terça-feira, 7 de julho de 2015

Como será o Brasil no pós-Dilma?

Por Marco Antonio Villa


Os possíveis cenários no Brasil no caso da saída da presidente Dilma Rousseff.

Maior PROGRAMA DE COMPRA DE VOTOS do mundo resiste ao Ajuste Fiscal: Gastos com Bolsa Família mantém ritmo de R$ 2,3 Bi ao mês


Apesar das constantes alegações de falta de dinheiro e da necessidade do ajuste fiscal, o governo Dilma mantém ritmo recorde de gastos com o Bolsa Família em 2015, que já ultrapassa R$ 11,6 bilhões injetados na veia do eleitor de janeiro a maio. 

A média mensal de R$ 2,33 bilhões distribuídos continua bem superior à de 2014, quando foram ‘investidos’ mais de R$ 27 bilhões, recorde absoluto desde a criação do programa.

Se mantiver o ritmo até o final do ano, o Bolsa Família deve superar a marca de R$ 28 bilhões, o dobro do último ano de mandato de Lula.

O cenário de pobreza ainda não foi modificado e Bahia continua sendo o estado que mais recebe recursos. Já foram R$ 1,5 bilhão em 2015.


Considerado “o maior programa de compra de votos do planeta” pelo deputado Jarbas Vasconcelos, o Bolsa Família gasta R$74 milhões/dia. 

Relatório Focus aponta piora generalizada das projeções para 2015

Por Denise Campos de Toledo


O Relatório semanal Focus elevou mais uma vez suas previsões para a inflação deste ano. Pela 11ª rodada consecutiva, a estimativa para o indicador avançou de 8,97% para 9,00%.

Carta de “Mudança Climática” do Papa Citada na ONU, Sua Condenação do Aborto Ignorada

Por Stefano Gennarini
 
NOVA IORQUE, EUA (C-Fam) A nova encíclica do Papa Francisco sobre o meio-ambiente fez um impacto nas negociações da ONU nesta semana. Mas na correria para frisar suas informações sobre mudança climática, a condenação vigorosa que ele fez do aborto e do controle populacional permanece negligenciada.

Nas negociações desta semana sobre desenvolvimento sustentável na Assembleia Geral, María Emma Mejía Vélez, embaixadora da Colômbia, disse que a encíclica do papa sobre “mudança climática” era relevante para a agenda de desenvolvimento da ONU.

A nova encíclica papal sobre o meio-ambiente, “Laudato Si,” tem sido descrita como um “golpe pesado” para os que frisam as causas humanas da mudança climática. Deu o apoio moral do Papa Francisco, e 1 bilhão de católicos guiados por ele, aos planos do secretário-geral da ONU Ban Ki-moon para um acordo obrigatório global de mudança climática em dezembro.

O embaixador Macharia Kamau do Quênia, que está conduzindo as negociações, invocou a encíclica durante um debate sobre a noção de “fronteiras planetárias,” uma frase muitas vezes usada por Jeffrey Sachs que expressa o temor de que a terra não terá recursos suficientes para sustentar a população do mundo.

“‘Fronteiras planetárias’ é preocupante para pessoas que não leram a encíclica… Não, só estou brincando,” Kamau disse sorrindo, sugerindo que a antiga oposição da Igreja a ideologias que veem os seres humanos como parasitas havia sido abandonada pelo Papa Francisco.

Aliás, a carta papal condena o aborto e o controle populacional, bem como as ideologias que os promovem como meio de reduzir o excesso populacional frente às “fronteiras planetárias” da terra.
O papa repreende os que oferecem justificativas fáceis para o aborto e pede que os cristãos apresentem argumentos contra essas ideologias.

“Já que tudo é inter-relacionado,” ele escreve, “a preocupação com a proteção da natureza é também incompatível com a justificativa do aborto. Como é que podemos genuinamente ensinar a importância da preocupação por outros seres vulneráveis, por mais incômodos ou inconvenientes que sejam, se não conseguimos proteger um embrião humano, até mesmo quando sua presença é incômoda e cria dificuldades?”

O papa denuncia até formas sutis de controle populacional sob o pretexto de assistência de desenvolvimento.

“Em vez de resolver os problemas dos pobres e pensar em maneiras como o mundo pode ser diferente,” ele escreve, “alguns só conseguem propor uma redução na taxa de natalidade. Às vezes, os países em desenvolvimento enfrentam formas de pressão internacional que tornam a assistência econômica dependente de certas políticas de ‘saúde reprodutiva.’”

Algumas das mensagens teológicas mais fortes na encíclica incluem preocupações com o embrião humano, inclusive descrevendo o aborto como um “sinal impressionante de uma desconsideração pela mensagem contida nas estruturas da própria natureza.”

E o papa critica os ambientalistas que querem limites na ciência no que se refere ao meio-ambiente e animais, mas rejeitam fazer a mesma coisa com a vida humana.

“Esquecemos que o valor inalienável de um ser humano transcende seu grau de desenvolvimento,” ele escreveu.

O cardeal Peter Turkson, presidente do Pontifício Conselho para Justiça e Paz fará uma apresentação sobre a encíclica na sede da ONU na próxima semana. Talvez ele ajudará a focar na preocupação dos papas por mais de 50 milhões de vítimas do aborto a cada ano.

As Metas de Desenvolvimento Sustentável serão finalizadas em julho e serão adotadas em torno da época em que o Papa Francisco visitar a ONU em setembro. As metas decidirão como bilhões de dólares em ajuda de desenvolvimento serão usados nos próximos 15 anos. No momento, organizações que fornecem e promovem o aborto estão prontas para se beneficiar de modo considerável das novas metas de desenvolvimento.

Tradução: Julio Severo

Fonte:   Friday Fax
Divulgação: Júlio Severo



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Comentário de Julio Severo: A recente encíclica do papa sobre ambientalismo está fazendo sucesso imenso. Talvez seja o documento ambientalista mais famoso da história. Talvez o que tenha garantido tal sucesso seja que, diante de uma grande mídia mundial controlada pela esquerda, o Vaticano tenha convidado importantes personalidades esquerdistas para sua elaboração. A mídia deu destaque abundante para a encíclica, mas ignorou que seu conteúdo também tem posturas contra o aborto. A esquerda ficou com o que lhe interessa: posturas pró-ambientalismo. Nós ficamos com o que nos interessa: posturas contra o aborto. No final, a encíclica tem trechos para todos os gostos esquerdistas e conservadores.

O delator entrega as provas



As anotações e planilhas do delator Ricardo Pessoa, da empreiteira UTC, revelam como funcionava o esquema de corrupção que unia governo, políticos e empreiteiros no saque ao caixa da Petrobras. Os detalhes da edição de VEJA com Augusto Nunes e Carlos Graieb.

Lula, o pelego?

Por Francisco C. Weffort
 
Que coisas tão graves em seus gastos na Presidência estará Lula procurando esconder da opinião pública? Que de tão grave têm as despesas dos palácios do Planalto, da Alvorada e da Granja do Torto que possam explicar a cortina de fumaça que o governo criou para impedir o controle dos cartões corporativos de Lula, Marisa, Lulinha, Lurian etc.? A estas alturas, só o governo pode responder a tais perguntas. E como o governo não responde, a opinião pública, sem os esclarecimentos devidos, torna-se presa de dúvidas sobre tudo e todos.

