebem muito mais dinheiro do que merecem.” Olavo de Carvalho

Todos temos direito de opinar livremente sobre o assunto que bem entendermos, mas artistas devem ter bom senso e responsabilidade para reconhecer que sua exposição deve ser utilizada para promover aquilo em que de fato têm conhecimentos suficientes para formar opinião (artes, música, teatro, etc.), e não para doutrinar a população.

Para ilustrar, confira abaixo cinco exemplos de situações em que artistas falaram do que não sabem, e fizeram muito, muito feio.

1. Leandra Leal e os “pequenos varejistas da droga”
Durante a votação da redução da maioridade para quem comete crimes hediondos, a atriz Leandra Leal chamou Eduardo Cunha de ditador e golpista. A atriz alertou sobre o fato de que crime hediondo incluiria os “pequenos varejistas da droga” — também conhecidos como traficantes — que, na opinião de Leandra, não devem ser presos. Ela também fez apelos de que o STF anulasse a decisão da Câmara. Será que Leandra sequer leu nossa Constituição e o o regimento interno da câmara dos deputados antes de pedir a anulação ao STF?
 
2. Emicida socializa os sonhos, mas não as roupas de sua grife
O rapper Emicida tem feito vários comentários polêmicos, e lançou recentemente um clipe com clara alusão ao ódio racial, onde brancos são representados como ricos, opressores e ruins. Mas apesar do discurso socialista, Emicida possui uma grife, localizada em bairro nobre, e com preços nada acessíveis.
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3. Marieta Severo está otimista
Marieta Severo foi questionada por Faustão no programa do dia 28 de junho sobre a situação política e social do Brasil. Faustão falou em “país da desesperança”, e Marieta retrucou dizendo: “eu sou, sempre, otimista. Não acho que nós sejamos o país da desesperança, não. Eu acho que o país caminhou muito nesses últimos anos. Nós estamos em uma crise, sim, temos que ter uma atenção muito grande para sair dela.” Mas logo depois foram descobertos milhões de motivos para a atriz estar otimista nos patrocínios que o governo dá à sua peça.
 
4. Gregório Duvivier, teólogo e articulador político
Não bastasse a atuação e roteiro vergonhosos de Duvivier no canal Porta dos Fundos, com histórias que distorcem o cristianismo, ou simplesmente ofendem cristãos, na última eleição Duvivier resolveu atacar de articulador político. É comum ver artistas se posicionando em período de eleição, fazendo campanha para seus candidatos, mas Duvivier não se contentou em fazer campanha. O ator participou de eventos e chegou a publicar poeminhas na Folha de São Paulo para promover sua candidata.
 
5. Bruno Gagliasso chora por causa de baixa audiência de Babilônia
Ao receber o prêmio Contigo! pela atuação na minissérie Dupla Identidade, Bruno Gagliasso reclamou da baixa audiência de Babilônia e chorou dizendo que era ator para mudar e transformar a realidade. Por fim, Bruno  ameaçou deixar de atuar por causa da péssima receptividade do público à trama que envolve prostituição e homossexualismo. “Quero continuar tendo orgulho do que eu faço, senão vou parar de fazer”, disse o ator.
Bruno Gagliasso chora durante premiação no Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro

Fonte: Reaçonaria

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¹ Para entender melhor, leia: 
http://www.olavodecarvalho.org/semana/121030dc.html
² Para entender melhor, leia: 
http://garotasdireitas.blogspot.com.br/2013/07/marxismo-cultural-raiz-do-problema-da.html
³ É importante aqui assinalar que os pares devem estar igualmente engajados na busca pela verdade, na construção do conhecimento, e não em superficialidades frívolas expressas em títulos. No Brasil não há classe intelectual per se, e os acadêmicos (que emulam o papel de tal classe) têm, na verdade, muita inveja e desprezo pelo par que produz algo de significante. Desse modo, o ambiente acadêmico brasileiro não estimula a intelectualidade, antes reprova a ampliação do raio de alcance das teorias que não correspondam aos diversos tons de esquerdismo já conhecidos e firmados.


domingo, 12 de julho de 2015

O recado de Dilma para Lula


Sites GOVERNISTAS já lutam intensamente para evitar o quase inevitável. Em desespero “garimpam” qualquer discurso de magistrado em favor de DILMA


Sites governistas lutam contra a queda.
É indubitável que Dilma está completamente isolada e não possui mais maioria no Congresso Nacional, são perdas em cima de perdas. A última foi ontem na questão do reajuste dos aposentados, que o governo não quer vincular ao do salário mínimo. A presidente esqueceu todas as promessas de campanha e quer agora é salvar seu governo.

