Por Bruna Luiza
O que Leandra Leal, Emicida, Marieta Severo, Gregório Duvivier, Bruno
Gagliasso, Tico Santa Cruz e Pitty têm em comum? Todos eles são celebridades
que aparecem na mídia de modo recorrente, mas que acabam chamando mais a
atenção por suas opiniões polêmicas do que por suas atividades artísticas.
Nenhum destes personagens dedicou seu tempo a estudos sérios e sistemáticos de
ciência política, economia, e filosofia. Então, por que se aventuram em
comentários de cunho político? E por que têm respaldo de acadêmicos e
escritores brasileiros? Para entender o fenômeno dos artistas que posam
de autoridades políticas, precisamos entender algumas questões sobre
o cenário em que estes artistas estão inseridos
Toda sociedade possui uma elite, que é formadora de opinião. Não falo
aqui da elite detentora do poder, como faz Mosca, ou da elite burguesa dona dos
meios de produção, como faz Marx. Quero descarregar o termo elite da pesada
carga de preconceitos que têm sido a ele incutidos. Não pensemos, então, em
elite como classe rica, dominadora, doutrinadora e malvada.
Deixando o maquiavelismo de lado, quero falar de elite dentro da
constatação cotidiana de que todo grupo possui líderes naturais. São esses
líderes que compõem a elite a que me refiro, e são eles que guiam o povo, são
os formadores de opinião. Em uma sociedade sadia, a elite é composta por
intelectuais, pessoas que dedicam sua vida aos estudos, buscam
incansavelmente a verdade, e trazem conquistas reais para a vida e o
conhecimento humanos. Esse conceito pode não fazer muito sentido, no entanto,
se tentarmos entendê-lo com base na sociedade brasileira, pois nossa elite se
compõe de pseudo-intelectuais, cuja inteligência não é medida pelo conhecimento
mas sim através de diplomas, cargos e hierarquias. Há muito perdemos a elite
intelectual para o método socioconstrutivista¹, e, dos anos 70 até hoje, uma
mudança cultural tremenda se deu naqueles que formam (ou deveriam formar) nossa
elite intelectual.
Essa mudança cultural, que gerou a cultura relativista, começou durante
o governo militar. Apesar de combater movimentos guerrilheiros, o regime
militar não possuía estratégias morais e culturais. Conforme a teoria do
General Golbery do Couto e Silva, era preciso deixar alguns pontos como válvula
de escape da população, pequenas brechas que foram mantidas para evitar
revoltas. A principal brecha foi o ambiente universitário, onde as idéias de
Antonio Gramsci, e outros autores da Escola de Frankfurt, foram difundidas sem
pudor. Gramsci é adepto do chamado marxismo cultural, e suas idéias são
justamente as de relativismo, socioconstrutivismo, revolução cultural, e tomada
do poder através da infiltração das instituições.² Foi assim que os
intelectuais brasileiros se formaram, desde meados dos anos 70 até hoje: num
ambiente universitário que ensina a desconstrução dos valores ocidentais. De
modo natural, a massa seguiu a elite, aderindo à metodologia
socioconstrutivista de análise da realidade.
É por isso que o atual cenário político brasileiro, contaminado por
esse relativismo socioconstrutivista, é palco da destruição dos valores morais
e estéticos, e de uma crescente desvalorização do conceito de verdade. Nesse
ambiente que não preza pela verdade, utiliza-se como método de aferição da
(pseudo) intelectualidade os diplomas, os cargos, dentre outras honrarias
vazias.
Temos, então, um breve diagnóstico de nossa realidade: nossa elite
intelectual não preza pela verdade, quer desconstruir valores que sempre foram
inerentes à cultura brasileira, e valorizam-se diplomas mais do que realizações
concretas. Todos somos afetados por essa cultura, e não há como isolar disso a
camada da elite intelectual. Este mal pode afetar de modos e em graus
diferentes cada indivíduo, mas é inegável que afeta, de alguma maneira, a todos
nós.