É conhecida a ojeriza de Lula a qualquer controle sobre gastos. Evidentemente os dele, da companheirada do PT, dos sindicatos e do MST, sem esquecer um sem-número de ONGs sobre as quais pesam suspeitas clamorosas. Ainda recentemente, ele vetou dispositivo de lei que exigia dos sindicatos prestação de contas ao TCU dos recursos derivados do imposto sindical (agora “contribuição”). Há mais tempo, Lula era contra o imposto em nome da autonomia sindical. Agora que está no governo, deixou ficar o imposto e derrubou o controle do TCU. Tudo como dantes no quartel de Abrantes. O que o Lula e os pelegos querem é o que já existia na “república populista”, dinheiro dos trabalhadores sem qualquer controle.

Lula, a chamada “metamorfose ambulante”, não se tornou ele próprio um pelego? Assim como defendeu a gastança dos sindicatos em nome da autonomia sindical, agora defende sua própria gastança na Presidência em nome da segurança nacional. Isso me lembra uma historinha de 1980, bem no início do PT, quando João Figueiredo estava no governo e Lula estava para ser julgado na Lei de Segurança Nacional. Junto com alguns outros, eu o acompanhei numa viagem à Europa e aos Estados Unidos em busca de apoio. Como outros na comitiva, eu acreditava piamente que tudo era em prol da liberdade sindical e da democracia, e as coisas caminharam bem, colhemos muita simpatia e apoio nos ambientes democráticos e socialistas que visitamos. Mas, chegando à Alemanha, fomos surpreendidos pela recepção agressiva do secretário-geral do sindicato alemão dos metalúrgicos. Claro, ele também era a favor da democracia e estava disposto a defender os sindicalistas. Sua agressividade tinha outra origem: o sindicato alemão que representava havia enviado algum dinheiro a São Bernardo e cobrava do Lula a prestação de contas! A conversa, forte do lado alemão, foi num jantar, e não permitia muitos detalhes, mas era disso que se tratava: alguém em São Bernardo falhou na prestação de contas e o alemão estava furioso. Lula se defendeu como pôde, mas, no essencial, dizia que não era com ele, que não sabia de nada.

A viagem era longa. Antes da Alemanha, havíamos passado pela Suécia, e fomos depois a França, Espanha, Itália e Estados Unidos. Em Washington, tivemos um encontro com representantes da AFL-CIO, e ali repetiu-se o mesmo constrangimento. Embora não tão agressivos quanto o alemão, os americanos queriam prestação de contas sobre dinheiro enviado a São Bernardo. Mas Lula, de novo, não sabia responder à indagação referente às contas. Ou não queria responder. Não era com ele.

Nunca dei muita importância a esses fatos. A atmosfera do país nos primeiros anos do PT era outra. Ninguém na oposição estava antenado para assuntos desse tipo. O tema dominante era a retomada da democracia. A corrupção, se havia, estaria do lado da ditadura. Saí da direção do PT em 1989 e me desfiliei em 1995. Até então era difícil imaginar que um partido tão afinado com o discurso da moral e da ética pudesse aninhar o ovo da serpente. Minha dúvida atual é a seguinte: será que a leniência do governo Lula em face da corrupção não tem raízes anteriores ao próprio governo? A propensão a tais práticas não teria origem mais antiga, no meio sindical onde nasceu o PT e a atual “república sindicalista”?

Talvez essa pergunta só encontre resposta cabal no futuro. Mas, enquanto a resposta não vem, algumas observações são possíveis. Parece-me evidente que no momento atual alguns auxiliares da Presidência – a começar pelos ministros Dilma Rousseff, Jorge Hage e general Jorge Felix – foram transformados em escudos de proteção de possíveis irregularidades de Lula e seus familiares. O outro escudo de proteção é Tarso Genro, que usa uma ginástica retórica para, primeiro, garantir, como Dilma, que o dossiê não existia, só um banco de dados. Depois passou a admitir que existia o dossiê, mas que isso todo mundo faz. Mais ou menos como no episódio do mensalão, lembram-se? Naquele momento, o então ministro Thomas Bastos, acompanhado por Delubio Soares, disse que mensalão não existia, que eram contas não regularizadas, sobras de campanha etc. E lula afirmou de público que isso todos os políticos faziam. O que não impediu que o procurador-geral da República visse no mensalão a prática delituosa de uma quadrilha criminosa.

Adotada a teoria do dossiê – aquele que não existia e que passou a existir – criou-se uma pequena usina de rumores, primeiro contra Fernando Henrique Cardoso e Dona Ruth, depois contra ministros do governo anterior. Minha pergunta é a seguinte: quando virão os dossiês contra Lula e Dona Marisa Letícia? Não é este o futuro que deveríamos almejar. Mas no que vai do andar da carruagem dirigida por um Lula cada vez mais ególatra e irresponsável é para lá que vamos, inelutavelmente. Quem viver verá.




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Francisco C. Weffort é sociólogo.

Artigo publicado em 15/04/2008.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Carne de Museu

Por Sérgio Alves de Oliveira

A incrível “coincidência” da visita da Presidenta Dilma Rousseff aos Estados Unidos, com o anúncio da abertura desse mercado consumidor, para até cem mil toneladas/ano de carne bovina in natura, produzida  no Brasil, nos leva a supor que essa negociação “teve boi na linha”.

A nossa velha conhecida “Grande Mídia”, sempre disposta a informar ou esconder o que lhe interessa, não deu qualquer destaque ao fato de que essa visita da Presidenta e o anúncio da exportação de carne para os EUA , têm toda a cara de uma operação “casada”. É impossível que tenham sido meras “coincidências”.

Uma das explicações que poderiam ser cogitadas é que o Presidente  Barack Obama estaria incentivando a política do “Foro San Pablo”, cujo  objetivo  principal é a implantação do socialismo nos seus países membros, e  que esse “foro”, com poderes além das soberanias locais, teria conseguido abrir o rico mercado americano para os bois do Brasil, maior potência  da organização. Não seria ,também por essa razão, o Presidente americano um “sócio oculto” do Foro de São Paulo? Portanto, irmãos americanos, “olho nele”.
                             
Essa medida do governo americano é anunciada após 15 anos de difíceis negociações e restrições à carne bovina brasileira, surpreendendo  que , de “uma hora para outra”, acabaram  tais restrições ,sem que tenha havido no Brasil nenhuma novidade para melhorar a qualidade desse produto.

Essa medida terá consequências. Boas e ruins.                                                                        
Sem dúvida são boas para a imagem da Presidenta Dilma, que  teria conseguido um bom negócio nos Estados Unidos, com  a viagem que fez. Também são boas para todos aqueles que de uma ou outra forma estão envolvidos com a produção dessa carne. Mas de modo muito especial os grandes beneficiários serão os frigoríficos brasileiros habilitados a fornecer esse produto para exportação.

E qual é o maior desses frigoríficos ? Quem será o grande beneficiário?  Quais as “ligações” desse principal fornecedor com o Governo e seus integrantes?

Sabe-se, ao certo, que  o maior frigorífico existente hoje no Brasil é o JBS-Friboi, que alguns asseguram que têm como sócios “ocultos” o ex-Presidente Lula da Silva e seu filho “Lulinha”, que também tem participação acionária expressiva do BNDES, banco  de desenvolvimento do Governo. Não há como negar, portanto, a íntima ligação entre Governo (PT)-BNDES-JBS/Friboi . Reforçando essa tese, acrescente-se  que o Grupo JBS criou um banco próprio, o  Banco Original, cujo Conselho de Administração é presidido por Henrique Meirelles, um dos expoentes da  área econômica do partido que está no poder há doze anos.

