quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Justiça nega mudança de nome da Ponte Rio-Niterói

Juiz alegou que sociedade é que deve decidir

Rio - A Justiça Federal do Rio negou o pedido de mudança do nome da Ponte Presidente Costa e Silva, conhecida pelos cariocas como Rio-Niterói. Na decisão publicada nesta sexta-feira e tomada no dia 18 de dezembro, o juiz Alberto Nogueira Junior alegou que esta seria uma medida impossível de tomar por via jurídica. Segundo ele, é uma questão política e deve ser decidida pela sociedade coletivamente, através de seus representantes no Legislativo.

O pedido foi feito pelo Ministério Público Federal, que argumenta que Costa e Silva foi autor de grandes violações contra o povo brasileiro, responsável pelo endurecimento da ditadura militar e, por isso, não deve ter seu nome em um logradouro público.

Nogueira Júnior defendeu que, se o raciocínio do MP for levado ao extremo, "até mesmo os registros de nascimento e óbito do ex-Presidente Costa e Silva deveriam ser eliminados, afinal, os documentos também integram o patrimônio cultural brasileiro." Em sua decisão, escreveu que "idêntica providência teria que ser tomada com outros documentos históricos, como o selo Centenário de Portugal, contendo a efígie do Presidente Getúlio Vargas", argumentou o juiz.

A presidente Grupo Tortura Nunca Mais, Victória Lavínia, criticou que não há como comparar uma ponte a moedas que saíram de circulação. "Também não dá para comparar Vargas com os presidentes da ditadura militar", afirmou. A assessoria do MP afirmou que o órgão não irá se pronunciar até ser notificado a decisão. Ainda cabe recurso.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

O PERIGO

Por Antonio Delfin Netto
 

Depois de um extraordinário e justificado entusiasmo nacional por termos reencontrado o caminho da construção de uma sociedade "civilizada": 
  1. com o "milagre" da Constituição de 1988; 
  2. com o movimento de reequilíbrio geral iniciado, mas nunca terminado, pelo Plano Real de 1994/95 e, afinal 
  3. com a aceleração da inclusão social a partir de 2003 apoiada por um fantástico e passageiro donativo externo, terminamos 2010 com brilhante superação da maior crise econômica e social que o mundo conheceu depois da Segunda Guerra Mundial.

Com essa história, Dilma Rousseff elegeu-se com relativa facilidade. Os estresses internos estavam escondidos pela velocidade do crescimento e a condição externa estava mudando, o que exigiu um forte ajuste em 2011. O seu primeiro mandato foi testemunha do primeiro grito de desconforto da sociedade brasileira nos últimos 30 anos, e a sua reeleição marcada por um embate político de rara agressividade.

Nossa situação econômica é certamente delicada, mas claramente superável. O fenômeno mais grave que estamos vivendo, entretanto, é a generalização da recusa à política que está se apropriando de boa parte da juventude brasileira.

Sem perceber, ela tem sido vítima da mais incompetente história "engajada" ensinada há décadas nas escolas de todo nível (da base às universidades), sob os auspícios do MEC e de sindicatos de funcionários públicos que se acreditam "professores".

Com raras exceções, não aprenderam nada, nem da história pátria, nem da universal. Continuam comparando o socialismo "ideal" com o capitalismo "real", esquecendo o socialismo "real". Continuam ensinando que a "verdadeira" democracia é o sistema em que a "maioria" decide que a "minoria" não tem outro direito que não o de obedecer-lhes. É a matriz do pensamento autoritário que infecciona a sociedade e que sempre terminará numa "verdadeira" democracia de direita que dura 20 anos, ou numa "verdadeira" democracia de esquerda, em geral mais competente, que costuma durar pelo menos 70...

Quando a maioria da sociedade empodera pelo sufrágio universal um governo para atender a todas as suas vontades, o mais provável é que (inclusive a minoria que se negou a fazê-lo) vai entregar-lhe tudo, a começar por sua liberdade. Disso já sabiam os "founding fathers" da nação americana que construíram, na sua Constituição os mais altos obstáculos ao autoritarismo, sob o controle de um Supremo Tribunal, cuja função básica é garantir os inalienáveis direitos das minorias.

Os fatos dão razão à História: quem a ignora –que é o caso das nossas "direita" boçalizada e "esquerda" imbecilizada– está mesmo destinado a repeti-la.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Dilma terá que prestar contas de mais de R$ 2 TRI ao TCU

O Congresso Nacional há doze anos cruza os braços na fiscalização dos gastos dos governos Lula e Dilma. Nenhum relatório de prestação de contas do PT foi julgado, segundo o TCU. Agora a presidente terá seis meses para explicar porque escondeu rombo de mais de dois trilhões.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Diplomacia cada vez mais anã

Por João Luiz Mauad

Não foi à toa que o ex-porta voz do Ministério das Relações Exteriores israelense chamou o Brasil de “anão diplomático”.  A postura do Governo Dilma no recente episódio envolvendo a execução do brasileiro Marco Archer, na Indonésia, é a prova cabal de que o israelense estava coberto de razão.

Não cabe aqui entrar no mérito da pena de morte em si (a quem interessar possa, sou contra esta pena em quaisquer casos).  Entretanto, o fato é que, qualquer que seja a sua opinião sobre a pena de morte, a atitude do governo brasileiro tem sido prá lá de constrangedora,  especialmente quando nos lembramos que se trata de um intransigente defensor do não intervencionismo nos assuntos internos de outro país e do famigerado multiculturalismo – pelo menos quando isso se mostra conveniente e em conformidade com a ideologia dos barbudinhos ora no comando do Itamarati.

Não satisfeita de pedir clemência – uma atitude até compreensível -, Dilma agora se diz consternada com a execução, a ponto de convocar o embaixador brasileiro para consultas, ao mesmo tempo em que mandou entregar uma nota formal de protesto ao embaixador indonésio em Brasília.  São atitudes ostensivas que visam claramente a colocar as relações diplomáticas entre os dois países em zona de turbulência – não por acaso, cidadãos e jornalistas brasileiros já começam a enfrentar problemas na Indonésia.  Será que todo esse estardalhaço é realmente necessário?

Noves fora um certo nacionalismo bocó, o governo brasileiro alega que seus esforços em defesa da vida de Archer são justificados pelo fato de aqui não haver pena de morte – a nota entregue ao embaixador indonésio diz que “o recurso à pena de morte, que a sociedade mundial crescentemente condena, afeta gravemente as relações entre nossos países“.

