
Imagem é tudo. Bombam nas redes sociais cenas e fotos do
juiz Sérgio Moro e sua esposa Rosângela sendo aplaudidos no lançamento do livro
"Bem vindo ao Inferno", prefaciado pelo herói da Lava Jato, ontem, no
conjunto Nacional da Avenida Paulista. O Jornal Nacional da Rede Globo,
editorialmente, preferiu mostrar outro acontecimento político, ocorrido mais
cedo, em Brasília: o poderoso Luiz Inácio Lula da Silva saindo, com a
fisionomia bem séria e formal, bem escondidinho, de um almoço indigesto com
Renan Calheiros, Edson Lobão e Delcídio Amaral.
Por acaso a cena guarda alguma coincidência com o fato de
delações premiadas da Operação Lava Jato citarem os santos nomes ligados à
Família Sarney? Eis a ironia da história. O magistrado Sérgio Moro é tratado,
popularmente, como um presidenciável - uma referência de líder para o Brasil.
Humildemente, ele não aceita a fama de herói. Já o ex-Presidente Lula, em
descarada campanha para retornar ao Palácio do Planalto em 2018, enfrenta o
maior desgaste de imagem nunca antes visto em sua história pessoal. Lula nem
pode sair a rua, sem ser vaiado ou xingado. Já Sérgio Moro, que não é político,
consegue atravessar a Avenida Paulista sob aplausos.
Será com os aliados prestigiados ontem por Lula que o PT vai
criar uma nova frente política de esquerda no País com vistas as eleições de
2016 e 2018 - conforme o petista gaúcho Tarso Genro anunciou esta semana no Rio
de Janeiro? Em debate na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Tarso Genro
praticamente respondeu que não. Ainda mais quando falou da crise vivida pelo
Partido dos Trabalhadores e proclamou que o ciclo desenvolvimentista iniciado
por Lula está esgotado: "Nós, que somos minorias dentro do partido, não
temos ninguém a nos opor, porque não há hegemonia partidária hoje. Há um
condomínio administrativo e um partido em crise, que está se segurando para não
entrar numa depressão profunda. Não existe grupo dirigente. Existe um acordo de
funcionalidade partidária e um projeto de estado vencido."
O ideólogo Tarso Genro defende que o Brasil saia de uma
posição dependência subordinada e partir para uma relação de cooperação
recíproca com o capital financeiro internacional. Pregando "acabar com o
monopólio da mídia", Tarso também repetiu o discurso nazistalinista de
atacar o que chama de "classes dominantes" (as zelites a que Lula
sempre se refere). Tarso espancou: "Eles são contra as ousadias dessas
poucas reformas populares que foram feitas. A classe média brasileira está se
'paulistinizando', está cada vez mais paulista. O cara tem 50 mil no banco e
acha que é o Ermírio de Moraes. Ele não quer pobre perto dele, ele não quer o
negro na universidade, ele não quer aceitar a diversidade sexual. Pensa que é
rico; não sabe o que é riqueza".
O grave problema estrutural e conjuntural é que a política
brasileira não dá sinais de mudanças, embora seja esta a vontade do
cidadão-eleitor-contribuinte. Assim, em 2018, existe o risco concreto de Lula
retornar ao poder federal. Ainda não aparece no horizonte quem possa
confrontá-lo. As lideranças continuam as mesmas. O debate continua ideologizado
e sem ideias para colocar o Brasil nos eixos.
Assim, o País continua aquela velha vanguarda do atraso.
Lula, um mito em decadência, segue em frente. E o Brasil fica esperando que
outros Sérgios Moros apareçam para cumprir seu dever cívico, em qualquer dos
três poderes, contaminados pela corrupção sistêmica.
Direito e Justiça em Foco
No programa Direito e Justiça em Foco do próximo domingo,
o desembargador Laércio Laurelli recebe a advogada Ana Luíza Reale - trata das
mudanças do Código Civil no Brasil e de outros temas técnico-jurídicos.
Mosquito em ação

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