O 247 usa como manchete dessa quinta-feira uma frase “pinçada” do ex-ministro do STF, Marco Aurélio Mello, que é primo de Fernando Collor de Mello, que o indicou para o Supremo Tribunal Federal.

O site chapa branca diz que o magistrado “decidiu se insurgir contra o golpismo”. Mas, na verdade a coisa não é bem assim. Como sempre, a esquerda só escreve e interpreta da maneira que lhe convém.

Marco Aurélio diz realmente que o IMPEACHMENT não faria bem ao país.  É racional acreditar que o ex-ministro diz isso no sentido de que um processo dessa monta geraria conseqüências como possíveis conflitos sociais causados por militantes radicais, mais descrédito e decepção do brasileiro em relação a classe política e a própria perda de confiabilidade do investidor estrangeiro. Contudo, em nenhum momento o magistrado disse que considera Dilma inimputável.

Realmente, arrancar um câncer pode gerar muita dor e sofrimento em um primeiro momento, a cirurgia pode ser dolorosa. Mas, todos concordamos que a qualidade de vida vai melhorar após algum tempo. Por isso, é justo considerar também que a manutenção de um governo corrupto, ou que fez vista grossa à corrupção, gera também conseqüências até piores e certamente mais duradouras ao país.

Uma visão mais completa do que o ministro pensa pode ser vista em entrevista recente ao Correio Brasiliense, onde o mesmo declarou que considera Dilma honesta, mas que duvida que ela não teve conhecimento do que ocorreu. Portanto, em outras palavras, o magistrado considera Dilma responsável, já que ocupa cargo chave.

“Embora a considere honesta, Marco Aurélio duvida que negociatas e desvios de recursos da Petrobras tenham ocorrido sem um conhecimento mínimo da presidente Dilma, que comandou o conselho de administração da empresa hoje envolvida no escândalo.”


Lembramos aqui também que a frase “O criador está arrependido da criatura” é de autoria do magistrado em questão.

O Ministro da 'ampla defesa'



Nosso personagem da semana é considerado um homem forte do governo Dilma. Sabe-se lá o que isso quer dizer. E como não poderia deixar de ser, está enrolado no petrolão. 

CIDADÃOS ANTI-DESARMAMENTO: "Chame a POLÍCIA"



Este vídeo é uma pequena sátira que contrasta os dois lados do debate sobre o desarmamento civil.

Em 2005 foi realizado um referendo que buscava proibir qualquer comercialização de armas de fogo em território nacional, exceto por instituições autorizadas pelo Estado. 63% dos brasileiros votaram “não”, dizendo em alto bom som “queremos armas, queremos nos proteger”. Muitos acreditaram que a vitória levaria à facilidade na aquisição de armas de fogo. Muito pelo contrário, a burocracia estatal tornou inviável para maioria da população a aquisição dos meios para proteger-se. A PL 3.722/12 busca revogar o Estatuto e o vídeo traduzido mostra bem a figura do assaltante, do burocrata e da vítima armada.

“Todo cidadão que, podendo ter armas em casa, se recusa a tê-las, incumbe os outros de morrer no lugar dele para defender sua família se for atacada.” - Olavo de Carvalho.

"Isso não está certo"

Por Paulo Roberto Gotaç

Significado do crucifixo dado por Evo Morales 
ao Papa Francisco
Na sua ânsia  de tentar mudar a face da igreja católica, colocando-a a serviço dos mais necessitados, criticando o consumismo, como expresso na sua encíclica Laudato si, e demonstrando simplicidade e despojamento por todos o países que visita mundo afora, o Papa Francisco é obrigado a ouvir resignado a observação do cocaleiro Evo Morales, através da qual este declara sentir-se feliz e esperançoso ao receber Sua Santidade depois de "momentos na História em que a Igreja foi obrigada a subjugar  e oprimir ", referindo-se àqueles mesmos acontecimentos pelos quais o Papa recorrentemente se desculpa, numa especie de "meu passado me condena".

Mas nada se compara à surpresa estampada em seu semblante quando foi presenteado por Evo, que na ocasião exibia um certo sorriso maroto, com um estranho e assimétrico crucifixo com a desnecessária forma da foice e do martelo, simbolo do comunismo.

