Por Ucho.Info
Em agosto o Congresso retomará suas atividades com o
presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disposto a transformar a Casa
numa trincheira de oposição, o Tribunal de Contas da União (TCU) examinará as
contas de Dilma com a ameaça de impeachment rondando o ambiente e uma CPI do
BNDES atormentará o Planalto, além daquela da Petrobrás.
No mais, a Operação Lava Jato fará mais vítimas e haverá
eleição para a escolha do procurador-geral da República. Rodrigo Janot, o atual
chefe do Ministério Público, é favorito para ser reconduzido ao posto, porém,
caso vença a disputa, terá de passar pelo crivo do Senado. Vale ressaltar que,
furiosos com a atuação de Janot na Lava Jato, senadores querem vê-lo bem
distante dali.
Nesse clima extremamente desfavorável, a petista recorreu à
distribuição de cargos e emendas parlamentares para soldar a base aliada. O
ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, que ajuda o vice-presidente Michel
Temer na articulação política, tem no gabinete da Secretaria de Relações
Institucionais várias pastas com nomes de deputados e senadores. Ao lado de
cada um, há faixas coloridas que indicam o índice de fidelidade nas votações. A
cor vermelha sinaliza perigo, mas, hoje em dia, até a traição tem sido
recompensada.
Contudo, Dilma tentará, mais uma vez, investir na agenda
positiva para recuperar a credibilidade. A pedido do ex-presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, ela sairá do Planalto, fará excursões pelo Nordeste, onde houve
debandada de antigos eleitores do PT, e inaugurará obras País afora.
Em almoço com Dilma no Palácio da Alvorada, no último dia
14, Lula bateu com as duas mãos na mesa quando o ministro da Casa Civil,
Aloizio Mercadante, fazia considerações sobre os problemas provocados pela Lava
Jato. “Eu não vim de São Paulo aqui para discutir Lava Jato”, esbravejou Lula.
“Se for para ficar falando disso, levanto e vou embora”.
No mesmo dia, o ‘imbatível’ ex-presidente traçou um roteiro
de reação à crise. Pediu para Dilma mandar os ministros viajarem e divulgar as
ações do governo. O que o petista não contava é que, desde então, tudo piorou e
o próprio Lula virou alvo da Procuradoria da República no Distrito Federal, que
suspeita de tráfico de influência em benefício da empreiteira Odebrecht.
Visando recuperar a credibilidade, o Planalto promoverá, no
mês que vem, cerimônias para lançar programas já em andamento, como o Minha
Casa Minha Vida 3, e comemorar a marca de 60 milhões de pacientes no Mais Médicos.
A ideia é que Dilma também faça tour por programas de TV.
No Congresso, com Eduardo Cunha na oposição, a estratégia
consiste em se aproximar do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL),
que também pode segurar um eventual processo de impeachment.
“Não podem morrer os dois”, resumiu um auxiliar de Dilma,
numa referência a Cunha e Renan. Em conversas reservadas, ministros preveem a
derrocada de Cunha na Lava Jato e já avaliam nomes que possam sucedê-lo no
comando da Câmara. Nenhum deles é do PT.
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