Intervenção militar. Alguns
dedicam sua vida a lutar por isso. Outros, mesmo se opondo ao governo atual,
lutam contra. O que aconteceria com o Brasil se as Forças Armadas resolvessem intervir?
Por Revista Sociedade Militar
Todos os dias recebemos e-mails manifestando o desejo de que
seja dado um basta na corrupção que assola o Brasil. É cada vez maior o número
de pessoas que, decepcionadas pelo nível de corrupção a que chegamos, defende
que seja realizada uma ação rápida dos militares que, em conjunto com polícia
federal, ministério público e poder judiciário, retirariam das instituições
chave do país todos os governantes ligados à desvios de verba, favorecimentos
ilícitos, nepotismo e qualquer outra prática irregular. Esse grupo alega que
uma ação desse tipo está prevista na constituição federal de 1988, por isso o
que pedem é uma “Intervenção Militar Constitucional”. Ha outro grande grupo que, embora tenha ido
para as ruas defender o impeachment e apuração sumária de toda as
irregularidades ocorridas em casos como mensalão e Petrobras, acredita que
ainda ha tempo de moralizar o país sem a ajuda das Forças Armadas.
No final de 2014 os dois grupos chegaram a se enfrentar
verbalmente nas ruas, cada um gritava palavras de ordem diferentes em
manifestações realizadas no mesmo dia e lugar. Os intervencionistas se sentem
discriminados e, enquanto acusam grupos como Revoltados Online e Vem Pra Rua de
traidores, vira casaca etc., recebem a alcunha de golpistas, de serem aqueles
que ajudam a esquerda a se manter onde está e de fornecer à imprensa nacional e
internacional motivos para chamarem o movimento popular atual, de golpista.
Os dois grupos na verdade admitem a hipótese de intervenção
militar. O primeiro deseja uma intervenção urgente, enquanto o segundo diz
acreditar que é necessário tentar todos os meios democráticos possíveis antes
de recorrer aos militares.
Olavo de Carvalho, um dos mentores do movimento de oposição,
tem algumas posições interessantes sobre Intervenção Militar e mobilização
popular.
Olavo também diz que: “Essa questão de “intervenção
militar” é das mais complicadas. MORALMENTE, cada militar deve sentir, no
coração, o dever de realizá-la. POLITICAMENTE, é realmente um absurdo clamar
por intervenção militar antes de haver esgotado todos os outros meios de
ação...“
O filósofo diz que os
militares têm se omitido em relação a defesa de suas próprias instituições: “Antes de pedir “intervenção
militar”, teria sido necessário pedir que as Forças Armadas tivessem ao menos a
hombridade de defender-se a si mesmas na Justiça contra os seus detratores.“

*Nota: Recebemos
solicitações para que esse artigo, publicado ha alguns meses, fosse atualizado
e republicado. Se você vai às ruas, ou apóia quem vai, saiba o que está
pedindo. Esse espaço é frequentado por pessoas inteligentes e amantes da
democracia, cremos que compreenderão perfeitamente as colocações feitas, bem
como as implicações advindas da sua decisão. Afinal, em um espaço democrático
todas as faces do problema podem, e devem ser abordadas. Todas as opiniões
devem ser levadas em consideração e respeitadas.
Nos últimos meses o
debate entre direita e esquerda alcança proporções jamais vistas no país. A
direita, antes calada, começa a sair de dentro de suas casas, e para surpresa
de muitos, percebe-se que compõe uma parcela bastante significativa da
sociedade, gente que está cada vez mais disposta a expor sua opinião e até ir
para a rua se manifestar publicamente. Essa polarização cada vez mais radical
da sociedade foi criada pelo próprio governo atual, que insiste em trazer à
tona, a sua maneira, fatos ocorridos no passado. Por último, como artifício
eleitoreiro, a esquerda tentou jogar a população do sul contra a do norte. A
tentativa de evitar que a população do Norte e Nordeste votasse em outro
candidato que não o do Partido dos Trabalhadores acabou por deixar no ar um
ranço antes inexistente entre “sulistas” e “nortistas”.