Convenhamos: não é um argumento razoável.  Países como Estados Unidos e China também têm pena de morte.  Será que o governo deveria fazer a mesma coisa sempre que, num desses países, houvesse brasileiros no corredor da morte?  Ah! Mas nesses países a pena máxima é aplicada apenas em casos de homicídio qualificado.  O.K. Mas aqui não há pena de morte nem mesmo nesses casos, o que tornaria o argumento levantado pelo Brasil válido para todo e qualquer caso de aplicação da pena máxima a brasileiros no exterior.  Faz sentido?

Tudo somado, fica a impressão de estarmos diante de um governo fraco, emparedado pelos mais diversos escândalos, enfrentando dificuldades políticas e econômicas as mais diversas, porém ávido para tentar desviar a atenção dos problemas realmente importantes e tentando angariar alguns pontinhos junto à opinião pública, seja através de ações demagógicas ou criando inimigos imaginários.  Pensando bem, acho que “anão diplomático” é pouco.  O Governo Dilma está nos transformando num verdadeiro “inseto diplomático”.


Publicado originalmente no site do Instituto Liberal


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João Luiz Mauad é administrador de empresas formado pela FGV-RJ, profissional liberal (consultor de empresas) e diretor do Instituto Liberal. Escreve para vários periódicos como os jornais O Globo, Zero Hora e Gazeta do Povo.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Radiografia de um Traficante: CURUMIM

O perfil de Marco Archer por um jornalista que conversou com ele 4 dias na prisão.


Nos bons tempos
Nos bons tempos
O repórter Renan Antunes de Oliveira entrevistou Marco Archer em 2005, numa prisão na Indonésia. Abaixo, seu relato:

O carioca Marco Archer Cardoso Moreira viveu 17 anos em Ipanema, 25 traficando drogas pelo mundo e 11 em cadeias da Indonésia, até morrer fuzilado, aos 53, neste sábado (17), por sentença da Justiça deste país muçulmano.

Durante quatro dias de entrevista em Tangerang, em 2005, ele se abriu para mim: “Sou traficante, traficante e traficante, só traficante”.

Demonstrou até uma ponta de orgulho: “Nunca tive um emprego diferente na vida”. Contou que tomou “todo tipo de droga que existe”.

Naquela hora estava desafiante, parecia acreditar que conseguiria reverter a sentença de morte.

Marco sabia as regras do país quando foi preso no aeroporto da capital Jakarta, em 2003, com 13,4 quilos de cocaína escondidos dentro dos tubos de sua asa delta. Ele morou na ilha indonésia de Bali por 15 anos, falava bem a língua bahasa e sentiu que a parada seria dura.

Tanto sabia que fugiu do flagrante. Mas acabou recapturado 15 dias depois, quando tentava escapar para o Timor do Leste. Foi processado, condenado, se disse arrependido. Pediu clemência através de Lula, Dilma, Anistia Internacional e até do papa Francisco, sem sucesso. O fuzilamento como punição para crimes é apoiado por quase 70% do povo de lá.

Na mídia brasileira, Marco foi alternadamente apresentado como “um garoto carioca” (apesar dos 42 anos no momento da prisão), ou “instrutor de asa delta”, neste caso um hobby transformado na profissão que ele nunca exerceu.

Para Rodrigo Muxfeldt Gularte, 42, o outro brasileiro condenado por tráfico, que espera fuzilamento para fevereiro, companheiro de cela dele em Tangerang, “Marco teve uma vida que merece ser filmada”.

Rodrigo até ofereceu um roteiro sobre o amigo à cineasta curitibana Laurinha Dalcanale, exaltando: “Ele fez coisas extraordinárias, incríveis.”

O repórter pediu um exemplo: “Viajou pelo mundo todo, teve um monte de mulheres, foi nos lugares mais finos, comeu nos melhores restaurantes, tudo só no glamour, nunca usou uma arma, o cara é demais.”

Em 2005, logo depois de receber a sentença de morte num tribunal em Jacarta
Em 2005, logo depois de receber a sentença de 
morte num tribunal em Jacarta
Para amigos em liberdade que trabalharam para soltá-lo, o que aconteceu teria sido “apenas um erro” do qual ele estaria arrependido.

Na versão mais nobre, seria a tentativa desesperada de obter dinheiro para pagar uma conta de hospital pendurada em Cingapura – Marco estaria preocupado em não deixar o nome sujo naquele país. A conta derivou de uma longa temporada no hospital depois de um acidente de asa delta. Ter sobrevivido deu a ele, segundo os amigos, um incrível sentimento de invulnerabilidade.

Ele jamais se livrou das sequelas. Cheio de pinos nas pernas, andava com dificuldade, o que não o impediu de fugir espetacularmente no aeroporto quando os policiais descobriram cocaína em sua asa delta.

Arriscou tudo ali. Um alerta de bomba reforçara a vigilância no aeroporto. Ele chegou a pensar em largar no aeroporto a cocaína que transportava e ir embora, mas decidiu correr o risco.

Com sua ficha corrida, a campanha pela sua liberdade nunca decolou das redes sociais. A mãe dele, dona Carolina, conseguiu o apoio inicial de Fernando Gabeira, na Câmara Federal, com voto contra de Jair Bolsonaro.

O Itamaraty e a presidência se mexeram cada vez que alguma câmera de TV foi ligada, mesmo sabendo da inutilidade do esforço.

Mesmo aparentemente confiante, ele deixava transparecer que tudo seria inútil, porque falava sempre no passado, em tom resignado: “Não posso me queixar da vida que levei”.

Marco me contou que começou no tráfico ainda na adolescência, diretamente com os cartéis colombianos, levando coca de Medellín para o Rio de Janeiro. Adulto, era um dos capos de Bali, onde conquistou fama de um sujeito carismático e bem humorado.

A paradisíaca Bali é um dos principais mercados de cocaína do mundo graças a turistas ocidentais ricos que vão lá em busca de uma vida hedonista: praias deslumbrantes, droga fácil, farta - e cara.

O quilo da coca nos países produtores, como Peru e Bolívia, custa 1.000 dólares. No Brasil, cerca de 5.000. Em Bali, a mesma coca é negociada a preços que variam entre 20.000 e 90.000 dólares, dependendo da oferta. Numa temporada de escassez, por conta da prisão de vários traficantes, o quilo chegou a 300.000 dólares.

