O rebaixamento do risco Brasil pela agência Standard and
Poor's é a antecipação de um fato que se esperava para janeiro, derivado do
delírio da apresentação da proposta orçamentária deficitária. Era perfeitamente
evitável, mas Dilma Rousseff é mouca à voz da razão.
O colunista de VEJA Lauro Jardim comenta a manobra do
ministério da Fazenda para conseguir recursos após mais uma 'pancada'. Ontem, a
agência de risco Standard & Poor’s cortou a nota de risco do Brasil,
afastando ainda mais os investidores do país.
Os jornalistas Augusto Nunes e Carlos Graieb analisam o
rebaixamento da nota de risco do Brasil pela agência S&P. A decisão deve
agravar ainda mais a crise econômica e coloca o país à deriva. "O governo
Dilma ruma para um fim célere", diz Graieb.
A presidente diz que não pode economizar, que não tem de
onde cortar, mas exige da população mais sacrifícios. Como alguém que tem 39
ministérios e 140 estatais não tem onde cortar? Dilma não quer emagrecer um
governo com obesidade mórbida. Entenda com Joice Hasselmann.
O juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava
Jato – que descortinou o escândalo de corrupção na Petrobras – rebateu durante
o Exame Fórum as críticas de que as investigações seriam responsáveis pela
crise econômica que afeta o Brasil. Durante palestra, o juiz comparou a Lava
Jato com a ação contra a máfia italiana na operação Mãos Limpas e afirmou que o
Brasil é corroído por um esquema de corrupção sistêmica.
O pessimismo é cada vez maior, simplesmente, porque não
temos no horizonte indicadores apontando em outra direção. Há uma piora geral
no andamento da economia. A queda da produção industrial, por exemplo, foi
muito maior que se previa e bateu direto nas projeções quanto ao tamanho da
recessão que vamos encarar. Quanto maior o tombo, mais difícil a retomada. E o
governo até em declarações acaba contribuindo pra derrubar mais a confiança.
Olha as cabeçadas que deram e continuam dando na questão do
ajuste fiscal. Primeiro veio a proposta orçamentária para o ano que vem,
prevendo um déficit de 30 bilhões e meio de reais nas contas públicas. Depois
foi toda a polêmica em torno da permanência ou não de Levy à frente do
Ministério da Fazenda. Ele ficou e o governo voltou a falar em uma meta de
superávit de 0,7% nas contas em 2016. Mas pra isso tem que cortar despesas ou
aumentar receita.
Do lado das despesas a presidente Dilma, de início, disse
que tudo que tinha pra cortar já tinha sido cortado. Mas agora admite cortes
até em programas sociais, como o Minha Casa, Minha Vida. No paralelo, claro,
continuam elaborando mais aumento da carga tributária, possivelmente,com
elevação da Cide sobre os combustíveis. IPI e IOF. Pra isso basta uma canetada.
Não dependem de negociações com o Congresso, embora também não se descarte uma
nova alíquota do Imposto de Renda para os mais ricos. Nesse caso, a
implementação seria mais difícil. Como consequência disso tudo, tivemos a
disparada do dólar, que pode afetar a inflação, assim como os impostos. Se a
Cide subir, a inflação deste ano pode chegar a dois dígitos. Por outro lado,
impostos mais altos significam mais custos para empresas e consumidores, o que
prejudica a atividade, com a economia já em recessão.
O pessimismo não é à toa. Essa confusão toda pode levar ao
rebaixamento da nota de avaliação do País, que deixaria tudo mais difícil.
Mesmo sem isso, as projeções ainda devem piorar mais, nas próximas semanas,
tanto em função de dados concretos da atividade econômica como pela inabilidade
do governo ao lidar com questões relevantes, até com a crise política; sem
esquecer das denúncias da Lava Jato, que colocam mais lenha na fogueira. A
realidade do País está muito ruim e só o governo e seguidores não perceberam
que caminhávamos pra isso. Pelo menos, foi o que a presidente Dilma falou, que
foi pega de surpresa. Alertas não faltaram. E até a dificuldade de o governo
ouvir ou identificar os problemas preocupa.
A informação alarmante foi dada hoje pela BBC. Só nesta
segunda-feira, Sete de Setembro, 30 mil novos refugiados da Síria se lançaram
ao mar e bateram às portas da Europa. As Nações Unidas calculavam, há um mês,
que 300 mil pessoas já haviam desembarcado este ano em algum ponto da Europa. O
número já está ultrapassado.
O pior é que ele contrasta com a pequena capacidade de
hospedagem anunciada pela União Europeia. Ela quer receber agora apenas 120 mil
sírios. A Alemanha abre os braços para 33 mil. A França, para 24 mil em dois
anos, e o Reino Unido, para 20 mil. A conta não fecha. Seria preciso que cada
país recebesse muito mais. E existe um outro detalhe. Desde que a Guerra Civil
da Síria começou, há quatro anos, e desde o ano passado, quando os facínoras do
Estado Islâmico começaram a se expandir na Síria e no Iraque, a maioria dos
refugiados atravessou fronteiras secas. Eles não precisaram se lançar ao mar.
É assim que o pequeno Líbano já recebeu 1 milhão e 200 mil
refugiados. A Jordânia já recebeu 600 mil. São países pequenininhos, sem a
estrutura para transformar essa gente em imigrantes, com escolas e empregos.
Essa população é confinada em acampamentos, com alimentação e agasalhos
fornecidos pela ONU e pelos governos locais. Vejam então que, diante da
dimensão da tragédia, os 1.200 sírios que foram parar nos Estados Unidos, e os
2 mil que chegaram ao Brasil são uma gota dágua no oceano.