O crescimento meteórico da JBS ainda é uma incógnita. Não pode ter sido causado exclusivamente por capacitação de gestão. “Forças Ocultas” devem ter ajudado. Um dia aparecerão. Sua expansão foi tão surpreendente, que nos supermercados do Rio Grande do Sul, tradicional produtor de carnes, só se encontra carnes com o selo da “Friboi”. Os frigoríficos locais foram alijados e não conseguem nem espaço nos supermercados para expor seus produtos.                                                                                                     

Agora iremos para o outro lado. Quem se “rala” em toda essa história?

De bom tempo para cá, a carne bovina está cada vez menos acessível  ao brasileiro que não é rico. Os hábitos alimentares do povo tiveram que se adaptar a uma nova realidade onde essa carne passou a ser artigo raro, de luxo. Teve que ser dispensada.  Só para termos uma ideia, uma família com renda mensal de um salário mínimo gastaria tudo que ganha só para comprar e comer esse “luxo”.

Mas enquanto o Governo e os interessados nessa nova fatia do mercado exportador festejam essa conquista,os resultados para o povo serão funestos. Em virtude da alta no preço da carne de exportação para um país rico, internamente, e como consequência, o que  já era uma raridade na mesa do povo passará a ser produto  que somente poderá ser consumido com os...“olhos” . E só nos...museus.


Fonte: Alerta Total


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Sérgio Alves de Oliveira é Sociólogo e Advogado.

Lula em Brasília

Por Humberto de Luna Freire Filho

Depois de toda essa podridão na qual se transformou o governo do Brasil, e que já persiste por treze anos, conversei recentemente com vários amigos dos EUA e da Europa. E o que eles não conseguem entender é como um país com as dimensões do nosso, como uma das maiores populações do planeta, considerado a oitava economia do mundo, ainda se deixa levar pela conversa de um mau caráter, um salafrário do naipe desse crápula que assaltou o país por oito anos, e ainda formou uma grande e organizada quadrilha para atuar em pontos chaves da administração pública e fora dela, para se manter por mais, talvez oito anos, no comando do governo.

Vale ressaltar que essa "coisa" esteve recentemente na Capital Federal, aproveitando-se da ausência da presidente de direito para fazer proselitismo político em seu benefício, junto a seus pares homiziados nessa "fossa" que se tornou o Congresso Nacional. E o pior: sendo recebido pelo presidente da casa onde os sujos se entendem. Visava provavelmente a apoio para livrar a sua pele das denúncias de corrupção, e manter vivo um pretenso retorno à presidência do país. O que, diga-se de passagem, seria a pá de cal no que resta do Brasil como país.

Meus amigos não entendem por que a oposição se cala diante de tantos desmandos, roubos e incompetência; enfim, da evidência de um total desgoverno, enquanto eles, os parlamentares, gozam de uma imunidade que os permite denunciar a roubalheira do erário, a incompetência no comando do país e não o fazem. Na tentativa, não de justificar, mas de esclarecer, lhes digo que a nossa classe política, com raríssimas exceções, não passa também de bandidos, haja vista que 70% dos parlamentares em nosso Congresso respondem ou já responderam a processos na justiça, e outros, que até então, eram tidos como honestos, estão caindo na vala comum sacramentando a descrença total na classe.

Não entendem por que a Suprema Corte do país não está a serviço do Estado como acontece em toda civilização desenvolvida, estando sim, a serviço de uma quadrilha autodenominada Partido dos Trabalhadores, que transformou a alta magistratura do país em um chiqueiro a seu serviço. Nesse caso, esclareço a meus amigos que oitenta por cento dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) foram escolhidos a dedo pela quadrilha dominante e que um deles já foi condenado em ação de instância inferior. Aliás, ele já mandou fazer uma nova toga para inaugurar, quando a tal ação chegar às suas mãos para seu próprio julgamento.

Não entendem por que a maior parte da imprensa nacional não cumpre seu sagrado dever de informar com isenção e independência à sociedade, dos fatos diários, sejam eles quais forem, como ocorre em todo país civilizado e democrático onde realmente predomina o Estado de Direito. Perguntam-se entre eles: “por que uma emissora como a Rede Globo de Televisão, conhecida internacionalmente pela sua capacidade técnica (e por que não dizer econômica) de promover cobertura em todo o território nacional, se omite quando qualquer notícia ou fato contraria ou poderá contrariar o governo?” Eu costumo dizer para todos que não só a TV Globo, mas também outros veículos de comunicação: escrita, falada ou televisionada, se vendem à propaganda oficial mentirosa, superfaturada e paga com dinheiro público, além de manter em evidência figuras grotescas que compõem a face do governo e enojam o cidadão de bem.

Finalmente o Brasil está desmoralizado, não passa de motivo de chacota nos EUA e na Europa. Desacreditado politicamente, desacreditado financeiramente e com uma presidente incompetente tecnicamente e tão despreparada culturalmente que, para não ficar calada, até criou uma nova espécie humana que vai se somar às já conhecidas: Homo erectus (1,8 milhões de anos), Homo neanderthalensis (350 mil anos), Homo sapiens (29 mil anos) e finalmente, Mulher sapiens (UM MÊS).




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Humberto de Luna Freire Filho é médico

COMUNISTAS SEM FRONTEIRAS


Foi Olavo de Carvalho quem primeiro denunciou a existência e os objetivos do Foro de São Paulo. Ele chamava a atenção para o que estava em curso e a imensa maioria dos comentaristas o acusava de ser porta-voz de uma teoria da conspiração. O FSP era visto como tema para ser balbuciado a portas fechadas e enfrentado em divã de psiquiatra. Jamais como objeto de interesse do jornalismo bem-informado. Enquanto isso, o Foro, criado em 1990, existia e se expandia. Deliberava e suas metas iam sendo atingidas.

Mesmo quando se reunia no Brasil, ele permanecia como tema sigiloso, até que o próprio Lula, então presidente, em discurso proferido no encontro de 2005, recolheu a cortina: "Foi assim que nós pudemos atuar junto a outros países com os nossos companheiros do movimento social, dos partidos daqueles países, do movimento sindical, sempre utilizando a relação construída no Foro de São Paulo para que pudéssemos conversar sem que parecesse e sem que as pessoas entendessem qualquer interferência política. Foi assim que surgiu a nossa convicção de que era preciso fazer com que a integração da América Latina deixasse de ser um discurso feito por todos aqueles que, em algum momento, se candidataram a alguma coisa, para se tornar uma política concreta e real de ação dos governantes. Foi assim que nós assistimos a evolução política no nosso continente".

Hoje, os partidos do FSP governam 12 países da região e são a principal oposição em outros quatro. A partir dele se entende que o Brasil ande de cambulhada numa geopolítica exclusivamente petista, como as decorrentes da concepção de "Pátria Grande" (defendida por Lula quando se reúne com os seus). Também a partir do Foro, se explicam: a) o oneroso apoio brasileiro aos países do grupo; b) o nosso envolvimento com encrencas e dificuldades do Paraguai, Honduras, Venezuela, Cuba, Bolívia, El Salvador; c) os conciliábulos da Unasul e a criação da Escola Sul-Americana de Defesa; d) as incursões das FARC em território brasileiro; e) o desdém de Dilma aos presos políticos de Cuba e Venezuela; e f) a contrastante conduta do nosso governo durante as duas visitas de senadores brasileiros em recentes viagens a Caracas.