"Isso não está certo"(sic).

Assim reagiu o Papa Francisco, segundo tradução divulgada  pela provedora de notícias relacionadas ao catolicismo, Catholic News Agency (CNA), ao desconforto gerado pelo inusitado presente, embora não se tenha esquivado de recebê-lo.

Não há dúvida que, com esta polêmica oferenda, o presidente boliviano roubou a cena e esvaziou a importância da visita do sumo pontífice, mudando o foco do evento principal para uma pirueta política da qual foi o maior beneficiário, no contexto de uma disputa conflituosa entre seu governo e as autoridades eclesiásticas de seu país que teve seu  auge mais ou menos na metade da última década.

Isso está certo, Sr . Evo?


Fonte: Alerta Total


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Paulo Roberto Gotaç é Capitão de Mar e Guerra, reformado.

Estudo e previsão dos acontecimentos Políticos e Sociais

Por Olavo de Carvalho


“Todo fenômeno é no começo um germe, depois termina por se tornar uma realidade que todo mundo pode constatar. O sábio pensa no longo prazo. Eis por que ele presta muita atenção aos germes. A maioria dos homens tem a visão curta. Espera que o problema se torne evidente, para só então atacá-lo.”

sábado, 11 de julho de 2015

Entrevista de Dilma: ‘É a foto de uma cabeça despovoada de ideias’


SOCIAL-DEMOCRACIA FAVELADA E PAU-DE-ARARA


Desde o trabalhismo de Getúlio Vargas, a partir de 1932, a sociedade brasileira escolheu ser social-democrata. Afinal, todos os países chiques são pelos menos um pouco disso, certo? Por que, então, haveríamos de não ser?

Fizemos a opção pelo well-fare state (dito assim fica mais chique ainda) há 83 anos e jamais renunciamos a ele mesmo sabendo que nunca se viu um país pobre tornar-se rico por implantar um "Estado de bem-estar social". Isso só pode acontecer (se é que pode) naqueles que se tornaram ricos com o capitalismo, conforme constatou, por primeiro, o ex-marxista alemão Eduard Bernstein. Mas não há como recolher, desse modelo de Estado, condições para enriquecer um país pobre. Ao optar pelo Estado benevolente, ao qual todos recorrem em suas necessidades, garantidor de direitos reais e imaginários, provedor inesgotável, inclusive das mais insaciáveis demandas, o Brasil fez e faz, ao contrário, uma opção fundamental pela pobreza.

Jamais criamos ou nos ocupamos seriamente dos pré-requisitos do desenvolvimento: a) educação de qualidade para todos, habilitando a juventude brasileira à realização de suas potencialidades e inserção produtiva na vida social, política e econômica; b) estímulos ao mérito e às manifestações de talento em todas as dimensões do humano; c) saneamento básico e adequada atenção à saúde; d) geração da infraestrutura necessária às atividades produtivas; e) segurança jurídica e respeito ao direito de propriedade; f) rigorosa proteção constitucional do cidadão contra o Estado; g) contenção da máquina pública dentro dos limites da capacidade contributiva da sociedade; h) economia de mercado; e i) um modelo político racional que separe Estado, governo e administração.

Tendo optado pelo Estado provedor-empreendedor, inclusive durante os governos sob orientação militar, o Brasil olha para o horizonte eleitoral de 2018 movido pelas mesmas cismas que orientaram os partidos políticos e o eleitorado em todos os últimos pleitos: nenhum candidato do quadrante liberal-conservador, nenhum de centro, todos do centro-esquerda para a esquerda. A crise em que estamos será a pior conselheira para as eleições por vir. Não faltarão candidatos para receitar ainda mais do mesmo veneno a uma nação enferma. Pretenderão resolver a crise do Estado oferecendo ao eleitor mais e mais Estado. Trarão pás e escavadeiras para aprofundar o buraco.


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Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.

LADEIRA ABAIXO


A Presidente Dilma cambaleia ladeira abaixo, em meio a grande confusão de atos e fatos que complicam sua situação política.

Sem qualquer ponto de apoio que possa ajudá-la a manter o prumo, suas cambalhotas na direção do precipício beiram o dramático. No mesmo pacote mal feito se misturam a inflação ascendente, o desemprego crescente, o desencanto dos eleitores, que lhe deram um segundo mandato há pouco mais de meio ano, os infindáveis escândalos de corrupção, envolvendo empresários, políticos e a outrora sólida Petrobrás, a incompetência administrativa assombrosa, a revolta com a teia de mentiras que foi imposta ao eleitorado e a falta total de apoio por parte de seu partido e de seus parceiros, inclusive de seu guru Lula.

