Por Ucho.info
O interrogatório de André Vargas e Ricardo Hoffmann provoca
nova onda de medo e pânico na senadora Gleisi Helena Hoffmann (PT-PR) e seu
marido, o ex-ministro Paulo Bernardo da Silva. Vargas foi coordenador e
arrecadador das campanhas de Gleisi e do marido, ou seja, sabe muito mais do
que o outrora “casal 20” gostaria.
Ricardo Hoffmann, primo distante da senadora, que hoje
renega o parentesco, era associado a Vargas em um esquema criminoso que rendeu
gordos ‘pixulecos’ para a dupla na Caixa Econômica Federal e no Ministério da
Saúde.
Os interrogatórios marcam a fase final do processo de Vargas
e Hoffmann. Depois de ouvir os acusados, Moro deverá conceder os prazos legais
para alegações finais do MPF e das respectivas defesas. Em seguida, caso
nenhuma nova diligência seja solicitada e autorizada, Sérgio Moro poderá
proferir a sentença. Como a expectativa de Vargas e Hoffmann é a condenação a
longas penas de prisão, o temor é que ambos tentem se beneficiar de um acordo
de delação premiada, algo que seria desastroso para Gleisi.
O MPF aponta que a agência de publicidade Borghi/Lowe, que
controla contas publicitárias da Caixa Econômica Federal e do Ministério da
Saúde, solicitava a empresas subcontratadas (E-noise, Luis Portela,
Conspiração, Sagaz e Zulu Filmes) serviços de publicidade legais, entretanto,
as orientava a realizar pagamentos de comissões devidas (no valor de 10% dos
contratos) para contas das empresas Limiar Consultoria e Assessoria em
Comunicação, com sede em Curitiba, e LSI Soluções em Serviços Empresarias
Ltda., com sede em São Paulo, controladas por André Vargas e seu irmão Leon. De
acordo com as investigações, a LSI e a Limiar eram empresas de fachada. Estes
valores, segundo os procuradores, chegam a R$ 1,1 milhão.
Apurações da Polícia Federal e da força-tarefa do MPF também
indicam que as empresas LSI e Limiar receberam, entre os anos de 2009 e 2014,
outros R$ 4.086.084,29 em 200 depósitos de empresas dos mais variados setores.
As informações constam de uma planilha apreendida na residência do
ex-parlamentar em Londrina e também de informações repassadas pela Receita
Federal por meio da declaração do imposto de renda retido na fonte dos
respectivos anos.
Do valor total identificado na investigação, R$ 3.170.292,02
teriam sido depositados nas contas da LSI, como identifica a planilha
apreendida na cara residência de André Vargas. Os recursos foram repassados
entre os anos de 2011 e 2014. Já as informações sobre os depósitos na conta da
Limiar, repassadas pela Receita Federal, indicam depósitos de R$ 915.792,27
entre os anos de 2009 e 2012.
Vargas é réu em outra ação penal e responde por lavagem de
dinheiro e sonegação fiscal por meio da compra de um imóvel de luxo em
Londrina. Ele segue preso no Complexo Médico-Penal em Pinhais. Leon Vargas
ficou na carceragem da PF por cinco dias e não teve o pedido de prisão
prorrogado. Já Ricardo Hoffmann continua preso na PF. O empresário tentou
acordo de colaboração premiada com o MPF, mas as negociações até agora não
avançaram
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