Por ser um dos destinos prediletos de surfistas e praticantes de asa delta, e pela possibilidade de lucros fabulosos, Bali atrai traficantes como Marco. Eles se passam por pessoas em busca de grandes ondas, e costumam carregar o contrabando no interior das pranchas de surf e das asas deltas. Archer foi pego assim. Tinha à mão, sempre que desembarcava nos aeroportos, um álbum de fotos que o mostrava voando, o que de fato fazia.

O homem preso por narcotráfico passou a maior parte da entrevista comigo chapado. O consumo de drogas em Tangerang era uma banalidade.

Pirado, Marco fazia planos mirabolantes – como encomendar de um amigo carioca uma nova asa, para quando saísse da cadeia.

Nos momentos de consciência, mostrava que estava focado na grande batalha: “Vou fazer de tudo para sair vivo desta”.

Marco era um traficante tarimbado: “Nunca fiz nada na vida, exceto viver do tráfico.” Gabava-se de não ter servido ao Exército, nem pagar imposto de renda. Nunca teve talão de cheques e ironizava da única vez numa urna: “Minha mãe me pediu para votar no Fernando Collor”.
A cocaína que ele levava na asa tinha sido comprada em Iquitos, no Peru, por 8 mil dólares o quilo, bancada por um traficante norte-americano, com quem dividiria os lucros se a operação tivesse dado certo: a cotação da época da mercadoria em Bali era de 3,5 milhões de dólares.

Marco me contou, às gargalhadas, sua “épica jornada” com a asa cheia de drogas pelos rios da Amazônia, misturado com inocentes turistas americanos. “Nenhum suspeitou”. Enfim chegou a Manaus, de onde embarcou para Jakarta: “Sair do Brasil foi moleza, nossa fiscalização era uma piada”.

O momento em que ele recebeu a confirmação da data do fuzilamento
O momento em que ele recebeu, nesta semana, 
a confirmação da data do fuzilamento
Na chegada, com certeza ele viu no aeroporto indonésio um enorme cartaz avisando: “Hukuman berta bagi pembana narkotik’’, a política nacional de punir severamente o narcotráfico.

“Ora, em todo lugar do mundo existem leis para serem quebradas”, me disse, mostrando sua peculiar maneira de ver as coisas: “Se eu fosse respeitar leis nunca teria vivido o que vivi”.

Ele desafiou o repórter: “Você não faria a mesma coisa pelos 3,5 milhões de dólares?"

Para ele, o dinheiro valia o risco: “A venda em Bali iria me deixar bem de vida para sempre” – na ocasião, ele não falou em contas hospitalares penduradas.

Marco parecia exagerar no número de vezes que cruzou fronteiras pelo mundo como mula de drogas: “Fiz mais de mil gols”. Com o dinheiro fácil manteve apartamentos em Bali, Hawai e Holanda, sempre abertos aos amigos: “Nunca me perguntaram de onde vinha o dinheiro pras nossas baladas”.

Marco guardava na cadeia uma pasta preta com fotos de lindas mulheres, carrões e dos apartamentos luxuosos, que seriam aqueles onde ele supostamente teria vivido no auge da carreira de traficante.

Num de seus giros pelo mundo ele fez um cursinho de chef na Suíça, o que foi de utilidade em Tangerang. Às vezes, cozinhava para o comandante da cadeia, em troca de regalias.

Eu o vi servindo salmão, arroz à piemontesa e leite achocolatado com castanhas para sobremesa. O fornecedor dos alimentos era Dênis, um ex-preso tornado amigão, que trazia os suprimentos fresquinhos do supermercado Hypermart.

Marco queria contar como era esta vida “fantástica” e se preparou para botar um diário na internet. Queria contratar um videomaker para acompanhar seus dias. Negociava exclusividade na cobertura jornalística, queria escrever um livro com sua experiência – o que mais tarde aconteceu, pela pena de um jornalista de São Paulo. Um amigo prepara um documentário em vídeo para eternizá-lo.

Foi um dos personagens de destaque de um bestseller da jornalista australiana Kathryn Bonella sobre a vida glamourosa dos traficantes em Bali — orgias, modelos ávidas por festas e drogas depois de sessões de fotos, mansões cinematográficas.

Diplomatas se mexeram nos bastidores para tentar comprar uma saída honrosa para Marco. Usaram desde a ajuda brasileira às vítimas do tsunami até oferta de incremento no comércio, sem sucesso. Os indonésios fecharam o balcão de negócios.

As execuções são assim
As execuções são assim
O assessor internacional de Dilma, Marco Aurélio Garcia, disse que o fuzilamento deixa “uma sombra” nas relações bilaterais, mas na lateral deles o pessoal não tá nem aí.

A mãe dele, dona Carolina, funcionária pública estadual no Rio, se empenhou enquanto deu para livrar o ‘garotão’ da enrascada, até morrer de câncer, em 2010.

As visitas dela em Tangerang eram uma festa para o staff da prisão, pra quem dava dinheiro e presentes, na tentativa de aliviar a barra para o filhão.

Com este empurrão da mamãe Marco reinou em Tangerang, nos primeiros anos – até ser transferido para outras cadeias, à espera da execução.

Eu o vi sendo atendido por presos pobres que lhe serviam de garçons, pedicures, faxineiros. Sua cela tinha TV, vídeo, som, ventilador, bonsais e, melhor ainda, portas abertas para um jardim onde ele mantinha peixes num laguinho. Quando ia lá, dona Carola dormia na cama do filho.
A namorada

Marco bebia cerveja geladinha fornecida por chefões locais que estavam noutro pavilhão. Namorava uma bonita presa conhecida por Dragão de Komodo. Como ela vinha da ala feminina, os dois usavam a sala do comandante para se encontrar.

A malandragem carioca ajudou enquanto ele teve dinheiro. Ele fazia sua parte esbanjando bom humor. Por todos os relatos de diplomatas, familiares e jornalistas que o viram na cadeia de tempos em tempos, Marco, apelidado Curumim em Ipanema, sempre se mostrou para cima. E mantinha a forma malhando muito.

Para ele, a balada era permanente. Nos últimos anos teve várias mordomias, como celular e até acesso à internet, onde postou algumas cenas.

Um clip dele circulou nos últimos dias – sempre sereno, dizendo-se arrependido, pedindo a segunda chance: “Acho que não mereço ser fuzilado”.