Mas a população tem certa sabedoria inerente, herdada através dos
costumes e do senso comum de seus antepassados. Não se convence com argumentos
puristas, relativistas, sem substância. Seja incapacidade de fazer abstrações
profundas quando tem coisas mais rasas, e verdadeiras, para se preocupar – como
o filho com fome, a falta de segurança, e os 60 mil homicídios por ano – ou por
simplesmente não querer se desprender dos pêndulos morais de certo e errado, o
povo não adere ao esquerdismo como os pseudo-intelectuais gostariam. É aí que
entram os artistas.
Podemos identificar claramente a distinção entre a classe de
intelectuais e artistas, numa sociedade normal. A classe de artistas (famosos e
celebridades, em geral) é reconhecida por seu trabalho em um campo específico.
Um bom cantor, por exemplo, é reconhecido pela sua voz e músicas que
interpreta; uma boa atriz é reconhecida por sua atuação, e assim por diante. Os
intelectuais, por outro lado, são uma classe separada, composta por pessoas que
não se importam necessariamente com a exposição e fama, mas sim com o estudo e
produção de conteúdo que analise e diagnostique a sociedade, para ajudá-la a
lidar com seus problemas sociais, políticos, econômicos, e etc. As coisas são
assim num país onde há ordem e uma cultura mínima: o artista não tenta se
passar por teórico, e o intelectual não almeja a fama.
Um verdadeiro intelectual, portanto, antes de pensar na beleza
puramente estética de seu livro, preocupar-se-á com o conteúdo e idéias nele
contidos. O intelectual pode desejar reconhecimento da relevância de seu
trabalho por seus pares³, mas nisso temos a fama como meio de difusão da
teoria, e não como fim do trabalho em si mesmo. Assim, o intelectual quer ser
referência em sua área de estudo através da produção de impactos positivos nos
indivíduos que tiverem interesse naquele campo.
Mas onde não há verdadeiros intelectuais, onde cultuam-se diplomas em
vez da inteligência, não há referências que sirvam de real exemplo à população.
O intelectual de verdade cativa, pois tem ao seu lado a verdade. Ele inspira, e
faz com que desejemos alcançar seu conhecimento. E, acima de tudo, ele não está
desconectado à realidade e entende que a experiência da humanidade e o legado
que recebeu da multidão de sábios que o precederam valem mais do que suas
idéias e ideais abstratos. Ele, em suma, respeita a experiência humana. Numa
sociedade onde tal exemplo não existe, cria-se um vácuo. Como não há pessoas
que trazem aspirações de busca da intelectualidade sadia e do conhecimento, o
vácuo é ocupado por quem aparece, por quem se expõe, por quem diz ter as
respostas. E é aí que entram os artistas.
Os pseudo-intelectuais brasileiros não conseguem convencer a população,
pois sequer acreditam em verdade. Então usam artistas, que não possuem preparo
nem arcabouço para opinar em questões político-sociais, mas que de certo modo
trazem familiaridade e carisma às idéias que apresentam. É por isso que vemos
cotidianamente figuras como Leandra Leal defendendo traficantes, Emicida
defendendo ódio racial, Gregório Duvivier criticando a religião, e assim por
diante. Tais artistas fogem do que lhes compete, para não simplesmente opinar
sobre política, mas para formar opiniões, mesmo sem preparo algum para isso.
Recebem respaldo da academia, recebem dinheiro do governo graças à Lei Rouanet,
e promovem um relativismo doente, que mina as bases de nossa sociedade.
“No Brasil temos um número assombroso de pessoas que trabalham em
atividades culturais, escritores, professores, artistas, em geral
subvencionados pelo governo, mas que nem de longe pensam em cumprir as
obrigações elementares da vida intelectual; tudo o que fazem é apoiar-se uns
aos outros num discurso coletivo, reafirmar as mesmas crenças de origem
puramente egoísta e subjetivista, expressar desejos e preconceitos coletivos e
pessoais, promover a moda. Essas pessoas vivem reclamando de que neste país há
poucas verbas para a cultura. Mas, para fazer isso que elas chamam de cultura,
já recebem muito mais dinheiro do que merecem.” Olavo de Carvalho
Todos temos direito de opinar livremente sobre o assunto que bem
entendermos, mas artistas devem ter bom senso e responsabilidade para
reconhecer que sua exposição deve ser utilizada para promover aquilo em que de
fato têm conhecimentos suficientes para formar opinião (artes, música, teatro,
etc.), e não para doutrinar a população.