Ora, o país não é
formado somente de pessoas que se manipula por meio de assistencialismo, muitos
tem percebido claramente a vil intenção de mudar a história, negando as
atrocidades cometidas pelo grupo que desejava impor o comunismo ao Brasil, e
responsabilizando unicamente a direita, os militares e até o governo de FHC,
que terminou já fazem 12 anos, por tudo de ruim que existe no país. Querem
transformar heróis em vilões e vice-versa.
No dia 22 de março de
2014 milhares de pessoas insatisfeitas com o governo foram às ruas em algumas
capitais, em memória da Marcha da Família com Deus, que antecedeu a intervenção
militar de 31 de março de 1964. Que impediu que o país fosse lançado num
período de atrocidades e massacres, que ocorreram em todos os países
comunistas. Esse agrupamento foi uma das primeiras mobilizações físicas da
grande reação popular contra a esquerda que já ocorria no meio virtual ha
vários meses.
As manifestações
obtiveram pouca cobertura da mídia, como já era previsto. Contudo, a
mobilização na internet, que precedeu o ato, cresceu abruptamente, a ponto de
alguns grupos e comunidades no facebook contarem hoje com mais de 500 mil
membros.
Os mobilizações dai
por diante ocorreram diversas vezes nos meses subsequentes. O movimento hoje,
com um viés diferente, está bem melhor organizado e em um processo acelerado de
crescimento, que já assusta bastante a esquerda nacional.
O movimento de oposição
se mantem diuturnamente aceso nas redes sociais e já contribuiu para que Dilma
quase não fosse re-eleita. Grupos como Revoltados Online e Pesadelo Dos
Políticos alcançaram um número gigantesco de membros nas comunidades no
Facebook.
Oito meses após as
manifestações de março, logo depois das eleições, o povo volta para as ruas.
Dessa vez os manifestantes estão em maior número. Nas suas manifestações havia
carros de som e faixas bem articuladas e impressas. As manifestações foram
transmitidas ao vivo pela internet, e mesmo de forma artesanal, foram
assistidas por milhares de pessoas.
Nota-se que
finalmente a sociedade esclarecida está se mobilizando. O movimento é benéfico,
virtuoso, e tem possibilidade de dizer ao mundo que a democracia brasileira tem
sido um fracasso.
Em meio ao movimento
ainda há uma quantidade razoável de pessoas que prefere um tipo de “RESET” no
Brasil, um começar de novo. Estes desejam que algum dos Poderes, conforme
prescreve a CF1988, convoque as Forças Armadas pra intervir, fechando o
Congresso Nacional e afastando a Presidente atual. Esse grupo diuturnamente
povoa páginas de assuntos militares e segurança pública e as redes sociais das
Forças Armadas, postando mensagens de incentivo ao que chamam de “intervenção
militar constitucional”
Como seria essa
“intervenção”, seria realizada legalmente, baseada em provas palpáveis e
acusações formais contra membros do governo, como a Presidente e o
Vice-presidente? Os militares conseguiriam intervir sem disparar um único tiro,
ou o sangue de nossos compatriotas – de esquerda, de direita ou sem
posicionamento político, mas cooptados por um dos lados – seria derramado em
nossa própria terra?
Sabe-se que as coisas
chegaram ao nível em que estão, de uma forma gradual, com a colaboração da
própria passividade do povo brasileiro. Alguns dizem que os militares foram
responsáveis pela própria sociedade perder o costume de ir ás ruas. Ao longo
das últimas duas décadas permanecemos quietos em nossas casas, gozando de nosso
conforto e assistindo do sofá a destruição de pilares como patriotismo,
família, honestidade e honra. A sociedade esclarecida cuidou muito bem de sua
própria vida e, enquanto seus interesses não eram atingidos diretamente,
permaneceu quieta.
Se houvéssemos nos
mobilizado para que o país não fosse dominado pelas mesmas pessoas que tentaram
destruí-lo no passado, não estaríamos agora discutindo uma questão tão grave.
Tardiamente percebeu-se que a classe política poderia atirar o país no caos
completo.
Creio que a maioria
concorda que permanecemos numa espécie de hibernação política enquanto os
inimigos da liberdade agiam em altíssima velocidade.