Quem conhece a história do FSP, nascido no rescaldo do fim da URSS, sabe que a entidade é uma espécie de "Comunistas sem fronteiras", ao qual a nação está sendo entregue, empacotada como presente à tal Pátria Grande. É intolerável que as afinidades e estratégias políticas de um único partido, conectado com os interesses de organizações comunistas internacionais, determinem nossa política externa e não passem pelo crivo das instituições da República.

Dilma e comitiva xingados por brasileira nos EUA



Fonte: YouTube

Será analfabetismo funcional? Parlamentares derrotados e OAB se aliam e tentam provar o improvável, a ilegalidade da ação de Eduardo Cunha para a redução da maioridade penal


A opinião pública não vale nada. Ou melhor, ela só vale quando eles conseguem moldá-la. E dessa vez isso não aconteceu. É justamente por isso que Maria do Rosário enfia propostas na surdina com o intuito de criar BOLSAS BLOGUEIRO para controlar a internet.

Na semana passada a comunista Luciana Genro, acostumada a mobilizar multidões para impor sua opinião, disse que há necessidade de combater o senso comum. Luciana se refere à opinião de esmagadora maioria da população brasileira que deseja que a maioridade seja reduzida para 16 anos, mesma idade em que o brasileiro já é considerado apto pode escolher representantes para todos os cargos da política.

Depois de derrotados a esquerda raivosa, sempre inconformada, acusa Eduardo Cunha de ter realizado manobra ilegal para a votação da redução da maioridade.

Eles se fazem de idiotas e tentam convencer seus seguidores que a lei os ampara.
Vejamos.

A Constituição Federal diz: 5º A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa.”

O Regimento da Câmara diz: “O substitutivo de Comissão tem preferência na votação sobre o projeto”. Estabelece o V: “Na hipótese de rejeição do substitutivo, ou na votação de projeto sem substitutivo, a proposição inicial será votada por último, depois das emendas que lhe tenham sido apresentadas”

Como acontece. Uma Proposta é apresentada em uma Comissão, nesse caso a de Constituição e Justiça. A comissão pode elaborar / aprovar outra proposta em substituição à primeira, chamada então de projeto SUBSTITUTIVO. Que, segundo a própria Câmara, é:Espécie de emenda que altera a proposta em seu conjunto, substancial ou formalmente. Recebe esse nome porque substitui o projeto. O substitutivo é apresentado pelo relator e tem preferência na votação, mas pode ser rejeitado em favor do projeto original.

É impossível que no projeto substitutivo (Nesse caso, proposto por Laerte Bessa /PR-DF) ) não ocorram coincidências e repetições de conteúdo do projeto original. Afinal, o assunto é o mesmo, e ele foi construído, como o nome mostra, em substituição ao primeiro. Contudo, é outro projeto.

O projeto original permanece tramitando. Mas, como vimos acima, deve ser votado somente após o substitutivo. Isso está obvio. O que aconteceu foi exactamente isso. E isso é obvio. Não há nenhuma dúvida na interpretação dessa questão. Será que essas pessoas que tem apoiado os derrotados, que chamam de “manobra” a ação de Eduardo Cunha, pelo menos se deram ao trabalho de ler o Regimento Interno da Câmara?

Não é como os perdedores e a mídia, agindo de forma estranha, contra a maior parte da sociedade dizem. Eles falam: “Cunha decide votar nesta quarta novo texto que reduz maioridade penal“. Na verdade foi colocado em votação o projeto original, não um novo texto.

DE HORA EM HORA DILMA PIORA E A ESQUERDA DEGRINGOLA

Por Celso Lungaretti

Como diria o Lênin, estamos num daqueles momentos em que "é preciso dar um passo atrás para depois dar dois passos adiante".

Enquanto Dilma Rousseff estiver na Presidência e o Brasil em recessão, sua popularidade minguará cada vez mais: o mau humor generalizado com a queda de poder aquisitivo, acrescido da indignação também generalizada por ela haver adotado a política econômica que jurou de pé juntos jamais adotar, magnifica o impacto das acusações de corrupção que jorram profusamente das operações Lava Jato e Acrônimo. A agonia lenta de Dilma é o pior dos mundos possíveis.

Colocado numa permanente defensiva, o PT só tem forças para tentar salvar a si próprio, enquanto as forças conservadoras vão impondo sua pauta em toda linha, como se quisessem fazer o País voltar à Idade Média.

A direita não tem pressa: de hora em hora a situação da Dilma piora. Seu desgaste vai aumentar até que haja algum tipo de ruptura. E, quanto mais durar o impasse, mais a esquerda se desmoralizará, até ficar com a imagem em frangalhos.

Lembrem-se: a força motriz de todo esse baixo astral é o péssimo desempenho da economia brasileira. E não há hipótese de sairmos da crise antes de 2017, nem garantia nenhuma de que a maré vá começar a virar mesmo então.

Se hoje a Dilma só tem a aprovação de 10% dos brasileiros, como estará, digamos, daqui a um ano? Com 1%? Não dá para esperarmos tanto. O Brasil se esfarelará.

Então, se o PT hoje não estivesse tão aferrado ao poder pelo poder, como o Lula tão bem diagnosticou, seria a hora de pensar seriamente na renúncia de Dilma Rousseff.

Uma nova eleição jogaria a crise econômica no colo do PSDB e PMDB (o primeiro certamente sairia das urnas como o administrador da massa falida e o segundo como a eminência parda de sempre), tirando-os da cômoda posição de surfarem na desdita brasileira.

Como num passe de mágica, os casos de roubalheira seriam restituídos à sua dimensão habitual. Não existe sinceridade em tal furor moralista por parte do stablishment brasileiro; a corrupção é intrínseca ao capitalismo, jamais será erradicada sob o capitalismo, há raros períodos (como o atual) em que convém aos poderosos jogá-la no ventilador, depois tudo volta a ser como dantes no quartel de Abrantes. Já vimos esse filme várias vezes.

E a esquerda sairia da posição de vidraça que a paralisa, voltando a ser estilingue. Poderia começar a combater os avanços conservadores, tentando reconstruir-se na luta. Precisa reencontrar sua alma. Precisa reencontrar-se com os seus.

Mas, claro, para tanto seria necessário existir um Lênin entre nós, alguém com visão de estadista. Não há. Então, tudo indica que os passos continuarão sendo dados todos para a frente... na direção do abismo e até o mais amargo fim.


domingo, 5 de julho de 2015

Cinismo desmedido: “Se alguém roubou a Petrobras, que pague pelo roubo”, afirma o alarife Lula


lula_375Face lenhosa – Nesta sexta-feira (3), o ex-presidente Luiz Inácio da Silva defendeu, pelo menos em público, que os responsáveis pelos escândalos da Petrobras sejam punidos, porém que os trabalhadores sejam preservados. Discurso mambembe, típico de um alarife experimentado que, apesar do seu envolvimento no Petrolão, o maior escândalo de corrupção da história, tenta manter-se no poder com palavrório insano e rasteiro.