A base de apoio do governo ruiu completamente e todos procuram salvar-se, levando a melhor parte dos destroços.

Tudo bem, Dilma colhe o que plantou.

No entanto, há outros sinais assustadores.

Seus aliados teóricos jogam cascas de banana em seu caminho já escorregadio, votando demagogicamente medidas de gosto popular que completariam a destruição de nossa economia e deixando-lhe a antipática alternativa de apelar para o veto, tentando salvar algo do periclitante, mas imprescindível, ajuste fiscal.

O horizonte é ensombrado pelos vetos que podem ser derrubados e por, no mínimo, três grandes nuvens negras ameaçadoras na esfera judicial: o TCU, na verdade órgão fiscalizador do Legislativo, caminha para rejeitar as contas governamentais de 2014, em consequência das famosas “pedaladas”, artifícios contábeis usados para mascarar os desastres fiscais do desgoverno; o TSE que se inclina a analisar possível abuso do poder econômico e uso de verbas de origem duvidosa nas eleições de 2014; e o STF com atenta observação das investigações da Polícia Federal e do Ministério Público no caso da Operação Lava Jato, que chegam cada vez mais perto do Planalto.

Raposas felpudas discutem de maneira não muito discreta as alternativas a seu impeachment, acertando cenários, acordos e divisão do espólio após sua possível queda. As conversações envolvem o invertebrado PMDB – teoricamente aliado de Dilma – e as facções mineira e paulista do PSDB – oposição retórica do governo petista, além de personagens menores.

Enquanto isso, ministros dos tribunais superiores movem-se discretamente, trocam mesuras e sussurros, repelem pressões mal disfarçadas, aceitam outras, lançam balões de ensaio.

No deslize acelerado rumo ao abismo, cujo fundo é muito distante e inimaginável, dois importantes atores do drama brasileiro medem cuidadosamente suas ações ou omissões.

Um é o camaleônico Lula, movendo-se com muita cautela para não ser tragado pelo mesmo desastre que ora incentiva, ora acalma. Sua situação, no entanto, também não é tranquila. O braço da lei vem se aproximando e ele deve muitas explicações sobre a criação do pesadelo em que vivemos.

A outra, incrivelmente discreta, mas crescentemente descontente, é o povo brasileiro, vítima maior dos descalabros e também responsável pelos mesmos, por nunca ter exigido as satisfações que lhe são devidas. Escorrega junto com Dilma, sentindo-se sem carta, sem rumo e sem piloto.

O clamor das ruas virá, mais cedo ou mais tarde. Quando chegar, a solução aparecerá, para o bem e para o mal.

Às escondidas, em Portugal, Dilma e Lewandowski discutem Operação Lava Jato e impeachment

Por Ricardo Noblat

A acreditar-se em José Eduardo Cardoso, ministro da Justiça, ele, a presidente Dilma Rousseff e o ministro Ricardo Lewandowski, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), tiveram “um encontro casual” no início desta semana na cidade do Porto, em Portugal. Sim, "casual".

Foi o que Cardoso garantiu ao jornalista da Globo News Gerson Camaroti, que soube do encontro e publicou a notícia em seu blog. Segundo Cardoso, Lewandowski pediu para ver Dilma. Ele participava de um evento jurídico na cidade portuguesa de Coimbra.

Ao saber que o avião que transportava Dilma e comitiva para a cidade russa de Ufá faria uma escala técnica no Porto, cidade próxima de Coimbra, Lewandowski manifestou seu desejo de se reunir ali com a presidente da República para discutirem o aumento do Judiciário.

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Recentemente, o Congresso aprovou um aumento para o Judiciário que o governo diz não ter como pagar. Cardoso jura que a reunião a três não serviu para que conversassem sobre a Operação Lava Jato, conduzida pelo juiz Sérgio Moro, e que investiga a roubalheira na Petrobras.

Dilma, Lewandowski e Cardoso discutiram, sim, a Operação Lava Jato. O empresário Ricardo Pessoa, dono da empreiteira UTC, confessou ter dado dinheiro sujo para a campanha de Dilma à reeleição. Dilma nega, mas está preocupada com o que possa acontecer se isso acabar provado.