Marco chegou ao último dia de vida com boa aparência, pelo menos conforme as imagens exibidas no Jornal Hoje, da Globo. Mas tinha perdido quase todos os dentes em sua temporada na prisão, como relatou a jornalista e escritora australiana. No Facebook, ela disse guardar boas recordações de Archer, e criticou a “barbárie” do fuzilamento.

Numa gravação por telefone, ele ainda dava conselhos aos mais jovens, avisando que drogas só podem levar à morte ou à prisão.

Sua voz estava firme, parecia esperar um milagre, mesmo faltando apenas 120 minutos pra enfrentar o pelotão de fuzilamento – a se confirmar, deixou esta vida com o bom humor intacto, resignado.

Sabe-se que ele pediu uma garrafa de uísque Chivas Regal na última refeição e que uma tia teria lhe levado um pote de doce-de-leite.

O arrependimento manifestado nas últimas horas pode ser o reflexo de 11 anos encarcerado. Afinal, as pessoas mudam. Ou pode ter sido encenação. Só ele poderia responder.

Para mim, o homem só disse que estava arrependido de uma única coisa: de ter embalado mal a droga, permitindo a descoberta pela polícia no aeroporto.

“Tava tudo pronto pra ser a viagem da minha vida”, começou, ao relatar seu infortúnio.

Foi assim: no desembarque em Jakarta, meteu o equipamento no raio x. A asa dele tinha cinco tubos, três de alumínio e dois de carbono. Este é mais rijo e impermeável aos raios: “Meu mundo caiu por causa de um guardinha desgraçado”, reclamou.

“O cara perguntou ‘por que a foto do tubo saía preta’? Eu respondi que era da natureza do carbono. Aí ele puxou um canivete, bateu no alumínio, fez tim tim, bateu no carbono, fez tom tom”.

O som revelou que o tubo estava carregado, encerrando a bem-sucedida carreira de 25 anos no narcotráfico.

Marco ainda conseguiu dar um drible nos guardas. Enquanto eles buscavam as ferramentas, ele se esgueirou para fora do aeroporto, pegou um prosaico táxi e sumiu. Depois de 15 dias pulando de ilha em ilha no arquipélago indonésio passou sua última noite em liberdade num barraco de pescador, em Lombok, a poucas braçadas de mar da liberdade.

Acordou cercado por vários policiais, de armas apontadas. Suplicou em bahasa que tivessem misericórdia dele.

No sábado, enfrentou pela última vez a mesma polícia, mas desta vez o pessoal estava cumprindo ordens de atirar para matar.

Foi o fim do Curumim.


Publicado originalmente no site “A Direita Brasileira em Ação

Últimas palavras de Marco Archer 



Últimas palavras públicas do brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, 53 anos, executado na Indonésia, dia 17 de janeiro de 2014. Foram obtidas por celular, quatro dias antes da execução, pelo cineasta Marcos Prado, que prepara um documentário sobre a vida do instrutor de voo.

Fonte: YouTube

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

LEGITIMAÇÃO DO MAL

Por Maria Lucia Victor Barbosa

Os recentes atos terroristas perpetrados na França por fundamentalistas islâmicos levam a reflexões importantes, pois envolvem situações globais que atingem indivíduos isoladamente ou mesmo populações inteiras.

Para começar lembremos que a liberdade é essencial à vida, uma espécie de oxigênio que permite viver com dignidade. É fruto da sociedade ocidental capitalista, do Estado Liberal que evoluiu para o Estado Democrático de Direito. É um bem precioso que foi conquistado aos poucos, lembrando que sistemas totalitários como o comunismo e o nazismo extinguiram a liberdade e massacraram os que tentaram exercê-la, assim como os regimes ditatoriais.

Mas existe limite à liberdade de expressão? Pode a mídia ser antissemita, racista, achincalhar, insultar, tripudiar sobre valores incluindo os religiosos? E não me venham dizer que não posso perguntar isso ou que estou do lado do terror. Tenho direito de me expressar livremente enquanto o ministro petista Berzoine não baixar a cesura total.

Que fique bem claro de minha parte, que as charges sem graça e de péssimo gosto jamais justificariam a chacina dos chargistas levada a cabo pelos irmãos terroristas Chérif e Said Kouachi, na redação do jornal Charlie Hebdo, em Paris.  Defender o terrorismo e legitimar o mal é característica da esquerda primitiva e acéfala que culpa os franceses, os Estados Unidos, os judeus, a islamofobia, a direita pelos brutais assassinatos em nome da fé. Tudo indica que os grupos fundamentalistas sendo totalitários, expansionistas, tribais, medievais atraem irresistivelmente a esquerda que encontra naquelas organizações fanáticas ecos do seu próprio modo de ser, identificando-se com as mesmas.

Seguiram-se às mortes dos jornalistas o assassinato de quatro judeus em um supermercado Kosher, pelo terrorista, Amedy Coulibaly e sua amante, Hayat Boumeddiene. As quatro vítimas chamavam-se: Yoav Hattab, 21, Yohan Cohen, 20 (que salvou uma criança de três anos quando lutou com o terrorista), Philippe Braham, 45 e François Saada, 64.

Lembra Gilles Lapouge sobre os judeus na França (O Estado de S. Paulo, 14/01/2015), que “fundidos na sociedade francesa e sentindo-se franceses até a raiz dos cabelos, seus talentos (Bergson, Lévi-Strauss, Mendés France, Léon Blum, Montaigne e outras milhares de centenas de pessoas) levaram à incandescência o gênio da França, à beleza de sua civilização – excluindo, claro, o vergonhoso espetáculo da ocupação nazista (1940 – 44) quando o general Pétain empreendeu uma campanha de perseguição aos judeus”.

Contudo, passado um dia ou dois dos ataques terroristas tudo voltou ao normal e as afrontas, as agressões e ameaças aos judeus se multiplicaram. Uma contradição, sem dúvida, pois se milhões de franceses foram às ruas para defender a liberdade de expressão, por que alguns negam a outros a liberdade de existir?

Um dos irmãos Kouachi também matou o policial Ahmed Merabet, um mulçumano que ferido e deitado no chão pediu clemência, mas levou um tiro na cabeça. Coulibaly, um dia antes de entrar no Koscher atirou em dois policiais, sendo que a agente Clarissa Jean-Philippe, de 25 anos, morreu.