“Se alguém sacaneou ou roubou a Petrobras, que pague pelo roubo, e que os trabalhadores não sejam punidos. Que não sejam punidos aqueles que efetivamente são responsáveis pela construção dessa extraordinária empresa, motivo de orgulho para o nosso País”, discursou o ex-presidente, que participa nesta sexta-feira da 5ª Plenária Nacional da Federação Única dos Petroleiros (FUP).

O petista ressaltou que aceitou participar do encontro dos petroleiros porque é preciso contar e recontar sua participação nas lutas e feitos deste País.

“Tenho orgulho de ter sido o metalúrgico que levou o Jair Meneguelli a ser cassado por fazer a primeira greve, em solidariedade aos petroleiros em 1983.” Ele afirmou ainda que sente muito orgulho de ter sido o presidente que “capitalizou a estatal e ajudou a recuperar a indústria naval brasileira.”

Lula disse que ao assumir a Presidência da República, a estatal representava apenas 2% do PIB e hoje representa 13%. O que o agora lobista não disse aos petroleiros é que a Petrobras foi sangrada em suas finanças apenas e tão somente para custear o projeto de poder de um partido que na última década se dedicou ao banditismo político.

O ex-sindicalista ressaltou também que sente muito orgulho de ter sido o presidente sem diploma universitário que mais criou universidades neste país, repetindo um discurso usado durante a campanha pela reeleição de Dilma Rousseff.

“Tenho orgulho de pertencer a um partido e a um governo que em 12 anos construiu mais vagas nas universidades do que as elites em cem anos. Fizemos também mais escolas técnicas nesse período do que eles em cem anos. Nunca os brasileiros tiveram tanto orgulho do que tiveram nesses 12 anos.”


Há no Brasil um sem fim de pessoas órfãs de diplomas universitários, mas que se dedicam de forma hercúlea para o bem da nação. Lula tenta escapar do escândalo de corrupção que funcionava na estatal, principalmente depois que seu outrora aliado, José Dirceu de Oliveira e Silva, entrou na alça de mira da Operação Lava-Jato, da Polícia Federal. No momento em que a Justiça brasileira colocar as mãos em Lula, por certo o País recobrará a rota da dignidade e da destreza. Até lá, a parcela de bem da população terá de conviver com esses espetáculos pífios protagonizados pelo petista. (Danielle Cabral Távora com Ucho Haddad)

Dilma saúda a conquista do fogo da Tocha da Copa
(Cumé ki éh???)

Depois das mandiocas e bolas de folha de bananeira, Dilma ataca novamente com seu discurso de improviso, agora é a vez de “A-Tocha da Copa”.


Fonte: YouTube

Cada um no seu Quadrado!...
STF não interfere no processo legislativo, rebate Cunha


Cunha disse que Supremo, no máximo, analisa o produto acabado

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, afirmou nesta quinta-feira (2) que o Supremo Tribunal Federal (STF) não interfere no processo legislativo, ao comentar a intenção de deputados de entrar com mandado de segurança no STF contra a forma como a proposta de redução da maioridade penal foi aprovada pelo Plenário. “O Supremo no máximo analisa a constitucionalidade ou não do produto acabado, que é a lei final. Mas é direito de todos questionar a decisão, faz parte da democracia”, acrescentou Cunha.

Ele destacou que a matéria rejeitada na madrugada de quarta-feira (1º) foi um substitutivo, ficando resguardada a proposta original (PEC 171/93), votada na madrugada de quinta. Os deputados que questionam a votação citam o artigo 60 da Constituição, segundo o qual matéria constante de proposta de emenda rejeitada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa. “Acontece que não é a mesma matéria. É uma matéria da qual foi votada o substitutivo. Esse substitutivo foi rejeitado. Resta a proposta original com as sua emendas e seus destaques e as suas apensadas. Foi isso o que aconteceu", disse o presidente.

Precedente

Eduardo Cunha apresentou parecer do próprio Supremo que julgou, em 1996, uma situação semelhante e declarou a medida constitucional. No acórdão, o STF definiu que, no caso de a Câmara dos Deputados rejeitar um substitutivo, e não o projeto original, não se aplica o artigo 60 da Constituição. “Afastada a rejeição do substitutivo, nada impede que se prossiga a votação do projeto original”, salientou, citando a decisão.


O texto aprovado pela Câmara é uma emenda dos deputados Rogério Rosso (PSD-DF) e Andre Moura (PSC-SE) à PEC 171/93, prevendo a redução da maioridade penal, de 18 para 16 anos, nos casos de crimes hediondos (estupro, sequestro, latrocínio, homicídio qualificado e outros), homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte. Foram 323 votos a favor e 155 contra, em votação em primeiro turno. O Plenário precisa ainda analisar a matéria em segundo turno. (Agência Câmara)

Fundamentos da Guerra Popular Prolongada

Por Carlos I.S. Azambuja

Em uma publicação, editada clandestinamente pelo Partido Comunista do Brasil, em 1976, sob o título “Manual de Capacitação”, poderão ser encontrados os fundamentos definidos pelo partido para a Guerra Popular Prolongada. O fato inusitado é o de que esse “Manual”, quando foi difundido às bases do partido, a Guerrilha do Araguaia já havia sido, há mais de um ano, totalmente desmantelada com a prisão, morte, desaparecimento ou deserção de todos os seus integrantes, mas a direção do partido, com o indefectível sr João Amazonas à frente, relutava em divulgar a derrota às bases do partido.


Isso só foi feito, oficialmente, em agosto de 1976, apesar do PC do B ter prosseguido, até essa data, na tarefa de capacitar os jovens militantes do partido, cooptados principalmente no chamado Movimento Estudantil, através da União da Juventude Patriótica, entidade criada pelo partido, na tática da violência armada.

Muito embora, em 1976, o rompimento do PC do B com o Partido Comunista da China também já estivesse concretizado, o “Manual de Capacitação” tinha como base citações tiradas de documentos do Partido Comunista da China, além de transcrever frases inteiras atribuídas ao “revisionista” (como foi tachado pelo PC do B) Mao-Tsetung.

O capítulo “O Caminho da Revolução”, por exemplo, é iniciado com uma frase de Mao-Tsetung: “A experiência da luta de classes na época do imperialismo mostra que a classe operária e as massas trabalhadoras não poderão vencer as Forças Armadas da burguesia e dos latifundiários senão por meio do fuzil. Neste sentido, pode-se dizer que não é possível transformar o mundo a não ser com o fuzil”.

Esse capítulo, após “justificar” a necessidade do caminho armado, relaciona os fatores favoráveis e desfavoráveis à violência armada.

Lista como “fatores favoráveis”:
  • -Estado de Subdesenvolvimento - Apesar de ser uma nação única, o Brasil na realidade aparece como o Brasil das grandes cidades, com relativo desenvolvimento econômico e cultural, e o Brasil do interior, quase totalmente abandonado. No país atua um partido marxista-leninista que acumulou uma experiência revolucionária rica e passou pela prova de uma acirrada luta ideológica contra o oportunismo e o revisionismo. O Brasil tem dimensões continentais que possibilitam um imenso campo de manobra.
Entre os “fatores desfavoráveis”, aponta os seguintes: 
  • as Forças Armadas, principal instrumento de opressão do povo são, em certa medida, poderosas. O povo brasileiro não possui ainda suas forças armadas revolucionárias e, nas últimas décadas, sua experiência de luta armada é muito limitada. Contrariamente ao que ocorria antes de 1930, atualmente predomina de forma total a influência norte-americana.
  • O inimigo forte, a ausência de forças armadas populares e o predomínio da influência norte-americana são fatores desfavoráveis e indicam que a luta no Brasil será dura e prolongada. Mas tais fatores são transitórios. De modo contrário, os fatores favoráveis atuam de maneira permanente e tendem a influir de forma positiva. 
  • Os fatores favoráveis e os desfavoráveis inerentes à realidade brasileira são, portanto, elementos essenciais para definir o caminho da luta armada  assim como os aspectos básicos da guerra revolucionária no Brasil”.