Da Operação Lava Jato, os três passaram a avaliar as chances de um pedido de impeachment de Dilma. Por falhas, o Tribunal de Contas da União poderá rejeitar as contas do governo de 2014. E o Tribunal Superior Eleitoral concluir que houve abuso de poder econômico na campanha de Dilma.

Os jornalistas brasileiros destacados para cobrir a viagem de Dilma à Rússia não foram informados sobre o encontro dela no Porto com Lewandowski. Muito menos os que ficaram aqui. O encontro não constou da agenda oficial de Dilma.

Na verdade, o governo transparente de Dilma nada tem de transparente. É um abuso que dois chefes de poderes se encontrem às escondidas no exterior. E para examinar a delicada situação política de um deles. Os dois pisaram feio na bola. Apostaram que ninguém ficaria sabendo do encontro.

Lewandowski preside a mais alta corte de Justiça que poderá ser provocada, em breve, a decidir se procede ou não um eventual pedido de impeachment da presidente da República. Deveria ter se julgado impedido de se reunir para discutir o assunto com uma das partes interessadas. E logo no exterior. E às escondidas.

Basta lembrar que Lewandowski deve parte de sua indicação para o STF à família de dona Marisa, mulher de Lula, a quem sempre foi muito ligado. De resto, Lewandowski tudo fez para melhorar a sorte dos mensaleiros que acabaram condenados pelo STF.

É compreensível que Dilma tema por seu futuro. Mas não que contribua para emporcalhar a imagem do cargo que ocupa.



Eletrolão abasteceu os cofres do PT em ano eleitoral, por exigência de ‘Homem da Dilma’ e Vaccari, segundo Pessoa


Dilma VEJAO Eletrolão chegou para animar o fim de semana!

Eis um trecho da reportagem da VEJA (com grifos meus):

“VEJA teve acesso a mais um testemunho de que propina cobrada em troca de contratos – desta vez, no setor elétrico, a menina dos olhos de Dilma – abasteceu os cofres do PT em pleno ano eleitoral.

Os operadores da transação criminosa foram o onipresente João Vaccari Neto, então tesoureiro do partido, e Valter Luiz Cardeal, diretor da Eletrobras, o ‘homem da Dilma’ na estatal e um dos poucos quadros da administração com livre acesso ao gabinete presidencial.

O relato desse novo caso de desvio de verba pública para financiar o projeto de poder petista consta do acordo de delação premiada firmado entre o engenheiro Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC, e o Ministério Público Federal.

Num de seus depoimentos, Pessoa contou que em setembro do ano passado o consórcio Una 3 – formado por Andrade Gutierrez, Odebrecht, Camargo Corrêa e UTC Engenharia – fechou um contrato para tocar parte das obras da Usina de Angra 3.
A assinatura do contrato, estimado em 2,9 bilhões de reais, foi precedida de uma intensa negociação.

A Eletrobras pediu um desconto de 10% no valor cobrado pelo consórcio, que aceitou um abatimento de 6%. A diferença não resultou em economia para os cofres públicos. Pelo contrário, aguçou o apetite dos petistas.

Tão logo formalizado o desconto de 6%, Cardeal chamou executivos do consórcio Una 3 para uma conversa que fugiu aos esperados padrões técnicos do setor elétrico. Faltava pouco para o primeiro turno da sucessão presidencial.

O ‘homem da Dilma’ foi curto e grosso: as empresas deveriam doar ao PT a diferença entre o desconto pedido pela Eletrobras e o desconto aceito por elas. A máquina pública era mais uma vez usada para bancar o partido em mais um engenhoso ardil para esconder a fraude.

A conversa de Cardeal foi com Walmir Pinheiro, diretor financeiro da empresa, escalado para tratar dos detalhes da operação. Depois dela, Vaccari telefonou para o próprio Ricardo Pessoa e cobrou o ‘pixuleco’.

‘Quando soube que a UTC havia assinado Angra 3, João Vaccari imediatamente procurou para questionar a parte que seria destinada ao PT – o que foi feito pela empresa’, relatou o empreiteiro.

Aos investigadores, Pessoa fez questão de ressaltar que, segundo seu executivo, foi Cardeal quem alertou Vaccari sobre a diferença de 4 pontos percentuais entre o desconto pedido pela Eletrobras e o concedido pelas construtoras. Perguntado sobre o que sabia a respeito de Cardeal, Pessoa afirmou:


‘É pessoa próxima da senhora presidenta da República, Dilma Rousseff’.”