Os franceses acorreram às ruas para defender um valor que lhes é caro, a liberdade ou para defender sua sobrevivência. Afinal, o ato terrorista se seu dentro do seu território e atingiu o chamado Quarto Poder. Porém, há uma legitimação do mal que não é só apanágio da esquerda diante das facções jihadistas ou guerra santa. Afirmo isso porque houve mais espanto do que manifestações mundiais quando emissários de Bin Laden derrubaram as Torres Gêmeas em 11 de novembro de 2001. Atualmente ninguém se comoveu com o sequestro e assassinato de três jovens Israelense, ao que tudo indica pelos terroristas do Hamas cujo objetivo é dar fim a israel. Mulçumanos matam mulçumanos e fica por isso mesmo entre eles. O Boko Haram sequestra jovens que são estupradas, mantidas como escravas, vendidas, além de dizimar populações inteiras a ferro e fogo, algo que parece apenas uma notícia longínqua que não interessa a ninguém. Outras facções do Islamismo radical seguem atuantes como o Taleban e agora entra em cena o Estado Islâmico com seus degoladores, crucificadores de cristãos, experts em todo tipo de atrocidades. Isso se dá sob a indiferença, legitimação ou aceitação das maiorias que aguardam sua vez de se submeter. Afinal, Islã quer dizer submissão.

Está na hora do mundo se movimentar para valer em vez de ficar esperando a ação dos Estados Unidos para depois criticá-la. E nem menciono o Brasil porque aqui a governanta quer diálogo com o terror, como se isso fosse possível, enquanto já se diz que fundamentalistas recrutam jovens em nossas favelas. Só falta Maria do Rosário declarar que terroristas desumanos têm direitos humanos.

Publicado originalmente no site A Verdade Sufocada


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Maria Lucia Vitor Barbosa é socióloga - mlucia@sercomtel.com.br

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Psiquiatra síria desmoraliza conversa fiada que tenta transformar em culpados os alvos do primitivismo islâmico

A psiquiatra Wafa Sultan, nascida na Síria há 55 anos, e residente nos Estados Unidos transformou sua participação no programa da TV árabe Al-Jazeera em desmoralização da conversa fiada que responsabiliza os países ocidentais pela violência endêmica do fundamentalismo islâmico, e que transforma em culpados os alvos de muçulmanos radicais.

Com o conhecimento de quem viveu os dois lados do problema , e com experiência própria sabendo de como as mulheres são tratadas pelo primitivismo islamita em confronto com a civilização ocidental, a psiquiatra dá o seu recado em menos de cinco minutos.



Fonte: YouTube

“O confronto que estamos testemunhando no mundo não é um conflito entre religiões, ou um choque de civilizações... É um confronto entre dois opostos. É um confronto entre duas eras. É um choque entre uma mentalidade que pertence à Idade Média e outra mentalidade que pertence ao século XXI. É um confronto entre a civilização e o atraso." - Wafa Sultan


segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Porque defender TRAFICANTES?
Você é a favor da pena de morte?

"DURA LEX SED LEX" - E a LEI foi cumprida!

Antes de começarmos, é de bom alvitre vermos o vídeo a seguir:


Fonte: YouTube

Independentemente da tentativa fracassada da PTista "Presidenta" Dilma Rousseff para tirar do corredor da morte o brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, 53 anos, que tentou entrar no país asiático com 13 quilos de cocaína escondidos nos tubos de uma asa delta, o Presidente da Indonésia, Joko Widodo, disse compreender os motivos alegados no pedido feito por Dilma, mas disse que o processo contra Archer transcorreu de acordo com o que determina a legislação da Indonésia, sem ferir o direito à ampla defesa do acusado.

O Estado indonésio pune com pena de morte o tráfico de drogas, tema que conta com maciça aprovação da população local.

O Site ucho.info publicou:
“Diante da recusa de Widodo, a presidente Dilma Rousseff declarou que a decisão da Indonésia de levar adiante a execução abalará sobremaneira a relação entre os dois países...
Que o governo petista de Dilma Vana Rousseff é uma ode ao escândalo todos sabem, mas é inadmissível que a relação entre duas nações seja comprometida pelo comportamento criminoso de alguém que apostou na impunidade e desdenhou a legislação de outro país. A pena de morte para o crime de tráfico de drogas já estava em vigor na Indonésia quando Marco Archer foi preso.
No momento em que pediu a Joko Widodo para que tirasse o brasileiro do corredor da morte, a presidente Dilma imaginou que poderia ingerir em assuntos da Indonésia, o que é inaceitável. Quando dissidentes cubanos fizeram greve de fome por conta do regime autoritário, truculento e criminoso comandado pelos irmãos Castro, inclusive com alguns oposicionistas internados em estado grave, a presidente Dilma, que na ocasião visitava Havana, disse que não falaria sobre o tema com Fidel porque o Brasil não interfere em assuntos internos de outros países.
Ora, se Dilma não interfere nos assuntos do governo cubano, da mesma forma não pode querer interferir nas decisões do Estado indonésio. Alguém há de dizer que no caso de Marco Archer trata-se de uma condenação à morte, mas na ilha caribenha centenas de adversários do regime castrista foram mortos a mando dos facinorosos Raúl e Fidel... 
Considerando que a presidente brasileira crê que as relações com a Indonésia sofrerão aranhões por causa do não recuo de Joko Widodo, que Dilma aproveite a ida à Bolívia, onde participará da cerimônia de posse de Evo Morales, para pedir ao colega boliviano que faça algo para combater a produção de pasta-base de cocaína, que atualmente está em 300 toneladas anuais. Assim, outros incautos como Marco Archer não enveredarão no caminho do tráfico de drogas. Sem contar a covarde dizimação da juventude brasileira no rastro do consumo de cocaína e crack.
A maior parte da produção de pasta-base de cocaína em território boliviano é enviada ao Brasil, o maior consumidor da droga no planeta. Fora isso, os traficantes internacionais usam o Brasil como via de passagem para o envio da droga para outros países.”

Pelo que parece, aqui no "País do Faz de Conta", nossos governos tupiniquins apoiam os narcotraficantes "bolivarianos cocaleiros".

A representante brasileira da organização Human Rights Watch, Maria Laura Canineu, em outra reportagem recente faz uma alusão a um pedido de clemência da Indonésia para uma condenada  a morte na Arábia Saudita por homicídio e roubo, e classificou como “incoerente e hipócrita” a negativa do presidente da Indonésia ao pedido de clemência do governo brasileiro.

