Por Maria Lucia Victor Barbosa
Os recentes atos terroristas perpetrados na França por
fundamentalistas islâmicos levam a reflexões importantes, pois envolvem
situações globais que atingem indivíduos isoladamente ou mesmo populações
inteiras.
Para começar lembremos que a liberdade é essencial à vida,
uma espécie de oxigênio que permite viver com dignidade. É fruto da sociedade
ocidental capitalista, do Estado Liberal que evoluiu para o Estado Democrático
de Direito. É um bem precioso que foi conquistado aos poucos, lembrando que
sistemas totalitários como o comunismo e o nazismo extinguiram a liberdade e
massacraram os que tentaram exercê-la, assim como os regimes ditatoriais.
Mas existe limite à liberdade de expressão? Pode a mídia ser
antissemita, racista, achincalhar, insultar, tripudiar sobre valores incluindo
os religiosos? E não me venham dizer que não posso perguntar isso ou que estou
do lado do terror. Tenho direito de me expressar livremente enquanto o ministro
petista Berzoine não baixar a cesura total.
Seguiram-se às mortes dos jornalistas o assassinato de
quatro judeus em um supermercado Kosher, pelo terrorista, Amedy Coulibaly e sua
amante, Hayat Boumeddiene. As quatro vítimas chamavam-se: Yoav Hattab, 21,
Yohan Cohen, 20 (que salvou uma criança de três anos quando lutou com o
terrorista), Philippe Braham, 45 e François Saada, 64.
Lembra Gilles Lapouge sobre os judeus na França (O Estado de
S. Paulo, 14/01/2015), que “fundidos na sociedade francesa e sentindo-se
franceses até a raiz dos cabelos, seus talentos (Bergson, Lévi-Strauss, Mendés
France, Léon Blum, Montaigne e outras milhares de centenas de pessoas) levaram
à incandescência o gênio da França, à beleza de sua civilização – excluindo,
claro, o vergonhoso espetáculo da ocupação nazista (1940 – 44) quando o general
Pétain empreendeu uma campanha de perseguição aos judeus”.
Contudo, passado um dia ou dois dos ataques terroristas tudo
voltou ao normal e as afrontas, as agressões e ameaças aos judeus se
multiplicaram. Uma contradição, sem dúvida, pois se milhões de franceses foram
às ruas para defender a liberdade de expressão, por que alguns negam a outros a
liberdade de existir?
Um dos irmãos Kouachi também matou o policial Ahmed Merabet,
um mulçumano que ferido e deitado no chão pediu clemência, mas levou um tiro na
cabeça. Coulibaly, um dia antes de entrar no Koscher atirou em dois policiais,
sendo que a agente Clarissa Jean-Philippe, de 25 anos, morreu.
Está na hora do mundo se movimentar para valer em vez de
ficar esperando a ação dos Estados Unidos para depois criticá-la. E nem
menciono o Brasil porque aqui a governanta quer diálogo com o terror, como se
isso fosse possível, enquanto já se diz que fundamentalistas recrutam jovens em
nossas favelas. Só falta Maria do Rosário declarar que terroristas desumanos
têm direitos humanos.
Publicado originalmente no site A Verdade Sufocada
_______________________
Maria Lucia Vitor Barbosa é socióloga - mlucia@sercomtel.com.br
Nenhum comentário:
Postar um comentário