Imaginemos uma
situação hipotética, em que algum dos poderes, o Supremo Tribunal Federal por
exemplo, alertado pela multidão, chegue a mesma conclusão que os manifestantes intervencionistas e convoque as Forças Armadas para
agir, fechando o Congresso e prendendo a Presidente. O que virá a seguir? Serão
tempos de paz ou de guerra?
É difícil acreditar
que o Supremo ou o legislativo federal acionem as Forças Armadas. Não há
indícios de que há qualquer justificativa constitucional para que isso ocorra.
Some-se a isso o fato do supremo ter vários ministros indicados pelo Partido
dos Trabalhadores e o Congresso ter maioria esmagadora de governistas. Porém, ainda
assim, abaixo há uma visão panorâmica, hipotética, dos primeiros dias após uma
suposta intervenção realizada pelas Forças Armadas.
Intervenção militar.
O que aconteceria com o Brasil se as Forças Armadas resolvessem intervir?
Como uma das
primeiras ações, uma tropa de elite, do Exército ou da Marinha, silenciosamente
entraria no Palácio do Planalto ou, mais provavelmente, no Palácio do Alvorada
– o que seria mais discreto – e colocaria sob custódia a atual Presidente do
Brasil. No primeiro dia ela seria mantida em um local ignorado, um quartel ou
talvez um navio, para evitar manifestações e tentativas de resgate. O
vice-presidente talvez também fosse detido.
Alguém avisaria a
imprensa e a notícia se espalharia pela internet como um rastilho de pólvora.
Num primeiro momento países como Venezuela e Cuba emitiriam notas de indignação
e insistiriam para que a ONU e os Estados Unidos se posicionassem contra o
governo instaurado provisoriamente no Brasil.
Obviamente os
militares, para angariar apoio popular, teriam de tornar pública uma lista
detalhada e incontestável de acusações contra os políticos retirados de seus
cargos, listando ainda os prejuízos que tais atos causaram ao país. Contudo,
ainda assim, muito provavelmente a Força Nacional será acionada rapidamente por
membros do governo e do poder legislativo, que é majoritariamente fiel ao
Partido dos Trabalhadores.
Ministros de estado
também tem poder de acionar a Força Nacional.
Essa força, caso
optasse por defender o governo destituído, cercaria o Congresso rapidamente,
tentando impedir que o Exército assumisse o controle da instituição. O
exército, muito melhor armado, relutaria em usar armamento pesado e insistiria
para que as tropas fieis ao governo destituído entregassem suas armas pacificamente.
É provável que diante de demonstrações de seriedade por parte das Forças
Armadas, ainda no primeiro dia a Força Nacional, formada também por
militares, entrasse em acordo com líderes das Forças Armadas.
Alguns estados que
possuem governos de esquerda acionariam prontamente suas polícias militares e
estas, colocadas de prontidão, guardariam as instituições públicas, como
palácio dos governos estaduais, prefeituras e Assembleias Legislativas.
A maioria dos
comandantes de polícias militares chegou ao comando por indicações políticas.
Portanto, devem fidelidade aos governadores de estado. Ainda assim, alguns
comandantes de quartéis de polícia hesitarão, bem como alguns oficiais de menor
patente, e é quase certo que haverá quebra de hierarquia em várias instituições
militares em vários estados da federação.
As associações de
policiais também escolheriam um ou outro lado, e certamente haverá muita
confusão entre oficiais e praças. Sindicatos fieis ao governo, juntos com
movimentos sociais, com toda certeza paralisarão meios de transporte,
refinarias e sistemas de comunicação. E os militares não teriam gente
suficiente para suprir essas lacunas nas primeiras semanas após a intervenção.
É certo que faltaria
transporte e alguns itens básicos para a população. A população seria
aconselhada a permanecer em casa e somente membros de serviços essenciais, como
hospitais e centrais de água e esgoto, permaneceriam trabalhando.

Nas áreas rurais redes de energia seriam sabotadas para desestabilizar o governo provisório. Escolas e hospitais funcionariam precariamente por algum tempo. O governo talvez se sentisse forçado a intervir na internet para frear a organização dos opositores.