Segundo ela: “É uma hipocrisia da parte dele (presidente Joko Widodo). Ele nega clemência para uma pessoa que cometeu um crime que não é violento, que não envolve morte, e pede clemência a outro país para alguém que cometeu um crime violento”.

O que parece é que esta senhora não sabe (ou faz de conta não saber) que um HOMICIDA mata normalmente uma pessoa. Um LADRÃO (não confundir com corruPTo) traz prejuízo à uma pessoa ou a uma empresa ou similar. Já um TRAFICANTE traz mortes, violências, homicídios e provoca roubos, e toda sorte de infortúnios, infernizando a vida de dezenas, centenas, milhares de pessoas, a depender de seu "status" na hierarquia das drogas.

Qual deles é mais pernicioso à sociedade?

Qual deles destrói mais famílias?

Qual deles provoca maiores infortúnios?

Qual deles provoca o maior caos?

PENSEM NISSO antes de DEFENDER UM TRAFICANTE!

Por outro viés, o Itamaraty entregou à Embaixada da Indonésia carta de repúdio à execução, onde defende que o governo brasileiro “manifesta sua profunda inconformidade com a execução do cidadão brasileiro e com o fato de que gestões do mais alto nível e apelos presidenciais à clemência em favor do condenado tenham sido ignorados pelas autoridades indonésias, em franco contraste com as relações de amizade e cooperação que os dois países têm procurado desenvolver historicamente”.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em uma entrevista coletiva sobre a execução fez crer que o episódio “cria uma sombra de dúvida, cria uma animosidade, dificuldade na relação bilateral”, e completou:  “Nunca questionamos o fato, a acusação, mas acreditamos que a clemência e a comutação da pena fossem esperadas”.

SUS - Isso sim é "profunda consternação e tristeza", 
"contrário à índole e moral do povo brasileiro", 
"indigno" para aquele que no final é quem paga a conta. 
Afirmou ainda que a presidente Dilma Rousseff tomou conhecimento da notícia da morte com profunda consternação e tristeza e que os pedidos de clemência da presidente foram feitos “na qualidade de chefe de Estado e também como mãe”.

Segundo o ministro, a pena de morte é um instituto que não só fere preceitos constitucionais brasileiros como é contrário à índole e moral do povo brasileiro.

Baseado em que premissas o ministro faz tais assertivas??? Pelo que sabemos, há controvérsias...

Aqui vai uma sugestão:

Em 2016 teremos eleições no Brasil. Que tal nos valermos da oportunidade para fazermos um plebiscito sobre a aprovação de dois grandes temas que vem sendo discutidos há vários anos no Congresso Nacional sem porém terem logrado parecer conclusivo.

A proposição é simples: O eleitor teria que votar em seus representantes, além de responder a duas pequenas perguntas, com opções igualmente fáceis de compreensão:


VOCÊ É A FAVOR DA PENA DE MORTE PARA TRAFICANTES E CORRUPTOS ?
SIM
NÃO
VOCÊ É A FAVOR DE PRISÃO PERPÉTUA PARA CRIMES BÁRBAROS?
SIM
NÃO

Acreditamos que os resultados seriam surpreendentes!!!...

Somente restaria ao Congresso Nacional, em obediência à vontade do eleitor, legislar a respeito homologando a decisão popular. Assim as respostas às assertivas do ministro estariam dadas.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Eu não sou Charlie

Um periódico francês chamado Charlie Hebdo é especialista em publicações sujas e de baixo nível, a título de liberdade de expressão.

Sua especialidade é ofender a Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Igreja, através de charges altamente imundas e ofensivas, do pior modo que a imaginação humana pode alcançar. São simplesmente impublicáveis.

Através desses anos, rechearam suas publicações com essas ofensas contra todos os valores possíveis, mas principalmente contra a Igreja Católica.

Publicaram também imundices contra a religião de modo geral, incluindo o judaísmo e o islã. No entanto, esses últimos reagiram de modo bem diferente dos cristãos, que levantaram 13 processos na justiça francesa contra o jornal, e dois radicais franco-argelinos islâmicos perpetraram um ato terrorista típico deles, matando 12 pessoas da redação do jornal, além de um policial.

Acabaram sendo perseguidos e mortos pela polícia.

Digamos que eu me aproveitasse de uma das bandeiras defendida pelo Charlie Hebdo e dissesse: “bem feito, todos esses terroristas, tanto islâmicos como cartunistas, devem estar agora no inferno.”

Seria a minha liberdade de expressão que me impeliu a dizer isso.

E é obvio que o 5º mandamento nos impede de sair por aí matando os desafetos, mesmo que esses sejam uns porcos imundos (de novo, é a minha liberdade de expressão falando).

O fato é que não podemos apoiar atos criminosos de qualquer espécie. É imoral declarar apoio ao crime, por isso o meu “bem feito” acima só serviria para chocar. Gostar disso e fazer chacota só me tornaria igual ao terrorista da caneta.

Qualquer cristão digno desse nome, nesse momento, só pode pedir a Deus misericórdia pelas almas desses coitados. É a atitude digna a ser tomada por qualquer ser civilizado, diametralmente oposta à atitude de defensor radical da liberdade de expressão.

Leio nesse momento torrentes de desinformação da mídia tentando defender a comunidade islâmica, culpando o Ocidente, o cristianismo, a direita européia, a escravidão, a homofobia, os nazistas, etc., e um monte de outras besteiras tentando misturar fatos e manter uma visão “politicamente correta” da esquerda.

O fato é que a violência é pregada no Alcorão, que diz que os infiéis devem ser mortos ou escravizados. E assim como a nossa Bíblia, se não tiver a explicação do Autor, pode se interpretar de qualquer modo, até de modo violento. O autor da Bíblia é Deus, o do Alcorão não sei.

Por isso a Igreja sabiamente sempre deu a interpretação da Revelação escrita, conforme ordem de Nosso Senhor aos Apóstolos: Ide e ensinai.

Existe sim uma tradição assassina islâmica na história, e por mais que não haja unidade dos muçulmanos quanto a essas violências, é uma tendência muito forte deles, quem sabe até predominante. Talvez só o comunismo ateu tenha feito mais vítimas na história do que o Islamismo.

unnamedRecomendo a leitura do livro “Muslins Masters, Christians Slaves” de Robert C. Davis, para se ter uma leve noção da perseguição islâmica contra os cristãos. Mostra que no período de 1500 a 1800, mais de um milhão de cristãos europeus foram escravizados pelos muçulmanos do Norte da África (North Africa’s Barbary Coast).