Na semana passada, a fotografia do pequeno Aylan Kurdi,
afogado aos três anos numa praia da Turquia, deu um rosto humano e trágico a
essa questão. O garotinho morto levou muitos europeus a pressionar seus
governos. Vejam que a hostilidade da Hungria aos refugiados, contrasta com os
aplausos, flores e presentes com que eles foram recebidos durante o fim de
semana, na Áustria e na Alemanha. Mas isso não basta. É preciso que o mundo
civilizado faça um esforço humanitário muito maior. É assim que o mundo gira.
Washington Olivetto, o mais renomado publicitário do país,
diz que se orgulha de nunca ter feito marketing eleitoral: "propaganda
política deveria ser muito mais informação e muito menos persuasão". Sobre
publicidade, ele afirma: "é preciso ser politicamente saudável".
No Brazilian Day comemorado neste domingo em Nova York,
transmitido ao vivo pelo Multishow e pela Globo Internacional, o cantor Fábio
Júnior nem precisou recorrer a algum dos seus sucessos para empolgar a
multidão. Bastou-lhe cobrir os ombros com a bandeira nacional, declarar-se
envergonhado com a roubalheira institucionalizada pelo lulopetismo e
identificar sem rodeios os chefões do bando responsável pela decomposição
moral, econômica e política do Brasil. O desabafo foi encampado em coro pela
plateia composta por milhares de indignados.
Nesta segunda-feira, pela primeira vez num Sete de Setembro,
não houve no Dia da Independência o pronunciamento presidencial difundido por
uma cadeia de emissoras de rádio e TV. Por falta de coragem para dizer a
verdade, e sobretudo por medo das vítimas de 13 anos de tapeação, Dilma
Rousseff escondeu-se num palavrório bisonho divulgado pela internet. Mas não
escapou de ser representada no ato de protesto em Brasília pela versão feminina
do já famoso Pixuleko: ao lado do Lula com traje de presidiário, os manifestantes
promoveram a estreia da Dilma tamanho família e com nariz de Pinóquio.
A presidente que não preside desde o início formal do
segundo mandato agora foge até de gravações na TV. Está proibida há muito tempo
de dar as caras nas ruas do país (ou, como avisa o vídeo, de qualquer lugar
onde haja gente nascida neste viveiro de corruptos). As revelações do
empreiteiro Ricardo Pessoa e o inquérito chancelado por Teori Zavascki
embarcaram os ministros Aloizio Mercadante e Edinho Silva no bote de investigados
que flutua no mar de lama que cobre o Planalto ao naufrágio. Não há esperança
de salvação, até porque já não há sinais de vida inteligente no governo.
Prova disso é que os cretinos homiziados no palácio
continuam a agir como se todos os brasileiros fôssemos idiotas. Não somos,
reafirma o show de Fábio Júnior. Idiotas foram sempre eles. Logo serão também
ex-governantes.
O Supremo Tribunal Federal investigará Aloizio Mercadante e
Edinho Silva, ministros de Dilma, do PT, e Aloysio Nunes, do PSDB, vice de
Aécio na última eleição.
Se a investigação da Lava Jato chegar a toda documentação
apreendida, e a recebida da Suíça, muitos perderão o sono. Inclusive atuais ou
ex-governadores, prefeitos etc.
Dia da independência. A oficial do Brasil começou há 193
anos. A História, a oficial, há 515 anos.
Quando chegaram os portugueses, também franceses e
espanhóis, os Tupinambás dominavam a Bahia e boa parte da costa brasileira.
Os Tupinambás haviam derrotado os Tupinaés, que haviam
vencido os Tapuias.
Nas últimas semanas, um índio foi assassinado e fazendeiros
encurralaram índios que lutam por demarcação e ocuparam terras pelo Mato Grosso
do Sul.
Nesse mesmo Mato Grosso, na região de Dourados, cada vez
mais confinados, sufocados, mais de 1.100 jovens índios se suicidaram desde
meados dos anos 80.
No "Descobrimento", os índios no Brasil eram uns 5
milhões. Há 50 anos eram 100 mil. Agora são quase 900 mil.
Como tantas das nações, o Brasil se fez em meio a uma
cultura de violência e extermínio. Que avança, aponta novo relatório da Anistia
Internacional.
A polícia do Brasil é que mais mata no mundo. A dos Estados
Unidos é a terceira.
Em 2014, segundo a Anistia, 15,6% dos 56 mil homicídios no
Brasil (mesma média dos últimos anos) foram cometidos pela polícia. Em
especial, as PMs.
No Rio, a Anistia detectou: entre 2010 e 2013, noventa e
nove e meio por centos dos assassinados eram homens; 79% deles negros e 3 entre
4 tinham entre 15 e 29 anos... E das periferias.
...E nas manchetes, há uma década... corrupção. Ladrões de
ontem e de sempre, em busca do amanhã apontam dedos para ladrões do hoje.
Duelo hipócrita sobre quem roubou menos ou mais, debate
imoral por quantificar, disputar imoralidades. Isso enquanto se deixa de lado a
terrível matança.
Simbolizada na foto da trágica morte do menino Alan Kurdi,
justa a comoção viral com a diáspora rumo à Europa rica.
Mas brutal, simbólica e reveladora a indiferença diante do
genocídio no Brasil. Porque essa carnificina se dá no Brasil NPPI: Negro,
Pobre, Periférico, Índio.