Por
medo da escassez a população correria às compras e as prateleiras dos
supermercados se esvaziariam em poucos dias. É possível que, por conta do caos
generalizado, carência de itens básicos e intensa propaganda ideológica, parte
da população, ainda nos primeiros dias, demonstre insatisfação contra os
militares, e se some àqueles que se posicionam contra a ação das Forças
Armadas, engordando mais ainda as manifestações nos grandes centros urbanos.
Outras medidas
rígidas e impopulares, como censura e fechamento de emissoras de rádio e TV,
sem dúvida se seguiriam ao ato, para evitar que a esquerda novamente manipule a
sociedade. A esquerda então usaria artifícios como rádios pirata e impressões
clandestinas, e em declarações sentimentais e nostálgicas, evocando os anos 70,
diriam ao povo que os militares “deram o golpe” novamente, que “fizeram o mesmo
que em 1964″, convocando o povo para “fazer parte da história” e ir à luta pela
“liberdade e democracia”.
Os líderes dos
movimentos apelariam para a emotividade, criando nos jovens manipulados um
sentimento de que são uma espécie de resistência democrática, similar a que a
esquerda diz que foi no passado. Cantariam “hinos” como: “Caminhando contra o vento…” e "Bem
vamos embora que esperar não é saber…”
As forças armadas
reprimiriam as manifestações, mas como certamente haverá policiais e agentes de
segurança ainda fieis ao governo em meio aos insatisfeitos, haveria muita
violência, feridos e mortos de ambos os lados.
É quase certo que o
Brasil enfrentaria um longo período de caos generalizado, talvez por muitos
meses, ou anos. Pelas proporções continentais do país, é impossível prever os
desdobramentos dessa questão. Ha grande risco de solução de continuidade da
federação.
A princípio os
militares não acionariam reservistas, eles seriam um grande risco dentro da
caserna, haja vista que uma parcela significativa da juventude brasileira – por
meio de um processo lento e contínuo – se tornou simpática aos ideais
esquerdistas. Muitos jovens de hoje enxergam desertores e terroristas do
passado, que lutaram contra seu próprio país, como figuras em quem se espelhar.
Por conta disso é muito mais seguro que, em um primeiro momento, o reforço no
efetivo seja feito por militares profissionais recém transferidos para a
reserva.
A convocação da
reserva num caso como esse deve ser um processo extremamente criterioso, e por
isso seria realizada de forma lenta e gradual.
Centenas, talvez
milhares de pessoas morreriam nos primeiros embates entre forças armadas e aliados
do governo destituído, a maioria jovens. Os manifestantes recuariam, mas não
desistiriam. Preferindo agir nos grandes centros, se armariam melhor, e melhor
organizados, reagiriam de forma sistemática.
Os militares das
Forças Armadas teriam que assumir as funções de segurança pública em muitos
locais, e isso agravaria a situação nas fronteiras. Ainda que o poderio militar
do Brasil seja bastante superior ao de seus vizinhos bolivarianos, é possível
que quarteis do Exército situados no extremo norte tenham algum trabalho para
resistir a possíveis investidas de grupos estrangeiros que sejam enviados para
apoiar ações anti-governo.
É realmente provável
que combatentes de Cuba, Venezuela e Bolívia se aliem ao exército de
insatisfeitos. Aqui seriam exaltados por aqueles que perderam a boquinha e que
tentariam retomar o poder. Seria sua chance de criar a “pátria grande”? Da
mesma forma que no passado, militantes de esquerda se organizariam em grupos de
guerrilha urbana. Certamente usariam até nomes de grupos do passado, como MR8
etc. Com ataques surpresa e ações do gênero grupos espalhariam o terror nas
noites das grandes cidades, sem se preocupar se estarão fazendo vítimas
inocentes, como é de seu feitio. Hoje ha maior facilidade em se adquirir armas
clandestinas, sem contar as que já existem nas mãos do crime organizado, isso
tornaria as coisas mais difíceis ainda.
Lembrando que os
militares, ao contrário dos grupos de oposição, tem sempre que se preocupar com
a vida da população civil. Inimigos que surgem em guerras intestinas
normalmente não respeitam convenções internacionais, uniformes e tipos de
armamento, sempre se escondendo em meio à multidão, se mantendo à paisana e
usando artefatos e métodos ilegais como bombas caseiras, incêndios e sequestros.
