
Como em 64, a imensa maioria dos militares, embora
enxergando o desastre em que fomos metidos – porque não deixaram de ser
brasileiros e sofrem todas as consequências do caos – espera que
os problemas políticos e econômicos sejam resolvidos com os recursos oferecidos
pelas leis vigentes, sem a necessidade do emprego da Expressão
Militar do Poder Nacional.
Diferente de 64, o governo do PT sabe que não tem
meios para tentar implantar as reformas que julga necessárias, “na lei ou na
marra”.
Diferente de 64, os grandes empresários que, naquele
tempo, realizavam encontros para debater a conjuntura e assumir suas
responsabilidades, hoje, estão presos, porque optaram
por aliar-se ao inimigo e, com ele “levar vantagem”! Já chamei isto de suicídio
e de oportunismo por ganhos efêmeros, mas, hoje, vejo que foi corrupção,
ganância e falta de caráter.
Como em 64, inúmeros grupos estão organizados para
manifestar-se contra o comunismo, na forma bolivariana adotada pelo PT, mas, felizmente,
por todas as razões da lógica e da prudência, nenhum deles está
disposto à ação revolucionária. Não constituem um bloco monolítico,
mas, encontram efêmera unidade pela situação caótica por que passa o País.
Diferente de 64, não
há, por parte dos Governadores dos Estados,
qualqueroposição objetiva às esquerdas e ao
Governo, muito menos por parte dos de Minas Gerais, do Rio ou de
São Paulo, de maneira a interferir positivamente na deposição do PT.
No Congresso, a oposição, embora
“majoritária”, tem agido de forma fisiológica, sem
determinação e sem a formação de um bloco interpartidário que produza os
efeitos esperados por quem pretenda servir de fato à sociedade e não a seus
interesses pessoais e corporativos.
A grande mídia, em contraste com o ocorrido em 64,
é dependente das verbas de propaganda do governo e empresta
seu apoio à defesa da democracia como o ferreiro que dá uma no ferro e outra na
ferradura, com raras exceções. Por outro lado, as mídias sociais,
inexistentes há cinquenta anos, têm exercido papel preponderante na
exposição e difusão das mazelas e na formação da opinião pública, embora, por
falta natural de profissionalismo, por vezes, se deixe envolver pela ação
contrária do adversário, também ele utilitário dessa ferramenta.
No meio sindical não se conhece nenhum organismo
patrocinado pela empresas privadas que esteja promovendo a reação ao
proselitismo esquerdista, distintamente do que ocorria há cinco
décadas atrás.
No meio estudantil, nas universidades, há um movimento
incipiente, promovido por abnegados e discriminados professores,
que começa a tomar vulto e que, vez por outra, põe por terra os pífios e
surrados argumentos de esquerda que, desde antes de 64, contaminam o meio.
Entretanto, muitos jovens estão saindo às ruas nas manifestações de protesto, embora
a UNE continue dominada e comprada pelo Governo.
As mulheres brasileiras continuam sendo personagens
da defesa da democracia e dos princípios judaico cristãos que
caracterizam a essência da nossa sociedade, embora sem a ênfase e
o protagonismo que tiveram em 64.
Os militares da reserva, tanto quanto em
64, têm exercido o direito de manifestar suas opiniões que, por certo, representam
o pensamento e as preocupações que estão a merecer a atenção profissional e
cidadã dos da ativa.
As FFAA estão coesas e a disciplina não corre o risco de
ser agredida por “levantes” ou “motins”, o que prova que as “lições
aprendidas” sempre mereceram a especial atenção dos militares brasileiros.
A confiança nos chefes e o conhecimento da
conjuntura, nacional e do entorno do País, neutralizam, consensualmente, o
surgimento de lideranças que assumam posições de destaque ou
de relevância ao arrepio da hierarquia, tornando
inócua a possibilidade de ruptura ou de ações intempestivas fora do controle
dos Comandantes das Forças, não havendo quaisquer indícios de que
os militares pretendam quebrar sua fidelidade à Constituição.
Como em 64, não há o risco de divisão interna das
FFAA, assim como não há risco de que os militares assumam posições que não
representem a vontade e o interesse nacionais. Também não há
planos revolucionários para depor qualquer governo,mas
planejamentos estratégicos que atendem a qualquer das hipótese
de necessidade de emprego do Poder Militar.
Isto impede que, em qualquer situação, haja o risco
de falta de coordenação e controle como o ocorrido na madrugada de 31 de
março, quando, “por razões diversas”, o movimento revolucionário foi antecipado
por tropas do I Exército sediadas em Minas Gerais.
Quanto aos os políticos brasileiros e aos Governadores dos
Estados,diversamente do ocorrido em 64, não
há consenso ou maioria que enxergue como necessária ou que
advogue por uma intervenção militar como a
ocorrida em 31 de março daquele ano.
Diferente de 64, o Presidente do Congresso
Nacional só virá a declarar vaga a Presidência da República se este
fato ocorrer estritamente dentro dos preceitos da Constituição Federal, que não incluem,
explicitamente, uma intervenção militar, o que não exclui, porém, o risco de
que, como em 64, “a perplexidade dos primeiros dias” não dê margem a uma série
de manobras visando ao atendimento de interesses pessoais e de grupos
políticos.
Diferente de 64, a substituição do Executivo terá
que legitimar-se por intermédio do Congresso e não por um decreto ou “Ato
Institucional” do novo governo. Todavia, como em 64, o novo Governo passará,
logo em seguida, a desgostar indivíduos e grupos, porquanto, antes da
deposição, da cassação, da renúncia ou do abandono do cargo, essa discussão irá
enfraquecer a coligação de forças políticas e populares que visam este
objetivo.
Com certeza, como em 64, seja qual for a
forma como o PT será deposto, as divergências começarão já no
primeiro dia, o que exigirá a atenção, a vigilância, o empenho, o
equilíbrio e a serenidade de todos, de forma a não comprometer ou permitir que
a lei seja descumprida e a ordem interna seja ameaçada.
Neste caso, o emprego da Expressão Militar será
essencial para assegurar que não haja comprometimento da manutenção e do
aperfeiçoamento do regime democrático.
As condições objetivas e subjetivas da conjuntura atual diferem
essencialmente das de 1964 e, nessas circunstâncias, uma
intervenção militar, não logrará o mesmo êxito registrado na história,
dividirá o País, poderá unir as vítimas aos seus algozes, comprometerá a
confiança que a Nação deposita nas suas FFAA, não terá legitimidade e
impossibilitará a conquista do sucesso político almejado.
É o que penso!
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