
O debate público fica banalizado e medíocre, com os
candidatos, situação e oposição, temendo debater a realidade com medo da
opinião pública. Os marqueteiros vendem o paraíso, iludindo a boa fé da
sociedade, se ancorando em dizer fatos que sabem ser contrário à verdade. No
Brasil, a despolitização da política, aliado ao baixo nível
de informação da sociedade, transformou as eleições em verdadeira geleia geral.
O resultado é imbecilizar o povo votante, fazendo do conformismo alienado
projeto de poder. O marqueteiro oficial do PT, João Santana, com incrível
ousadia, defendia que as campanhas políticas não trabalham com a realidade e a
verdade, mas com símbolos, com a emoção e o imaginário coletivo.
Antevendo premonitoriamente um tempo de eliminação da
consciência crítica dos brasileiros, o saudoso senador Mario Covas, há três
décadas, apresentava ao Congresso Nacional importante projeto de lei,
defendendo que os programas eleitorais, obrigatoriamente, deveriam ser
transmitidos ao vivo. Na sua justificativa fundamentava: “O objetivo é acabar
com a maquiagem eletrônica e restaurar o sentido verdadeiro do horário político
gratuito, que é de igualdade de oportunidades diante do poderio econômico.
Certas companhas eleitorais recebem o mesmo tratamento de que os mais caros
comerciais. Com a trágica diferença de que não se está vendendo um sabonete ou
um automóvel de luxo, mas sim um mandato popular. Para que os eleitores possam,
cotejar propostas, promessas ou o ponto de vista dos candidatos. Basta um
debate franco, olho no olho, diante de todos.”
Infelizmente, hoje, o debate sério foi banido das eleições.
Predomina os bonecos falantes diante das câmaras lendo no “teleprompter” os
textos escritos pelos marqueteiros. A autocrítica de um dos responsáveis pela
pasteurização da política, o marqueteiro Duda Mendonça vem em boa hora. Ele
defende a extinção do horário eletrônico no formato atual. Afirmando: “A
produção de programas eleitorais para a TV, com alta dosagem de sofisticação e
falsificação é responsável pelos milhões de reais, que elevam a cifras extravagantes
e suspeitas, o custo das campanhas políticas. Teríamos duas vantagens. A
primeira é que para ir a um debate o candidato só precisa de um paletó e, se
não tiver, pode pegar emprestado. A segunda é que em debates o candidato teria
de conhecer de fato os temas, já que ninguém transforma uma pessoa que não sabe
nada em expert em três meses.”
Na última eleição presidencial, o estelionato político,
alimentado pelo projeto do poder estatal, vendeu que tudo corria às mil
maravilhas e o povo se sentia feliz e satisfeito. Depois a realidade, inédita
na vida republicana, aflorou na política, na economia com a sociedade prostrada
no vulcão da crise social frequentando o seu cotidiano. Demonstrando
faticamente que as mentiras marqueteira não podem continuar livre, leve e
solta. O CONAR (Conselho Nacional de Autoregulamentação Publicitária),
organização da sociedade civil, fundada em 1950, define a ética da publicidade:
“Evitar a veiculação de anúncios e campanhas de conteúdo enganoso.” Tem punido
as propagandas que afrontam o seu o Conselho de Ética.
E na política, não deveria o TSE (Tribunal Superior
Eleitoral) e os TREs estaduais atuarem com rigor e punição dos autores de
estelionatos eleitorais? É o que o Brasil espera dos integrantes dessas cortes
judiciais, que não podem continuar assistindo as fraudes e mentiras
marqueteiras determinando os rumos das eleições nacionais.
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Helio Duque é doutor em Ciências, área econômica, pela
Universidade Estadual Paulista (UNESP). Foi Deputado Federal (1978-1991). É
autor de vários livros sobre a economia brasileira.
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