Ha indícios de que o
crime organizado possivelmente decida apoiar indiretamente o governo deposto,
realizando atentados contra militares e forças de segurança, haja vista que
militares ha algum tempo vem causando dificuldades aos criminosos comuns, atuando
nos grandes centros com rigor e reforçando as fronteiras para reprimir o
tráfico de entorpecentes e armas.
Muitas pessoas têm
dito nos campos para comentários aqui da Revista
Sociedade Militar que um governo corrupto mata muito
mais do que uma guerra civil, que o desvio de dinheiro que poderia ser aplicado
em saúde e saneamento acaba por ceifar milhares de vidas. Sem contar a
criminalidade que ceifa dezenas de pessoas todos os dias. Sim, tudo indica que
isso é verdade. Mas, ainda assim devemos a todo custo procurar uma solução
pacífica para as questões que nos afligem.
Enquanto existirem
vias democráticas a sociedade deve buscar o protagonismo político.
Paramos por aqui com
essa descrição fictícia, mas provável.
Cremos que deu pra
ter uma pequena ideia de que uma “intervenção” não é algo tão simples. Os
acontecimentos acima descritos, e milhares de outros não descritos, afetariam o
TODO da sociedade brasileira, 200 milhões de pessoas.
A intervenção pode
acontecer? É claro que sim,
tanto no Brasil quanto em qualquer nação onde exista uma força armada comandada
por homens. Contudo, é improvável. Ha consequências imediatas e duras para
todos os envolvidos. E aqueles que tem o poder de decidir certamente levam isso
em consideração, além de terem a certeza que serão responsabilizados se as
coisas não derem tão certo quanto preverem. As apurações da atual CNV
indiscutivelmente tem um grande poder dissuasório contra qualquer tentativa de
insurreição, e mostram que o povo pode sim ser atirado contra membros do grupo
que o socorreu.
Nosso país é
gigantesco, complexo, pluripartidário, repleto de ONGS e Grupos de esquerda,
que provavelmente apoiariam o governo destituído compulsoriamente.
Seria uma situação
complexa, muita gente sofreria, principalmente os mais humildes, crianças e
idosos.
Ficam alguns milhares
de questionamentos. Entre eles: Ao final dos processos legais, que poderiam
durar anos, todos os membros do partido majoritário seriam condenados? Ou
sobraria alguém para reergue-lo da cinzas? Em pleno séc. XXI poderia-se
bani-los do país? A sociedade civil ajudaria os militares a aguentar a pressão
interna/externa? Legalmente o partido poderia ser extinto? Seus membros teriam
os diretos políticos cassados ou depois de alguns anos retornariam com mais
força e status de injustiçados, inaugurando uma nova onda de revanchismo?
Sabemos que já
salvamos o Brasil uma vez do autoritarismo com fundamentos marxistas, indo para
as ruas. É perfeitamente possível que isso seja realizado pela via democrática,
temos armas e ferramentas para isso.
Peçam urnas convencionais nas manifestações. Carreguem
faixas dizendo abaixo o PT, peçam impeachment, isso é legal e faz parte da
democracia. Estamos diante do maior escândalo já visto, os pilares do
partido do governo nunca estiveram tão abalados e aos poucos percebe-se gente
abandonando o barco, antes do naufrágio, que é iminente.
Se ha indícios de
ilicitudes em qualquer instituição governamental, que se entre com ações contra
o governo. Que se denuncie isso no Ministério público, que tem obrigação de
apurar e responder às questões colocadas. Se isso não der certo, que se inunde
as cortes internacionais de processos contra o governo e governantes do Brasil.
Pelo mundo afora ha
grupos que acamparam por meses nos grandes centros em manifestações pacíficas e
insistiram em receber a atenção da mídia internacional e governo.
Ninguém, seja militar
ou civil, tem permissão para falar em nome das Forças Armadas. Contudo, é
preciso lembrar que as instituições militares não dormem nunca. Se de fato
houver risco iminente à Soberania Nacional, sabemos muito bem que cada um
cumprirá com o seu dever.