Para ilustrar, confira abaixo cinco exemplos de situações em que
artistas falaram do que não sabem, e fizeram muito, muito feio.
1. Leandra Leal e os “pequenos varejistas da droga”
Durante a votação da redução da maioridade para quem comete crimes
hediondos, a atriz Leandra Leal chamou Eduardo Cunha de ditador e golpista. A
atriz alertou sobre o fato de que crime hediondo incluiria os “pequenos
varejistas da droga” — também conhecidos como traficantes — que, na opinião de
Leandra, não devem ser presos. Ela também fez apelos de que o STF anulasse a
decisão da Câmara. Será que Leandra sequer leu nossa Constituição e o o
regimento interno da câmara dos deputados antes de pedir a anulação ao STF?

2. Emicida socializa os sonhos, mas não as roupas de sua grife
O rapper Emicida tem feito vários comentários polêmicos, e lançou
recentemente um clipe com clara alusão ao ódio racial, onde brancos são
representados como ricos, opressores e ruins. Mas apesar do discurso
socialista, Emicida possui uma grife, localizada em bairro nobre, e com preços
nada acessíveis.
3. Marieta Severo está otimista
Marieta Severo foi questionada por Faustão no programa do dia 28 de
junho sobre a situação política e social do Brasil. Faustão falou em “país da
desesperança”, e Marieta retrucou dizendo: “eu sou, sempre, otimista. Não acho
que nós sejamos o país da desesperança, não. Eu acho que o país caminhou muito
nesses últimos anos. Nós estamos em uma crise, sim, temos que ter uma atenção
muito grande para sair dela.” Mas logo depois foram descobertos milhões de
motivos para a atriz estar otimista nos patrocínios que o governo dá à sua
peça.

4. Gregório Duvivier, teólogo e articulador político
Não bastasse a atuação e roteiro vergonhosos de Duvivier no canal Porta
dos Fundos, com histórias que distorcem o cristianismo, ou simplesmente ofendem
cristãos, na última eleição Duvivier resolveu atacar de articulador político. É
comum ver artistas se posicionando em período de eleição, fazendo campanha para
seus candidatos, mas Duvivier não se contentou em fazer campanha. O ator
participou de eventos e chegou a publicar poeminhas na Folha de São Paulo para
promover sua candidata.
5. Bruno Gagliasso chora por causa de baixa audiência de
Babilônia
Ao receber o prêmio Contigo! pela atuação na minissérie Dupla
Identidade, Bruno Gagliasso reclamou da baixa audiência de Babilônia e chorou
dizendo que era ator para mudar e transformar a realidade. Por fim, Bruno
ameaçou deixar de atuar por causa da péssima receptividade do público à
trama que envolve prostituição e homossexualismo. “Quero continuar tendo orgulho
do que eu faço, senão vou parar de fazer”, disse o ator.
Fonte: Reaçonaria
___________________
¹ Para entender melhor,
leia:
http://www.olavodecarvalho.org/semana/121030dc.html
² Para entender melhor, leia:
http://garotasdireitas.blogspot.com.br/2013/07/marxismo-cultural-raiz-do-problema-da.html
³ É importante aqui assinalar que os pares devem estar
igualmente engajados na busca pela verdade, na construção do conhecimento, e
não em superficialidades frívolas expressas em títulos. No Brasil não há classe
intelectual per se, e os acadêmicos (que emulam o papel de tal classe) têm, na
verdade, muita inveja e desprezo pelo par que produz algo de significante.
Desse modo, o ambiente acadêmico brasileiro não estimula a intelectualidade,
antes reprova a ampliação do raio de alcance das teorias que não correspondam
aos diversos tons de esquerdismo já conhecidos e firmados.
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