Encontro de Dilma com Lewandowski fora da agenda é indecente e anti-republicano


Esse relacionamento é muito suspeito, 
para dizer o mínimo…
Na escala técnica que fez na cidade do Porto, em Portugal, antes de seguir para Rússia, a presidente Dilma Rousseff teve um encontro reservado com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski. A reunião não foi incluída na agenda oficial. Também participou do encontro o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. 

No Brasil, políticos da base aliada foram informados de que a conversa foi ampla e que incluiu entre os temas a Operação Lava Jato. Os petistas, para não variar, relativizaram a coisa: “O assunto do encontro foi o reajuste do Judiciário. Ele levou números para a presidente Dilma”, disse Cardozo. Há preocupação no Judiciário com a tendência de a presidente Dilma Rousseff vetar o reajuste do Judiciário aprovado recentemente pelo Concresso. “Mas foi um econtro casual. Estávamos em Coimbra e, como iriámos para um almoço no Porto, marquei essa conversa”, justificou Cardozo. 


Sei… O PT é mestre na arte dos “encontros casuais”. É um tal de lobista se encontrar com empreiteiro “casualmente”, de “pixulecos” aparecerem na mochila de tesoureiro petista “casualmente” que vou te contar! Como já disse Felipe Moura Brasil, isso sim, é golpe! O PT perdeu qualquer cerimônia, não liga nem mais para as aparências. Está em desespero, e ratos desesperados fazem qualquer coisa para sobreviver. Fazem “o diabo” mesmo! Seria coincidência ser justo com o ministro mais petista depois de Dias Toffoli? 

Chega a um ponto tal que a coisa deixa de ser esquerda x direita e passa a ser todos que defendem a democracia x golpistas anti-republicanos. Mesmo tradicionais esquerdistas, como Roberto Freire, estão chocados com a forma com a qual o PT trata as instituições republicanas. Freire desabafou em seu Twitter:
Roberto Freire 
Não sei se ambos um dia tiveram compostura, mas sem dúvida o escárnio chegou em nível insuportável. Os conspiradores contra a República ainda têm a cara de pau de acusar a oposição de ser golpista, ou seja, quem quer preservar nossas instituições contra o avanço petista é golpista, enquanto aqueles que abusam da máquina estatal como se fosse um diretório partidário são os “democratas”. Que piada!

Se Dilma tivesse um pingo de decência, diante de tudo que está acontecendo com o Brasil, ela simplesmente renunciava. Reinaldo Azevedo ainda tentou apelar a esse eventual resquício de dignidade na presidente, e pediu em sua coluna de hoje que Dilma fizesse tal ato nobre pelo país, após recordar suas escancaradas mentiras sobre o setor elétrico:

Conhecemos, além dos desastres na área econômica, parte dos crimes que os companheiros cometeram contra os cofres públicos e contra a contabilidade. À diferença do que sugerem até aqui as turmas de Rodrigo Janot e de Sergio Moro, não se tratou da associação entre empresários cúpidos, organizados num cartel (que nunca existiu!), meia dúzia de servidores corruptos da Petrobras e alguns parlamentares de segunda linha. Conversa para trouxas! Fomos vítimas de uma máquina azeitada para assaltar o Estado de Direito.
E são os petistas e seus servidores na imprensa que gritam “golpe” quando se fala da possibilidade de Dilma perder o mandato? Desde quando leis democraticamente pactuadas se confundem com tanques? Aquela Dilma que concedeu entrevista a esta Folha bebeu muito fermentado de mandioca.
A presidente concluiu assim o discurso de janeiro de 2013: “Somente construiremos um Brasil com a grandeza dos nossos sonhos quando colocarmos a nossa fé no país acima dos nossos interesses políticos ou pessoais”.
Certo! Que Dilma confira verdade ao menos a uma parte daquela fala e renuncie! Aí ela se tornaria, finalmente, uma Mulher sapiens sapiens. 

O problema é que Dilma jamais demonstrará tal dignidade, pois ela simplesmente não a possui. Sequer é capaz de fazer um mea culpa sobre seus anos de terrorista comunista e assaltante, preferindo se vitimizar e reescrever a história, como se fosse uma lutadora pela democracia naquela época. Se Dilma tivesse dignidade para renunciar, não seria Dilma. Com essa alternativa, portanto, os brasileiros indignados e revoltados não devem contar…