A paz queremos com
fervor, a guerra só nos causa dor. Porém…
No momento, além da
luta contra a esquerda, tem-se que lutar contra algo similar a uma extrema
direita, fanática e incapaz de interpretar nossa própria legislação. E que de
forma absurda tenta impor interpretações equivocadas, falando sem o menor pudor
em matar pessoas, fuzilar políticos e impor uma lei marcial, sem nenhuma
justificativa plausível para isso.
Parece que esse
pequeno grupo tenta instigar outros a correr riscos e cometer ilícitos em seu
lugar. Irresponsavelmente, escondidos dentro de seus quartos e apenas se
manifestando por meio de seus teclados, de forma covarde e omissa, tentam jogar
o país no caos generalizado. O que muito provavelmente custaria a vida de
muitas pessoas. Por fim, uma ação ilegal desse tipo acabaria dando a muitos
políticos da atualidade, a oportunidade de serem reconhecidos, dessa vez com
razão, como vítimas de um golpe militar.
Se o grupo de
“intervencionistas” despertasse dessa alucinação, resolvesse sair em peso de
trás de seus monitores de lcd e empreendesse uma oposição inteligente e
corajosa, talvez o trabalho daqueles que realmente acrescentam vitórias nessa
guerra se tornasse um pouco mais fácil. Contudo, infelizmente, ao invés de agir
racionalmente, essa pequena e barulhenta malta, que se diz oposição, não
discute racionalmente, não contra-argumenta. Apenas, a exemplo do que faz a
esquerda, tenta desclassificar qualquer um que discorde minimamente de seus
ideais esdrúxulos, chamando-o de golpistas, covarde, petralha e coisas do
gênero.
Já foram vitimas da
fúria desses caluniadores várias personalidades e articulistas, como Reinaldo
Azevedo, Luciano Ayan, Vários Militares da ativa e reserva, Bolsonaro e seu
filho, que é policial, Robson A.D.Silva, de Revista Sociedade Militar, Marcello
Reis do Revoltados Online, Lobão, Felipe Moura da Veja e muitos outros que
ousam discordar da vontade de uns poucos que desejam o que chamam de
“intervenção militar constitucional”.
“A direita hoje em
dia é campeã em receber presentes políticos e se recusar a abri-los. Daí perdem
as melhores oportunidades“. Frase de Luciano Ayan, acima mencionado.
Caso um governo
derrotado em eleições ou deposto por um impeachment se recuse a abandonar o
Planalto e algum grupo ouse tentar usar a força para mante-lo no poder, o que
geraria uma situação perigosa, seria concebível cogitar a ação das Forças
Armadas para o restabelecimento da ordem. Contudo, não é isso que ora ocorre no
país.
Das dua uma. Ou é
desonestidade ou é analfabetismo funcional defender o que chamam de
“intervenção militar” se amparando no Art. 142 da Constituição. Na CF de 1988,
que foi confeccionada em linguagem bastante clara, é bastante obvio que a
convocação dos militares federais para garantir a lei e ordem deve partir de um
dos poderes constitucionais.
Primeiro: Deve haver risco à
lei e ordem. Segundo: As F.Armadas devem ser convocadas por
um dos poderes. O que estiver fora disso será contra a lei. O militar que se
aventurar a fazer isso age contra regulamentos militares e contra a própria
lei, e pode ser preso.
Art. 142. As Forças Armadas,
constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições
nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na
disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se
à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes,
da lei e da ordem.
Alguns meses atrás,
aqui mesmo nesse site, lemos um artigo no qual um General de Brigada convoca a sociedade a se manifestar e
expressar sua insatisfação, não há fraude ou governo corrupto que resista à
ação crescente da sociedade mobilizada, insistindo em mudanças em torno de
ideais lícitos. Como disse um líder preso recentemente na Venezuela, quem se
cansa perde. #ElQueSeCansaPierde.
Publicado originalmente no site da Revista Sociedade Militar
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Texto liberado para republicação, exceto para fins
comerciais.Para republicação em mídias comerciais consulte o
autor.*Robson.A.D.S. Cientista Social - Revista Sociedade Militar
Será que militar tem medo do fogo amigo?
ResponderExcluirEm uma faxina geral, muitos traíras serão condenados pelo crime de lesa-pátria!