A seguir, o capítulo detém-se na análise das “Características Principais da Guerra Popular”: 
  • em face da brutalidade do imperialismo norte-americano e da reação interna, do poderio que detêm em suas mãos, a vitória popular só será alcançada através da Guerra Popular;
  • a Guerra Popular é o caminho para a emancipação dos povos oprimidos nas novas condições do mundo. É o caminho da luta armada que, paulatinamente, vai-se estendendo até abarcar a esmagadora maioria do povo;
  • quando o imperialismo norte-americano interfere a ferro e fogo em toda parte, somente uma luta que englobe o povo em seu conjunto poderá ter pleno êxito;
  • a revolução assumirá o aspecto de Guerra Prolongada, travada fundamentalmente no interior, que se inicia por pequenos grupos guerrilheiros, cria bases de apoio no campo e se orienta para incorporar à luta grandes massas da população. As cidades, no entanto, cumprirão importante função, apoiando concretamente as ações guerrilheiras no interior e coordenando com estas lutas suas ações urbanas de diferentes tipos;
  • a concepção de Guerra Popular pressupõe intenso trabalho político e de organização entre as massas e implica na necessidade de organizar as Forças Armadas Populares a partir de pequenos núcleos de combatentes, no amplo emprego da tática da guerra de guerrilhas e na criação de bases de apoio no campo. Envolve a compreensão de que os camponeses pobres e os assalariados agrícolas constituem o grosso das Forças Armadas Populares, que o cenário principal dos choques armados é o interior do país e que a luta será dura e prolongada;
  • quanto mais regiões se vejam obrigadas a ocupar, as tropas da reação mais dispersarão suas forças e com isso acelerarão seu debilitamento, pois serão forçadas a subdividir-se, ficando expostas aos golpes dos revolucionários;
  • a guerra revolucionária exige uma orientação política e uma linha militar justas, uma direção firme, audaz e com capacidade para guiar-se acertadamente em todas as situações, com ampla visão política e domínio da arte militar. Reclama, portanto, um intenso trabalho ideológico entre as massas e, especialmente, entre os combatentes.

Depois, o Manual sintetiza “as principais características da Guerra Popular no Brasil”:
  • deve abarcar a esmagadora maioria do povo;                         
  • será dura e prolongada;
  • será iniciada pela guerra de guerrilhas, num quadro de defensiva estratégica;
  • deve construir o Exército Popular, capaz de travar a guerra regular e empreender batalhas decisivas;
  • deve construir bases de apoio no campo, centro principal da guerra;
  • deve apoiar-se nos próprios esforços;
  • deve orientar-se por uma política correta e ter a política (ou seja, o partido) no comando.
O capítulo “O Caminho da Revolução” prossegue, definindo os fatores fundamentais da Guerra Popular Prolongada
  • para aniquilar as forças vivas do inimigo, será preciso mobilizar, organizar e armar milhões de brasileiros e ganhar poderio e experiência. Isso implica em um imenso trabalho político e ideológico objetivando arrancar as massas da influência dos latifundiários e da burguesia;
  • a duração da Guerra Popular será determinada pela maior ou menor mobilização do povo, pelo grau de sua participação na luta e pela maior ou menor capacidade de combate do inimigo ante as forças revolucionárias;
  • para fazer vitoriosa a revolução em todo o país é necessário destruir as Forças Armadas dos reacionários e também as numerosas tropas norte-americanas que, sem dúvida, serão enviadas ao Brasil. A tarefa de derrotar inimigos tão poderosos encerra dificuldades e, portanto, demandará um longo período.

Sobre a Guerra de Guerrilhas, diz o Manual:
  • a guerra de guerrilhas será a forma principal de luta na fase inicial da Guerra Popular. Através desse tipo de luta é que se poderá iniciar a ação armada contra os inimigos da Nação e começar a estruturar as Forças Armadas Populares;
  • a força guerrilheira só poderá crescer apoiando-se nas massas, conquistando-as para a revolução, fincando raízes profundas entre os habitantes da área onde atua, através da ajuda aos trabalhadores do campo para resolver suas dificuldades; da defesa que fizerem contra as violências de jagunços e soldados da reação; da elevação da consciência política desses trabalhadores; do estímulo à sua organização para a luta;
  • a guerrilha deve ter conteúdo de massas e objetivos políticos claros. Porém, se esses objetivos não corresponderem aos interesses e sentimentos da população, a guerrilha não contará com seu apoio e terminará por ser destruída;
  • a guerra de guerrilhas só poderá desenvolver-se tendo em conta: a força e a situação do inimigo; a topografia do terreno; as vias e meios de comunicação; o estado de ânimo da população em determinado momento; e a situação concreta das forças guerrilheiras;
  • Mao-Tsetung sintetizou a tática da guerrilha da seguinte forma: quando o inimigo ataca, retrocedemos; quando acampa, o fustigamos; quanto está fatigado, o atacamos; e quando se retira, o perseguimos;
  • como desdobramentos da tática de guerrilhas devemos evitar o ataque aos pontos fortes do inimigo e atacar seus pontos débeis; assegurar sempre liberdade para avançar e retirar-se; estar preparado para empenhar-se em rápidos combates de decisão imediata;
  • os guerrilheiros atuarão em áreas determinadas, tratando de construir bases de apoio.
Sobre o “Exército Popular”, novamente o PC do B recorre aos ensinamentos de  Mao-Tsetung:
  • Mao-Tsetung, o grande mestre da guerra popular, ensina que sem exército o povo nada terá. Somente construindo o Exército do Povo poder-se-á travar combates decisivos para a tomada do poder.
Para derrotar as Forças Armadas da reação, assim como as tropas imperialistas norte-americanas, o povo deverá forjar a arma capaz de aniquilá-las. Essa arma será o Exército Popular. O Exército Popular terá que ser um exército constituído fundamentalmente pelas camadas mais pobres da população. Estará a serviço do povo e será completamente diferente do atual exército da reação. Será guiado por uma disciplina consciente e seus componentes deverão ser exemplos de heroísmo, desprendimento e devoção à causa revolucionária.


Há diferenças sensíveis entre as unidades do Exército Popular e os destacamentos guerrilheiros, embora estes sejam os embriões daquelas. Eventualmente, o exército guerrilheiro poderá adotar a tática de guerrilhas e empregar suas unidades como destacamentos guerrilheiros a fim de travar pequenos combates de aniquilamento, para desgastar e desintegrar o inimigo.

