Por Ucho.Info
Quem acompanha a
política nacional com mais proximidade sabe que Lula sempre foi refém de José
Dirceu, situação que deu ao ex-chefe da Casa Civil poderes que chegaram a
impressionar os mais experientes. Por conta do abandono e do envolvimento do
seu nome no Petrolão, o maior escândalo de corrupção da história da humanidade,
Dirceu decidiu cuidar da própria vida, sem qualquer pensamento partidário,
dando a Lula o mesmo tratamento que vem recebendo. A diferença está no detalhe
que o ex-comissário palaciano resolveu dar o troco.
Como se não
bastasse, a situação entre Lula e Dilma tem piorado com o passar do tempo.
Depois que passou a ser bombardeada pela oposição por conta do escândalo que
corroeu os cofres da Petrobras, a presidente da República tomou a decisão de
creditar ao antecessor a responsabilidade pelas indicações a cargos de
diretoria na estatal petrolífera, os quais serviram de base para a roubalheira
que beneficiou partidos políticos e parlamentares. A estratégia, arquitetada
pelo staff do Palácio do Planalto, visa colocar no colo de Lula a culpa pelo
escândalo que continua sangrando o PT.
O posicionamento de
Dilma em relação ao imbróglio que colocou a Petrobras na corda bamba ficou
claro na entrevista concedida pela petista ao jornal belga “Le Soir”. A
presidente afirmou ao tabloide europeu que os diretores da Petrobras presos na
Operação Lava-Jato foram demitidos no fim de 2011 porque não gozavam da sua
confiança. “Essas cinco pessoas já não estavam mais trabalhando para a
Petrobras”, disse a petista.
Dilma pode dizer o
que quiser, pois afinal o Brasil ainda é uma democracia que defende a livre
manifestação do pensamento, mas não pode se esquecer da cronologia dos fatos
relacionados ao escândalo. Próximo a Lula, que o chamava de “Paulinho”, Paulo
Roberto Costa deixou a diretoria de Abastecimento da Petrobras no começo de
2012. Atualmente ele cumpre pena de prisão domiciliar no Rio de Janeiro.
Renato Duque e
Nestor Cerveró permaneceram nos respectivos cargos, na estrutura da Petrobras,
com a anuência explícita de Dilma. Tempos depois, ambos foram presos pela
Polícia Federal na esteira da Operação Lava-Jato.
O entrevero entre
Lula e Dilma deve se acirrar, porque a presidente da República não tem outra
saída para salvar seu mandato, a não ser empurrar para o antecessor a culpa
pelo escândalo. Lula, por sua vez, ainda não digeriu a decisão da sucessora de
concorrer à reeleição, uma vez que o combinado era Dilma exercer um mandato
tampão, garantindo ao ex-metalúrgico o direito de concorrer à Presidência em
2014. O descontentamento de Lula com a decisão da presidente ficou claro com
sua tardia entrada na campanha da “companheira”.
O cenário nos
bastidores vem piorando a cada dia, já que Lula vem fazendo, de forma indireta
e por meio de interlocutores, duras críticas ao governo de Dilma Rousseff, em
especial em relação ao pacote de ajuste fiscal.
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