Não tenho dúvidas de que essas tragédias religiosas com o Islã vão continuar acontecendo, para castigo de uma Europa liberal, cujos cidadãos outrora cristãos, não querem mais ter filhos e sim cachorros.

Os europeus dentro de cinquenta anos serão muçulmanos em sua maioria. Mesmo assim não haverá paz, pois não há paz sem Cristo.


Publicado originalmente no site "Fratres In Unum.com"

Comissão da Verdade responsabiliza Lula da Silva e Dilma Rousseff pelo petrolão

Por Irapuan Costa Junior

Mário César Flores: o ex-ministro da Marinha percebe que argumentos da Comissão Nacional da Verdade servem para “incriminar” a presidente Dilma Rousseff e o  ex-presidente Lula da Silva no caso da corrupção na Petrobrás | Foto: Solan Soares
Mário César Flores:  o  ex-ministro da Marinha  percebe que 
argumentos da Comissão Nacional da Verdade servem para 
“incriminar” a  presidente  Dilma Rousseff  e o ex-presidente 
Lula da Silva no caso da corrupção na Petrobrás | Foto: 
Solan Soares
O almirante da reserva Mário César Flores é um dos mais qualificados intelectuais brasileiros vivos. O leitor deve se lembrar dele por ter sido ministro da Marinha no governo Fernando Collor. Foi também ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos no governo Itamar Franco. Flores publicou, que eu saiba, sete livros sobre defesa e poder militar. Talvez tenha escrito outros. Cidadão educadíssimo, além de inteligente e culto, mesmo na re­ser­va não seria dispensado de prestar serviço a nenhum governo, se não existisse enorme preconceito contra os militares. Preconceito que vem desde que Fernando Henrique Car­doso, a esquerda, chegou ao go­verno. É uma pena, pois quem per­de, ao deixá-lo na prateleira, é o Brasil.

Do alto de seus 83 anos, Mário Cesar Flores, dono de uma lucidez invejável, de um raciocínio tão preciso quanto arguto e de muita experiência, seria melhor ministro da Defesa que qualquer um dos que já ocuparam a pasta. Ou do Planeja­men­to, ou de outra meia dúzia de ministérios, hoje nas mãos de nulidades absolutas.

Ninguém na imprensa ou na oposição percebeu, mas não passou batido para Mário César Flo­res: a Comissão Nacional da Ver­da­de responsabilizou integralmente Lula e Dilma por toda a rou­ba­lheira da Petrobrás. Res­pon­sabilidade mes­mo, condizente com as penas da lei. Explico, ou melhor, o almirante Flores explica: a dita Comissão Nacional da Verdade, em seu relatório, responsabilizou os ex-presidentes do regime militar por todos os excessos cometidos pela repressão contra presos políticos. Respon­sabilizou também os ministros militares da época, bem como os comandantes dos Exércitos e de unidades militares onde podem ter ocorrido violações de direitos humanos. No entender da tal Comissão essas autoridades são responsáveis por tais crimes, pelo fato de ocuparem postos mais altos na cadeia de comando em que foram cometidos. Ainda no entender dos “brilhantes” membros da Comissão essa posição na hierarquia os faz, irretorquivelmente, culpados. O recurso ao “eu não sabia” é integralmente repelido pela dita Comissão Nacional da Verdade.

A seguir, pois, os critérios da Comissão, Lula e Dilma respondem pela roubalheira da Petro­brás, como presidentes da Re­pública. Há ainda o agravante de Dilma ter ocupado a presidência do conselho de administração da Petrobrás, e ambos, Lula e Dilma, terem como próximos, quase de casa, elementos-chave nos desvios de dinheiro público, como Paulo Roberto Costa. Meta­fo­ri­camente, na interpretação da dita Comissão Nacional da Verdade, a “tortura” a que foi submetida a Petrobrás pela “ditadura” petista instalada no país, tem Lula e Dilma como responsáveis iniludíveis. Responsáveis “político-administrativos”, como presidentes. Dilma mais responsável ainda, pois chefiou um dos “centros de tortura” onde foi vitimada a Pe­trobrás: o conselho de ad­mi­nis­tração da empresa. E Lula e Dil­ma conviveram, fraternalmente com os “torturadores” Paulo Ro­berto Costa, José Sergio Gabrielli e Renato Duque, entre outros.

Publicado originalmente no site do Jornal Opção

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Alguns são mais Charlie que outros

Por Saulo de Tarso Manriquez

As mais de duas mil pessoas que padeceram nos ataques perpetrados pelo grupo islâmico Boko Haram nos últimos dias não serão lembradas. Elas não são “Charlie”, nem “Charlies”. Não são símbolos de valores ocidentais e, portanto, ninguém marchará e nenhum mantra será repetido para homenageá-las.

As democracias ocidentais têm demonstrado um justo apreço por um dos pilares sobre os quais estão assentadas. No entanto, é no mínimo preocupante pensar no alarido feito por conta dos ataques à liberdade de expressão dirigidos ao Charlie Hebdo (que implicaram a morte de pessoas que a exerciam) e, simultaneamente, constatar um silêncio sepulcral das mesmas democracias sobre atrocidades maiores, mais sistemáticas e mais cruéis verificadas ao redor do mundo. Não se está aqui negando uma questão de ordem prática ínsita ao caso: o fato dos ataques terem ocorrido na França, uma democracia ocidental, um país cujas ideias e convulsões revolucionárias inspiraram processos de independência e declarações de direitos em outras partes do oeste do globo. Tal fato explica, de certa maneira, a ênfase dada à tragédia e a um dos valores atingidos: a liberdade de expressão. Na terra da liberté, egalité, fraternité, a liberdade de expressão é um desdobramento óbvio do pilar “liberdade”, comum aos povos ocidentais, sejam eles mais ou menos secularistas, sejam eles mais ou menos alinhados à tradição romana-católica, à tradição britânica, ou ao pensamento iluminista continental (francês). Porém, a ordem prática que por um lado explica as marchas e as selfies com cartazes “Je suis Charlie”, por outro não justifica a omissão e a indiferença para com outras violações de direitos verificadas em terras não ocidentais.