Política da Guerra Popular:
  • sem uma orientação política justa, a Guerra Popular não poderá alcançar êxito. Sendo uma guerra de massas, ela deverá expressar as aspirações mais sentidas do povo;
  • o objetivo principal da Guerra Popular é livrar o país do domínio norte-americano, das velhas estruturas que obstaculizam o progresso do Brasil e do atual regime reacionário. A Guerra Popular está destinada a criar um governo popular revolucionário que assegure a independência nacional, as liberdades para o povo, cultura e bem-estar para as massas, terra para os camponeses, e o pleno desenvolvimento econômico da Nação;
  • na presente situação, em que predomina a odiosa ditadura militar, a Guerra Popular deve levantar bandeiras bem amplas e constituir-se realmente na grande esperança da maioria dos brasileiros;
  • nas áreas onde obtenha a vitória, a Guerra Popular criará o Poder Popular e executará seu programa;
  • exemplo de programa de luta da guerra popular é o programa da União pela Liberdade e os Direitos do Povo, organização criada pelas Forças Guerrilheiras do Sul do Pará.

Manual contém também um grande capítulo denominado “O Partido e suas Tarefas Básicas”. Nesse capítulo, “o campo” é considerado “um problema estratégico da revolução”. Essa afirmação é assim justificada:

A experiência de meio século revela que o campo é o problema-chave da revolução, pois, para alcançar a vitória, a revolução tem que contar com o apoio e a ação do campesinato.

Depois de sua reorganização (o que ocorreu em fevereiro de 1962), o partido decidiu situar o centro de gravidade de seu trabalho no interior.

A VI Conferência (realizada em 1966) salienta que o campo é o cenário principal onde poderá surgir e se desenvolver a revolução.

As massas camponesas representam imenso potencial capaz de proporcionar a massa principal de combatentes da guerra popular.

No interior é onde são mais débeis as Forças Armadas reacionárias. Estas não contam com suficientes efetivos militares para ocupar vastas áreas rurais.

No interior, as Forças Armadas Popularesterão à sua disposição um amplo campo de manobra que lhes permitirá evitar o cerco, acampar e acumular forças e assegurar a sobrevivência dos grupos combatentes no difícil início da Guerra Popular.

A aliança operário-camponesa é condição fundamental para assegurar a hegemonia do proletariado.

Garantir a participação ativa do campesinato na Guerra Popular é uma condição básica porque o campesinato é a força motriz principal; só ganhando os camponeses é possível garantir que o interior constitua um amplo campo de manobra das Forças Armadas Populares; o campesinato é o contingente principal para construir as Forças Armadas Populares; sem contar com o campesinato não se pode pensar em construir bases de apoio e travar uma Guerra Prolongada.

O início da luta armada é um processo que demanda soluções justas e adequada preparação política. Mesmo que a situação esteja madura para iniciar a luta armada, é necessário que os combatentes já tenham forjado sólidos vínculos com as massas da região e conheçam perfeitamente o terreno em que vão atuar, e que este, por suas condições geográficas, seja favorável às forças revolucionárias e desfavorável para o inimigo.

Todos os militantes do partido têm o dever de ocupar-se com os problemas que se relacionam diretamente com a guerra popular e estar em condições de serem mobilizados para a luta. Sendo a Guerra Popular uma tarefa de todo o povo, é, em especial, uma tarefa de todo o partido. Não é um trabalho exclusivo de alguns setores partidários ou, como pensa o inimigo, de alguns especialistas. Todos os membros do partido devem atuar em função da Guerra Popular.

Sintetizando, a preparação da luta armada compreende os seguintes aspectos principais:
  • Ideológico e Político, com a revolucionarização dos métodos e estilos de trabalho e construção de um partido de combate para a guerra;
  • De Massa, forjando a ligação estreita com as massas e estabelecendo vínculos sólidos com elas, despertando sua consciência política, ganhando as massas para a revolução, mobilizando-as e organizando-as para a guerra;
  • De Organização, formando contingentes de quadros políticos e militares, realizando uma política de distribuição do contingente de quadros de acordo com os planos de concentração, e aplicando o sistema de direção coletiva;
  • Militar, construindo as Forças Armadas Populares, organizando a infra-estrutura do apoio militar (esconderijos, obtenção de armas e recursos materiais, sistemas de comunicação, informações, serviço de saúde, etc), organizando o estudo, o treinamento militar e o comando militar,  e estudando a situação militar, o inimigo e estabelecendo os planos militares.

Finalmente, o Manual dedica-se aos temas da “Construção de um Partido de Combate” e das “Forças Armadas Populares”. Este segundo tema, o mais importante para os objetivos deste trabalho, divide-se em “Construção do Exército Popular” e “Construção dos Grupos Combatentes Guerrilheiros”.

- Construção do Exército Popular:


A guerra de guerrilhas, ao se desenvolver, chegará o momento em que os grupos armados aumentarão de tal modo em número e capacidade de combate, que se tornará possível o emprego de unidades militares a nível de companhia, batalhão, regimento, etc. Será formado, então, o Exército Popular.



O Exército Popular somente poderá surgir no curso da própria luta. Seus embriões serão os pequenos Grupos de Combate que empregarão o método da guerrilha.


A guerra de guerrilhas é o meio pelo qual os grupos de combatentes, inferiores em número e armas, conseguirão vitórias e irão se transformando, paulatinamente, num exército regular.

O Exército Popular terá que ser um exército constituído, fundamentalmente, pelas camadas mais pobres da população. Estará a serviço do povo e será completamente diferente do atual exército da reação. 

O Exército Popular surge no momento em que a guerra de guerrilhas e os destacamentos guerrilheiros atingem determinado grau de desenvolvimento. Dessa forma, a construção do Exército Popular passa primeiro pela construção dos grupos combatentes de guerrilhas e dos grupos armados locais.

Mesmo depois que o Exército Popular comece a operar como unidade de exército regular, os outros tipos de organização das Forças Armadas Populares continuarão em atividade.

- Construção dos Grupos Combatentes Guerrilheiros:

A guerra de guerrilhas é o instrumento adequado para iniciar a luta armada e o ponto de partida para a construção do Exército Popular.

A guerrilha deve ter um caráter organizado, contar sempre com uma firme direção política e militar, e com um trabalho político e ideológico permanente.

A guerrilha precisa contar com homens firmes e de grande lealdade ao povo. Homens com consciência revolucionária e confiança em si mesmos, que sejam perseverantes, que tenham certo conhecimento de organização, capacidade para ligar-se às massas e vigilância contra a atividade desagregadora do inimigo.

O espontaneismo e a indisciplina são incompatíveis com os grupos guerrilheiros, que devem ser homogêneos e de grande poder combativo.


Por ser voluntária e consciente, a disciplina na guerrilha deve ser inflexível.

As ordens emanadas do comando deverão ser cumpridas incondicionalmente.


A propaganda revolucionária no interior terá que ser, em boa parte, levada a efeito por elementos capazes de defender-se da perseguição dos reacionários. Os propagandistas devem conhecer bem a região e seus habitantes e estar em condições de não se deixar prender e aniquilar.

O objetivo principal dos grupos de propaganda armados é despertar as massas para a luta em defesa de seus interesses, ajudá-la a organizar-se, ganhá-las para a idéia da Guerra Popular e, de uma ou outra forma, incorporá-la à luta revolucionária.

Os grupos combatentes guerrilheiros, ainda que devam ter grande mobilidade, pois não se ocuparão da defesa de territórios, nunca serão grupos errantes. Tendo como preocupação principal ganhar a massa para a revolução, tratam de fincar raízes profundas entre os habitantes da área em que atuam.

Em todas as oportunidades, o guerrilheiro prestará ajuda ao povo, jamais causará dano aos bens das massas e estabelecerá adequadas relações com os prisioneiros.