Os valores ocidentais são, efetivamente, um plural e as democracias ocidentais se escoram sobre vários pilares. Assim, quando se opta por uma defesa (no caso não militar, mas discursiva e midiática) um tanto quanto histriônica de um valor ou direito e não se faz, na mesma proporção, ou ao menos com o mesmo elã, a defesa (não necessariamente militar, mas essencialmente discursiva e midiática) de outros valores e direitos, o que se comunica é uma ordem invertida de valores e direitos,bem como a afirmação de que algumas vidas valem mais do que outras diante de um mesmo tipo de inimigo. Ao dizer isso aos povos não ocidentais, os ocidentais avisam que sua ordem simbólica está doente, que sua civilização está em decadência.

A marcha de Paris, as pessoas que viraram Charlie, as selfies bom-mocistas e os editoriais amedrontados das emissoras de TV e dos jornalões impressos, antes de significarem resistência cultural e uma retomada do sentido civilizacional do hemisfério, são um prenúncio de queda e um convite ao domínio total das tiranias orientais fundadas na “guerra santa” contra o Ocidente decaído.


PS: Não estou aqui dizendo que não se deve intervir militarmente contra o ISIS e o Boko Haram. Estou analisando a coisa sob uma perspectiva comunicacional, propagandística, discursiva.


Publicado no site "Mídia Sem Máscara



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Saulo de Tarso Manriquez é mestre em direito pela PUC-PR.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Je suis Brèsil

Por Cel José Gobbo Ferreira

O mundo ficou chocado com o bárbaro assassinato de doze cartunistas do jornal Charlie Hebdo, publicação bastante conhecida na França por sua crítica ácida e ferina a sistemas, religiões e políticos, por meio de charges extremamente inteligentes embora nem sempre de bom gosto.

O brutal crime foi a manifestação mais crua e candente da intolerância religiosa e atingiu em cheio o conceito democraticamente sagrado da liberdade de expressão. 

A comoção provocada pelos acontecimentos e os protestos que se sucederam merecem ser analisados sob a ótica da atual situação político-econômica brasileira, onde, aliás, a própria liberdade de expressão corre sério risco na ditadura bolivariana em que vivemos.
 
O povo brasileiro atravessa a época mais negra de sua história desde que um marujo da esquadra de Cabral, plantado na cesta da gávea, bradou “Terra à vista”.

No quesito mortes violentas, intimamente ligado à segurança pública, pouquíssimos países ultrapassam nossos números. É como se houvesse uma guerra do Vietnã por ano em nossas terras. O aparato policial é incapaz de proteger a população; dos crimes cometidos apenas 8% são deslindados; e deles, apenas 48% dos perpetradores são julgados e condenados em processos cheios de recursos e de chicanas, que duram anos e que, se exitosos, enviam os réus a um inferno dantesco que é o sistema penitenciário nacional.  Não há dinheiro para melhorar esse quadro, diz o governo do PT, e ninguém vai às ruas protestar por essa situação que coloca cada cidadão brasileiro na condição do “cabra marcado para morrer”.

Não há como se falar de assistência à saúde neste país. Para a imensa maioria da população ela é uma sinistra mentira digna de ser caricaturada em uma edição qualquer do Charlie Hebdo. Os necessitados de atenção médica se amontoam nos corredores dos hospitais, deitados em macas ou no chão mesmo, sem nenhum resquício da dignidade devida a um ser humano em condições penosas. Exames médicos que poderiam antecipar problemas e evitar dor, sofrimento e morte, demoram meses e meses para serem realizados e os pacientes vão a óbito bem antes da data marcada para os exames diagnósticos. Mais uma vez, isso ocorre por falta de recursos, segundo o governo do PT. E nenhum cidadão realmente digno desse título vai às ruas para protestar sobre essa situação.

A educação, que é a chave para a solução da maior parte desses problemas, diminuindo a violência e aumentando o respeito entre as criaturas, esclarecendo o povo acerca de medidas simples de higiene de cuidados que podem prevenir muitas moléstias menos graves, da dengue à diarreia, não existe para aquela mesma parcela que já não tem segurança nem saúde. E aí vem a grande crueldade. Em uma época essencialmente tecnológica como a que vivemos, um número enorme de nossos patrícios atravessa a existência na condição de mortos-vivos, analfabetos funcionais, inaptos para desfrutar as benesses do progresso e condenados a subempregos durante toda sua vida profissional. Porque isso? Porque não há recursos suficientes para mudar esse cenário, de acordo com o partido no poder, o PT. Mais uma vez, ninguém se dá ao trabalho de ir à ruas para protestar contra esse descalabro.

Mas onde estão esses recursos? A cada dia ficamos sabendo de mais e mais escândalos, todos orquestrados pelo PT. Só a Operação Lava Jato já permite estimar até agora, que mais de R$10.000.000.000,00 (escrevo por extenso: dez bilhões de Reais) foram desviados da Petrobras para satisfazer a sede de poder do PT e de outros de sua “base de sustentação”, em um mecanismo cuidadosamente organizado para canalizar tais recursos para os cofres desses partidos e para o bolso de seus caciques. E, prestem atenção, as investigações até agora só atingiram a Petrobras, e a caixa preta do BNDES ainda não foi aberta!!!

O cidadão comum é assassinado aleatoriamente em uma roleta russa que dá a partida assim que ele põe os pés fora de casa. Os menos favorecidos morrem como moscas  em moradias sem saneamento ou em hospitais indignos desse nome, devido à falta de qualquer arremedo de estrutura eficiente que lhes proteja a saúde e a vida, enquanto legiões de jovens são condenados a viver sua vida inteira como cidadãos delta do Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley, por falta de educação adequada. E os recursos que permitiriam mudar esse quadro são roubados escandalosamente por aqueles cuja missão precípua seria exatamente zelar por eles. E ninguém, absolutamente ninguém tem a hombridade de sair às ruas para exprimir sua revolta contra esse estado de coisas.

Na França, mais de um milhão de pessoas saíram ontem às ruas para protestar contra o assassinato de uma dúzia de cidadãos. No Brasil, é impossível reunir uma dúzia de pessoas para protestar contra o extermínio sistemático de mais de um milhão de seres humanos por ano.

Como diriam os humoristas do Charlie Hebdo: “C´est un pays de merde!”

Publicado originalmente no site "A Verdade Sufocada"