O grupo guerrilheiro procurará aperfeiçoar-se no manejo das armas, tiro, engenharia militar, passagem de obstáculos, organização de acampamentos, conhecimento do terreno, eliminação de rastros, orientação das marchas, e cuidará da sua orientação política e ideológica. Sua preparação física merecerá particular atenção.

A guerrilha sobreviverá às tentativas do inimigo para destruí-la se tiver o apoio das massas, assim como grande mobilidade para impedir o cerco. Deve saber ocultar-se, cortar contato com o inimigo e romper o cerco quando este ocorrer, assim como contar com refúgios seguros.

Os grupos combatentes de guerrilheiros podem ser de vários tipos e tamanhos, dependendo das circunstâncias. Diferenciam-se das Forças Armadas Guerrilheiras por estarem desligados da produção (apesar de participarem, de certo modo, do trabalho produtivo) e por atuarem abertamente como guerrilha. Por outro lado, seu raio de ação é muito mais amplo.


Cabem algumas considerações a respeito da doutrina científica do partido, extraída dos manuais chineses, para a Guerra Popular Prolongada:

  • no texto sobre a “Guerra de Guerrilhas”, diz o Manual que a guerrilha só poderá crescer apoiando-se nas massas, conquistando-as para a revolução e fincando raízes profundas entre os habitantes da área onde atua. 
  • Os guerrilheiros do Araguaia procuraram seguir esses ensinamentos, porém nunca conseguiram conquistar as massas para a sua revolução, muito embora, quando do inicio das hostilidades, em abril de 1972, já se encontrassem na região há cerca de 6 anos;
  • ainda em “Guerra de Guerrilhas”, o Manual é objetivo, quando assinala que “a guerrilha deve ter objetivos políticos claros”, porém, se esses objetivos não corresponderem aos interesses e sentimentos da população, “a guerrilha não contará com seu apoio e terminará por ser destruída”;
  • como “exemplo de programa de luta da Guerra Popular”, é mencionado o programa da “União pela Liberdade e os Direitos do Povo, organização criada pelas Forças Guerrilheiras do Sul do Pará”, entidade que nunca funcionou e que, quando o Manual foi editado, em 1976, a guerrilha não mais existia.
Sobre o papel do campesinato na Guerra Popular, o Manual assinala que a sua participação é uma “condição básica”, pois ele é a “força motriz principal” e que só ganhando os camponeses para a causa será possível constituir “um amplo campo de manobra para as Forças Armadas Populares”.  Nesse sentido, cabe registrar que as tais Forças Armadas Populares também nunca chegaram a ser constituídas, pois a “condição básica” para que isso se tornasse possível, mencionada pelo Manual, nunca chegou ou sequer esteve perto de ser concretizada.

Ao relacionar as condições necessárias à “Preparação da Guerra Popular”, diz o Manual que “o início da luta armada é um processo que demanda soluções justas e adequada preparação política e militar”.Ora, segundo se pode verificar no Relatório Arroio (Anglo Arroio, membro da “Comissão Militar” que dirigia a guerrilha), justamente a ausência total de “soluções justas”, bem como de uma “adequada preparação política e militar”, foram as causas do fracasso no Araguaia.

Finalmente, sendo a Guerra Popular considerada pelo Manual “uma tarefa de todo o povo e, em especial, de todo o partido”  essa pode ser também definida como uma das causas fundamentais do fracasso da experiência  do Araguaia, uma vez que em nenhum momento todo o povo  e nem todo partido esteve engajado na guerrilha, mesmo porque as bases partidárias nunca tiveram conhecimento do que ocorria no Araguaia, um projeto sigiloso, desde o primeiro momento, levado a cabo pelo grupinho seleto de dirigentes que integravam a Comissão Executiva Nacional do partido.


Somente em agosto de 1976, através do documento “Gloriosa Jornada de Luta”, publicado no jornal do partido, “A Classe Operária”, os militantes seriam informados do fracasso do Araguaia. Então, há mais de um ano, a gloriosa jornada de luta já havia sido desmantelada.  Observe-se que o documento “Gloriosa Jornada de Luta” é de autoria da Comissão Executiva Nacional e foi publicado à revelia do Comitê Central, sofrendo, por esse motivo, inúmeras críticas da maioria dos membros deste coletivo dirigente.


Quando do desmantelamento da reunião da Comissão Executiva Nacional e do Comitê Central, na Lapa, São Paulo, em 11/16 de dezembro de 1976, pelos Órgãos de Inteligência, esse tema foi um dos discutidos e, segundo anotações apreendidas no local, a maioria dos presentes à reunião condenou o documento publicado, considerado incompatível com as opiniões já manifestadas pela maioria dos membros do CC.

Somente ELZA DE LIMA MONERAT, que havia estado no Araguaia, fez a defesa do documento, assinalando que “o Araguaia é exemplo de luta armada no campo”. Os demais, assim se referiram à guerrilha:

HAROLDO BORGES RODRIGUES LIMA: “A experiência da guerrilha teve caráter voluntarista e não foi expressão de luta dos camponeses locais”;

JOÃO BATISTA FRANCO DRUMOND: “Havia condições objetivas favoráveis à luta armada, porém o PC do B não estava em condições de dar resposta a elas (...) A luta armada é uma questão-chave e precisa ser resolvida mediante uma autocrítica política, ideológica e militar (...) A Comissão Executiva deveria ter submetido o documento ao CC antes de publicá-lo”;

WLADIMIR POMAR: “A simpatia de 90% da população aos guerrilheiros, (referida no documento “A Gloriosa Jornada de Luta”) não se manifestou em termos de sólido apoio político e participação. Falta à direção do partido coragem política e ideológica para a autocrítica. É preciso chegar às causas mais profundas da derrota e levar o debate ao coletivo partidário”;

JOSÉ GOMES NOVAIS: “O texto ‘Gloriosa Jornada de Luta’ não deixa claro que a guerrilha foi derrotada. A causa principal da derrota é de natureza política e não militar, pois há uma grande diferença entre o apoio das massas e a participação das massas (...) O programa das Forças Guerrilheiras do Araguaia foi divulgado somente depois que a luta teve início. A concepção de guerra popular que predominou é incorreta”;

PEDRO VENTURA DE ARAUJO POMAR (um dos dirigentes da guerrilha, membro da “Comissão Militar”): “Não aceito a versão de que a resistência ao Exército partiu dos moradores. É patente que se travou não uma guerra popular, mas uma guerra particular, conduzida por um pequeno grupo de especialistas. Produto de uma concepção de fundo nacional-burguês, ela expressou não os pontos de vista da classe operária e do campesinato, mas o ponto de vista da pequena burguesia”;

ÂNGELO ARROIO (um dos defensores da experiência do Araguaia e integrante da “Comissão Militar” que dirigia a guerrilha): “O erro foi militar. Subestimar as forças armadas do regime”.

Assim, como escreveu Pedro Estevam da Rocha Pomar, autor do livro “Massacre na Lapa”, “a caracterização de uma ampla maioria no debate sobre o Araguaia, maioria crítica em relação à soma de concepções que deu origem à Guerrilha é uma exigência categórica a cumprir por quem se dispuser a refazer a história do PC do B nas décadas de 70 e 80 (...) A reunião da Lapa representou o ápice da crítica à Guerrilha”. 




Fonte: Aleta Total

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Carlos I.S. Azambuja é Historiador.